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Cuidados paliativos: o que são, para que servem e tipos

Revisão clínica: Manuel Reis
Enfermeiro
janeiro 2023
  1. Para que servem
  2. Indicações
  3. Tipos
  4. Pilares
  5. Como receber

Os cuidados paliativos são um tipo de atendimento médico especializado indicado para adultos, idosos ou crianças que têm uma doença grave, avançada ou incurável em progressão, que ameaçam a continuidade da vida, com o objetivo de aliviar o seu sofrimento, melhorando o bem-estar e a qualidade de vida.

Nos cuidados paliativos são oferecidos os suporte físico, psicológicos, sociais e espirituais, tanto para o paciente como para sua família e cuidadores, sendo formada por uma equipe de médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, farmacêuticos e um representante espiritual.

Os cuidados paliativos concentram-se na fase final da vida, sendo oferecida por muitos hospitais, principalmente nos que têm serviços de oncologia, podendo ser feita com internamento hospitalar ou em casa.

Imagem ilustrativa número 1

Para que servem

Os cuidados paliativos são indicados para o paciente e familiares ou cuidadores, para:

  • Aliviar a dor e outros sintomas da doença;
  • Gerenciar a dor e os efeitos colaterais do tratamento;
  • Melhorar o conforto, o bem-estar do paciente e a qualidade de vida;
  • Aliviar o sofrimento;
  • Garantir que todas as necessidades do paciente e dos familiares sejam atendidas, sejam físicas, psicológicas, emocionais, sociais e espirituais;
  • Prevenir a ocorrência de novos problemas ou sintomas;
  • Oferecer tratamentos e suportes de acordo com as necessidades do paciente e familiares;
  • Desenvolver estratégias de enfrentamento da doença;
  • Afirmar a vida, considerando a morte como um processo natural;
  • Fornecer acompanhamento humanizado e cuidados até o fim da vida;
  • Permitir que os cuidadores participem do planejamento dos cuidados;
  • Manter a família informada sobre as condições do paciente e o que esperar;
  • Garantir a continuidade do cuidado ao paciente;
  • Oferecer apoio aos cuidadores, em relação a como devem ser os cuidados, facilitando suas tarefas e reduzindo a sobrecarga;
  • Ajudar os familiares na resolução de dificuldades sociais.

Além disso, nos cuidados paliativos são oferecidos suporte e estratégias para os familiares e cuidadores para lidar com a perda relacionada à morte, além de acompanhamento do luto. 

Quem precisa de cuidados paliativos

Os cuidados paliativos são indicados para todas as pessoas que sofrem de uma doença crônica avançada ou incurável, e em progressão, que ameaça a continuidade da vida, sendo, também, chamada de doença terminal.

Alguns exemplos de situações em que se aplicam os cuidados paliativos, seja para adultos, idosos ou crianças, incluem:

  • Câncer;
  • Doenças degenerativas neurológicas, como Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla ou esclerose lateral amiotrófica;
  • Doenças crônicas, como artrite grave;
  • Doença renal ou hepática crônicas;
  • Cardiopatias;
  • Problemas pulmonares crônicos;
  • AIDS avançada;
  • Traumatismo craniano grave ou AVC;
  • Coma irreversível;
  • Doenças genéticas ou doenças congênitas incuráveis.

Assim, não é verdade que estes cuidados são feitos quando já não há mais "nada para fazer", pois ainda podem ser oferecidos tratamentos e cuidados essenciais para o bem-estar e qualidade de vida da pessoa, independente do seu tempo de vida.

Qual a diferença entre cuidados paliativos e eutanásia?

Enquanto a eutanásia propõe antecipar a morte, os cuidados paliativos não apoiam esta prática, que é ilegal no Brasil. Entretanto, também não desejam adiar a morte, e sim, propõem permitir que a doença incurável siga o seu percurso natural, e para isso, oferece todo o apoio para que qualquer sofrimento seja evitado e tratado, gerando um fim de vida com dignidade. Entenda quais são as diferenças entre eutanásia, ortotanásia e distanásia.  

Assim, apesar de não aprovar a eutanásia, os cuidados paliativos também não apoiam a prática de tratamentos considerados fúteis, ou seja, aqueles que apenas têm a intenção de prolongar a vida da pessoa, mas que não vão curá-la, causando dor e invasão da privacidade.

Tipos de cuidados paliativos

Os tipos de cuidados que podem ser envolvidos são:

  • Físicos: servem para tratar e controlar os sintomas físicos que podem ser incômodos como dor, falta de ar, vômitos, fraqueza ou insônia, por exemplo, melhorando o bem-estar e permitindo uma melhor qualidade de vida;
  • Psicológicos: cuidam dos sentimentos e de outros sintomas psicológicos negativos, como angústia, tristeza, depressão ou estresse, tanto do paciente como dos familiares;
  • Sociais: oferecem apoio na gestão de conflitos ou obstáculos sociais, que podem prejudicar o cuidado, como falta de alguém para prestar os cuidados ou questões financeiras;
  • Espirituais: reconhecer e apoiar em relação a questões como oferecer auxílio religioso ou orientações em relação ao sentido da vida e da morte.

Os tipos de cuidados paliativos são oferecidos tanto para o paciente como para os familiares, alinhando as necessidades, valores e preferências do paciente, e preocupações e necessidades dos familiares, baseando-se nos 4 pilares dos cuidados paliativos.

Quais são os 4 pilares dos cuidados paliativos?

Os 4 pilares dos cuidados paliativos são:

  1. Controle adequado dos sintomas;
  2. Comunicação eficaz, clara e adequada, entre o paciente, profissionais de saúde, familiares e cuidadores, facilitando o processo de tomada de decisões;
  3. Apoio aos familiares e cuidadores;
  4. Trabalho em equipe.

Esses pilares funcionam em conjunto para que os cuidados paliativos sejam eficazes, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente e fornecer o suporte aos familiares e cuidadores.

Como receber os cuidados paliativos

Os cuidados paliativos são indicados pelo médico, entretanto, para garantir que eles sejam feitos quando chegar o momento, é importante conversar com a equipe médica que acompanha o paciente e mostrar o seu interesse neste tipo de cuidado. Assim, uma comunicação clara e franca entre o paciente, a família e os médicos sobre o diagnóstico e as opções de tratamento de qualquer doença é muito importante para definir estas questões.

Existem formas de documentar estas vontades, por documentos chamados "Diretivas antecipadas de vontade", que permitem que a pessoa informe aos seus médicos, sobre cuidados de saúde que deseja, ou que não deseja receber, no caso de, por qualquer razão, se encontrar incapaz de expressar os desejos em relação ao tratamento.

Assim, o Conselho Federal de Medicina orienta que o registro da diretiva antecipada de vontade pode ser feito pelo médico que acompanha o paciente, em sua ficha médica ou no prontuário, desde que expressamente autorizado, não sendo exigidas testemunhas ou assinaturas, pois o médico, pela sua profissão, possui fé pública e seus atos têm efeito legal e jurídico.

Também é possível redigir e registrar em cartório um documento, chamado Testamento Vital, em que a pessoa pode declarar estas vontades, especificando, por exemplo, a vontade de não ser submetido a procedimentos como uso de aparelhos para respirar, se alimentar por tubos ou passar por um procedimento reanimação cardio-pulmonar, por exemplo. Neste documento também é possível indicar uma pessoa de confiança para tomar decisões sobre os rumos do tratamento quando não puder mais fazer suas escolhas.

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Atualizado e revisto clinicamente por Manuel Reis - Enfermeiro, em janeiro de 2023.

Bibliografia

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Mostrar bibliografia completa
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Revisão clínica:
Manuel Reis
Enfermeiro
Pós-graduado em fitoterapia clínica e formado pela Escola Superior de Enfermagem do Porto, em 2013. Membro nº 79026 da Ordem dos Enfermeiros.

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