O lacrimejamento constante, sem choro ou emoção envolvida, é uma queixa comum nos consultórios de olhos. Em geral, ele mostra que a produção de lágrima e a drenagem pelas vias lacrimais estão fora de equilíbrio. Irritação da córnea, inflamação das pálpebras e canais entupidos estão entre as explicações mais comuns.
Por que o olho produz lágrima em excesso?
A lágrima tem três camadas: oleosa, aquosa e mucosa. Ela lubrifica a córnea, protege contra microrganismos e mantém a visão nítida. A cada piscada, a lágrima se espalha e depois escoa por pequenos orifícios no canto interno da pálpebra até o ducto lacrimal, que termina dentro do nariz.
Quando a produção supera a drenagem, a lágrima transborda pelo rosto. Os médicos chamam esse quadro de epífora. Ele pode surgir por excesso de produção, como na irritação da superfície ocular, ou por falha no escoamento, como no bloqueio das vias lacrimais.
O que a pesquisa revela sobre as causas da epífora?
Uma pesquisa publicada em 2025 revisou 247 olhos com lágrimas escorrendo de forma persistente. O resultado colocou a obstrução do ducto nasolacrimal como causa mais frequente, presente em 30,7% dos casos. Depois vieram a epífora funcional, com 22,6%, o lacrimejamento reflexo, com 18,2%, e a pálpebra fora de posição, com 16,1%.
A epífora funcional merece atenção. Nesse caso, o canal não está totalmente fechado, mas também não drena a lágrima direito. O diagnóstico costuma passar despercebido, porque a lavagem das vias lacrimais pode dar resultado normal.

Quais são as 7 causas mais comuns dos olhos lacrimejando?
Algumas causas aumentam a produção de lágrima. Outras impedem que ela escoe. As mais frequentes no consultório são:
- Olho seco: a lágrima de má qualidade irrita a córnea, e o olho reage produzindo mais líquido.
- Conjuntivite: a inflamação viral, bacteriana ou alérgica causa vermelhidão, ardor e secreção.
- Alergias sazonais: pólen, ácaros e pelos de animais provocam coceira forte e lágrimas claras.
- Obstrução das vias lacrimais: o canal entupido faz a lágrima transbordar, às vezes com secreção no canto do olho.
- Blefarite: a inflamação na borda das pálpebras altera a camada oleosa da lágrima.
- Pálpebra fora de posição: o ectrópio e o entrópio, mais comuns em idosos, mudam o contato da pálpebra com o globo ocular.
- Corpo estranho ou irritantes: cílio, poeira, fumaça e vento frio provocam lacrimejamento reflexo imediato.
O paradoxo do olho seco confunde muita gente. A pessoa sente ardor e areia nos olhos e, mesmo assim, lacrimeja. Telas, ar-condicionado e uso prolongado de lentes de contato pioram o quadro. Conhecer as principais causas do olho seco ajuda a identificar qual hábito está irritando a superfície ocular.
Como saber se é conjuntivite ou outra irritação?
A conjuntivite costuma trazer olho vermelho, sensação de areia e secreção. Na forma viral, a secreção é aquosa e o quadro passa de um olho para o outro em poucos dias. Na bacteriana, a secreção é amarelada e gruda os cílios ao acordar. A alérgica coça muito e aparece junto com espirros e coriza.
Nem sempre existe uma explicação única. Uma análise complementar com 576 pacientes de uma clínica especializada em vias lacrimais encontrou mais de uma causa em 11% dos casos, e em 16% nenhuma origem foi identificada. Por isso, colírio usado por conta própria pode tratar só parte do problema.

Quando o oftalmologista precisa ser procurado?
Lágrimas ocasionais com vento ou fumaça não são motivo de preocupação. Alguns sinais, porém, pedem avaliação com o oftalmologista em poucos dias ou com urgência:
- Lacrimejamento que dura mais de duas semanas sem melhora
- Dor ocular intensa ou sensibilidade forte à luz
- Visão embaçada que não melhora ao piscar
- Inchaço, vermelhidão e calor no canto interno do olho, perto do nariz
- Secreção com pus ou cílios grudados por vários dias
- Bebês com os olhos sempre molhados desde as primeiras semanas de vida
Na consulta, o especialista examina a superfície ocular com lâmpada de fenda, mede a produção de lágrima e testa a passagem pelo ducto lacrimal. Nos bebês, a obstrução congênita costuma se resolver com massagem orientada. Se o problema continuar, a sondagem do canal é uma opção avaliada pelo oftalmologista.
O que muda no cuidado diário com os olhos?
Piscar mais vezes diante de telas, fazer pausas a cada 20 minutos, limpar a borda das pálpebras com compressas mornas e evitar coçar os olhos reduzem a irritação da córnea. A lágrima artificial sem conservantes alivia o olho seco, mas não resolve canal obstruído nem conjuntivite bacteriana. O tratamento certo depende de saber se o problema está na produção ou na drenagem da lágrima, e o oftalmologista faz essa distinção com testes simples no próprio consultório.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Se seus olhos lacrimejam com frequência ou você tem dúvidas sobre os sintomas, procure orientação médica.









