A pressão de 12 por 8, considerada por décadas o padrão ideal, passou a ser classificada como pré-hipertensão na nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, elaborada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Nefrologia e Sociedade Brasileira de Hipertensão. Agora, normal é ficar abaixo de 12 por 8. A mudança busca identificar o risco mais cedo e estimular cuidados antes que a pressão alta se instale.
Quais são os novos valores?
- Pressão normal: abaixo de 120 por 80 mmHg, ou seja, menos que 12 por 8;
- Pré-hipertensão: de 120 por 80 até 139 por 89 mmHg, faixa que inclui o famoso 12 por 8 e vai até 13,9 por 8,9;
- Hipertensão: igual ou acima de 140 por 90 mmHg, ou seja, 14 por 9 ou mais.
Basta que um dos dois números esteja na faixa mais alta para a classificação mudar. Uma medida de 13 por 7, por exemplo, já entra na pré-hipertensão.

Por que os valores mudaram?
Pesquisas mostram que o risco de infarto, AVC e doença nos rins começa a subir antes dos 14 por 9. Um dos estudos mais influentes nessa discussão foi publicado no New England Journal of Medicine em 2015. Nele, pesquisadores do SPRINT, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, acompanharam 9.361 pessoas com pressão alta e risco cardiovascular elevado, tratadas para manter a pressão máxima abaixo de 12 ou abaixo de 14.
O grupo com meta mais baixa teve 25% menos infartos, AVCs e insuficiência cardíaca e 27% menos mortes por qualquer causa. Por outro lado, apresentou mais episódios de pressão baixa, desmaios e alterações nos rins, o que reforça a necessidade de acompanhamento médico.
Quais são as novas metas de tratamento?
Para quem já tem hipertensão e está em tratamento, a nova diretriz estabelece como meta geral manter a pressão abaixo de 130 por 80 mmHg, ou 13 por 8. O médico pode ajustar o alvo em situações específicas, como em idosos frágeis ou em quem tem efeitos colaterais com os remédios.
O que fazer se a pressão estiver na faixa de pré-hipertensão?
Para a maioria das pessoas nessa faixa, o primeiro passo não é remédio, mas mudança de hábitos:
- Reduzir o sal e os alimentos ultraprocessados, ricos em sódio;
- Comer mais frutas, verduras, legumes e grãos integrais;
- Praticar atividade física regularmente, pelo menos 150 minutos por semana;
- Perder peso, se houver excesso;
- Moderar o álcool e não fumar;
- Dormir bem e controlar o estresse.
Também é recomendado medir a pressão ao menos uma vez por ano. Pessoas com diabetes, doença nos rins ou alto risco cardiovascular podem precisar de remédios mais cedo, conforme avaliação médica.

Como medir corretamente?
Uma única medida não basta para o diagnóstico. A pressão deve ser medida após cinco minutos de repouso, sentado, com o braço apoiado na altura do coração e sem ter tomado café ou fumado antes. Medidas em casa ou a monitorização de 24 horas ajudam a confirmar os valores. Para entender melhor a doença, vale conhecer os sintomas e o tratamento da pressão alta.
Prevenção começa mais cedo
A nova classificação não transforma ninguém em doente da noite para o dia, mas funciona como um alerta para agir antes. Como mostrou o estudo SPRINT, manter a pressão mais baixa reduz eventos graves, desde que com acompanhamento. Quem descobrir valores acima de 12 por 8 deve conversar com o médico sobre os cuidados adequados.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. Não inicie, suspenda ou ajuste remédios para pressão sem orientação profissional.









