Muita gente passa a dormir sem pijama nas noites quentes, e o motivo está na temperatura corporal. Para o sono começar, o organismo precisa perder calor. O tecido em contato com a pele interfere nessa troca. Esse detalhe afeta o relógio biológico, o conforto térmico e o quanto o descanso vai ser reparador.
Por que a temperatura corporal cai na hora de dormir?
A temperatura corporal segue o ritmo circadiano, o relógio interno que organiza as funções do corpo ao longo das 24 horas. Ela chega ao pico no fim da tarde e começa a baixar perto da hora de deitar. Na madrugada, a queda chega a cerca de 1 °C e funciona como um sinal de que o sono pode começar.
A melatonina é o hormônio liberado pela glândula pineal quando escurece, e ela participa diretamente desse ajuste. Ela favorece a dilatação dos vasos das mãos e dos pés, que passam a liberar calor para o ambiente. Esse é o centro da termorregulação noturna. Por isso pés aquecidos e tronco fresco costumam vir antes do adormecer.
O que a pesquisa revela sobre roupas de dormir e qualidade do sono?
Uma revisão sistemática publicada em 2024 reuniu nove estudos sobre os tecidos usados em pijamas e roupas de cama. A conclusão foi que o tipo de fibra interfere no início do sono e no padrão do descanso. A lã ajudou os participantes a adormecer, enquanto o linho teve melhor desempenho em condições de calor.
Os próprios autores alertam que os trabalhos analisados são heterogêneos e difíceis de comparar entre si. Mesmo assim, o achado reforça uma ideia prática. Tudo o que fica entre a pele e o colchão altera a troca de calor e pode afetar a qualidade do sono. Tirar o pijama é uma das formas de reduzir essa barreira, mas não a única.

Como a pele ajuda na termorregulação durante a noite?
A termorregulação depende muito da pele, o maior órgão do corpo. Ela dissipa calor por irradiação, pela evaporação do suor e pelo contato com o ar do quarto. Quando um tecido grosso ou sintético cobre o corpo, o calor fica retido e o suor demora a secar. Sem roupa, os efeitos mais relatados são estes:
- Perda de calor mais rápida nos primeiros minutos na cama
- Menos suor acumulado nas axilas, nas costas e na virilha
- Mais ventilação na região íntima, o que reduz a umidade ligada à candidíase
- Sensação de frescor em quartos sem ventilador ou ar-condicionado
Quem quiser se aprofundar pode consultar os possíveis ganhos de dormir pelado, com efeitos sobre o conforto térmico e o descanso. Lençol, cobertor e edredom continuam atuando como camada isolante. Por isso a escolha da roupa de cama pesa tanto quanto a decisão de dispensar o pijama.
O calor no quarto atrapalha a melatonina e o descanso?
Quarto abafado é um dos principais inimigos do sono profundo. Uma análise complementar apontou que o calor aumenta o tempo acordado e reduz o sono de ondas lentas e o sono REM. Essas fases estão ligadas à recuperação muscular e à consolidação da memória. Por isso noites quentes pioram a qualidade do sono e deixam a sensação de cansaço ao acordar.

A melatonina também sofre em ambientes quentes e iluminados. A luz de telas e lâmpadas fortes atrasa a liberação do hormônio, e o corpo demora mais a esfriar. Pouca roupa, quarto escuro e temperatura ambiente entre 18 °C e 22 °C costumam encurtar o tempo até o adormecer.
Situações em que o pijama ainda é a melhor escolha
Dormir sem roupa não serve para todo mundo nem para todas as estações. Em alguns casos, uma peça leve protege mais do que atrapalha:
- Noites frias, quando a perda excessiva de calor provoca despertares e tremores
- Pessoas idosas, que têm termorregulação menos eficiente e sentem frio com facilidade
- Quem tem pele sensível, dermatite atópica ou alergia a ácaros do colchão
- Bebês e crianças pequenas, que ainda não controlam bem o próprio calor
Nesses cenários, prefira algodão e linho em modelagens soltas, que deixam o ar circular. Elásticos apertados na cintura e nos punhos comprimem a região e retêm calor justamente nas áreas que mais precisam liberá-lo.
O que considerar antes de dispensar o pijama?
Dormir com ou sem pijama depende do equilíbrio entre a temperatura corporal, o clima do quarto e a roupa de cama. Um banho morno uma a duas horas antes de deitar ajuda a melatonina a subir no horário certo. Lençóis respiráveis e luz baixa à noite também ajudam. Se a insônia persistir por semanas mesmo com esses ajustes, um médico pode investigar apneia, ansiedade ou alterações hormonais.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento feito por um profissional de saúde. Em caso de sintomas persistentes ou dúvidas sobre o seu sono, procure orientação médica.









