Um novo tipo de PET/CT conseguiu localizar 97,9% das lesões do carcinoma renal de células claras, o tipo mais comum de câncer de rim, contra 47,1% do exame tradicional. A técnica usa uma substância que se liga a uma proteína presente em grande quantidade nesse tumor. O método ainda é experimental e não está disponível na rotina, mas pode ajudar no futuro a definir a extensão da doença e o melhor tratamento.
Por que o câncer de rim é difícil de enxergar nos exames?
O PET/CT mais usado em oncologia emprega uma glicose radioativa, o FDG, que destaca células que consomem muito açúcar. Muitos tumores aparecem bem nesse exame, mas o câncer de rim costuma ter consumo de glicose mais baixo e variável.
Além disso, o FDG é eliminado pelos rins e pela urina, o que gera um brilho de fundo que atrapalha a visualização das lesões. Por isso, metástases pequenas podem passar despercebidas.

O que o novo estudo mostrou?
A nova técnica foi comparada lado a lado com o exame tradicional. Segundo uma pesquisa publicada no Journal of Nuclear Medicine em 2026 e apresentada no congresso europeu de medicina nuclear, em Viena, médicos da Universidade de Ciências da Saúde, na Turquia, avaliaram 68 pacientes com câncer de rim em vários centros. Cada um fez os dois exames, e 492 lesões foram confirmadas.
No tipo de células claras, o novo PET/CT detectou 97,9% das lesões contra 47,1% do exame com glicose. Considerando todos os tipos de câncer renal, a taxa foi de 90,9% contra 56,7%. O novo método mudou o estadiamento ou a conduta em 30,9% dos pacientes, contra 5,9% do exame tradicional.
Como funciona a nova técnica?
O exame usa um radiotraçador chamado DPI-4452, marcado com gálio-68, que se liga à anidrase carbônica IX, conhecida como CAIX. Essa proteína aparece em grande quantidade na superfície das células do carcinoma de células claras e quase não existe no rim saudável.
Nos exames, a captação do novo traçador nas lesões foi cerca de cinco vezes maior que a do FDG, o que deixou os tumores mais nítidos. O método também encontrou 95% das lesões nos linfonodos, contra 68,9% do exame comparado.
Quais são os limites da pesquisa?
O estudo envolveu um número pequeno de pacientes e ainda precisa ser confirmado em grupos maiores. O FDG teve desempenho melhor em metástases no fígado quando todos os tipos de câncer renal foram considerados, porque alguns subtipos produzem pouca CAIX. Também falta mostrar se a detecção extra se traduz em mais anos de vida para os pacientes.

Quais sinais podem indicar câncer de rim?
O câncer de rim costuma ser silencioso no início e muitas vezes é descoberto por acaso em ultrassons e tomografias. Quando surgem, os sintomas incluem:
- Sangue na urina, mesmo que apareça uma única vez;
- Dor persistente em um lado das costas, abaixo das costelas;
- Caroço palpável na lateral do abdome;
- Perda de peso sem explicação, cansaço e febre recorrente.
Para entender as diferenças entre os subtipos e os tratamentos, vale conhecer os sintomas e tipos de câncer no rim.
Prevenção e diagnóstico precoce seguem essenciais
Tabagismo, obesidade, pressão alta e doença renal crônica estão entre os principais fatores de risco, e o tumor é mais comum em homens após os 50 anos. Quando descoberto ainda restrito ao rim, a cirurgia costuma ter alta chance de cura. O novo exame pode, no futuro, ajudar a planejar melhor o tratamento, mas sangue na urina continua sendo motivo para procurar o urologista sem demora.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. Diante de sangue na urina ou dor lombar persistente, procure atendimento.









