O chá de louro é usado há séculos em receitas caseiras contra tosse e congestão, mas ainda faltam estudos em pessoas que comprovem esse efeito. A folha tem compostos aromáticos semelhantes aos do eucalipto, e o vapor e o líquido quente podem trazer alívio passageiro à garganta. A pesquisa mais sólida com louro em humanos, curiosamente, mostrou efeito sobre a glicose, o que exige cuidado de quem usa remédios para diabetes.
O que a folha de louro contém?
O louro, de nome científico Laurus nobilis, é rico em óleos aromáticos, como o 1,8-cineol, também chamado de eucaliptol, além de eugenol e compostos antioxidantes. O cineol é o mesmo componente presente no eucalipto e em alguns remédios inalatórios, com ação que ajuda a soltar o catarro.
Estudos de laboratório também apontam efeito anti-inflamatório e antimicrobiano dos extratos da folha. Esses resultados, porém, foram obtidos em células e animais, com concentrações muito maiores do que as de uma xícara de chá.

O que um estudo em pessoas mostrou?
O principal ensaio com louro em humanos não avaliou tosse, mas a glicose. Segundo uma pesquisa publicada no Journal of Clinical Biochemistry and Nutrition em 2009, cientistas do Paquistão e dos Estados Unidos deram cápsulas com 1 a 3 gramas de folha de louro moída por dia, ou placebo, a 40 pessoas com diabetes tipo 2, durante 30 dias.
Todas as doses reduziram a glicose no sangue entre 21% e 26%, e o colesterol total também caiu. O estudo foi pequeno e curto e não foi repetido em larga escala, mas mostra que a folha pode ter efeito real no organismo e interagir com remédios.
Como preparar o chá de louro?
A receita tradicional é simples:
- Ferva 250 ml de água e desligue o fogo;
- Acrescente duas ou três folhas secas de louro;
- Tampe e deixe em infusão por cerca de 10 minutos;
- Coe bem e beba morno, podendo adicionar uma colher de mel.
Uma a duas xícaras por dia é a quantidade usual. Nunca engula a folha inteira, porque ela é dura, não amolece no cozimento e pode machucar a garganta ou o intestino.
O chá ajuda mesmo contra a tosse?
Bebidas quentes aliviam a irritação da garganta, hidratavam as vias aéreas e ajudavam a fluidificar a secreção, e o aroma do cineol dava sensação de nariz mais livre. Esse alívio, porém, não trata a causa da tosse, que, na maioria das vezes, é uma infecção viral que melhora sozinha em uma a três semanas.
O mel acrescentado ao chá tem mais evidência que o próprio louro para reduzir a tosse noturna. Para entender quando a tosse merece investigação, vale conhecer as causas da tosse seca persistente.

Quem deve evitar o chá de louro?
- Pessoas com diabetes que usam remédios, pelo risco de queda excessiva da glicose;
- Gestantes e lactantes, pela falta de estudos de segurança;
- Crianças pequenas, e o mel nunca deve ser dado a menores de 1 ano;
- Pessoas alérgicas a plantas da mesma família;
- Quem vai passar por cirurgia, por possível efeito sobre a glicose e sedação.
Quando a tosse exige médico
O chá pode ser um conforto caseiro, mas não substitui avaliação. Tosse que dura mais de três semanas, febre alta, falta de ar, chiado no peito, dor ao respirar ou catarro com sangue precisam de atendimento. Como mostrou o estudo com diabéticos, a folha de louro tem efeitos reais no organismo, por isso o uso frequente deve ser conversado com o médico, especialmente por quem usa remédios contínuos.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. Pessoas com diabetes devem consultar o médico antes de usar chá de louro com frequência.









