Pré-diabetes é uma condição em que a glicose no sangue está acima do considerado normal, mas ainda não atingiu os níveis usados para diagnosticar diabetes. Na glicemia de jejum, valores entre 100 e 125 mg/dL estão nessa faixa. Embora aumente o risco de diabetes tipo 2, esse diagnóstico não significa que a evolução para a doença seja inevitável: mudanças no estilo de vida podem ajudar a reduzir a glicose e prevenir ou atrasar o diabetes.
O que acontece no organismo durante o pré-diabetes?
A glicose é uma das principais fontes de energia das células e depende da ação da insulina para ser utilizada adequadamente pelo organismo. No pré-diabetes, é comum que o corpo comece a responder pior à insulina ou tenha dificuldade crescente para manter a glicose dentro da faixa normal.
Essa alteração pode se desenvolver lentamente e, muitas vezes, não provoca sinais evidentes. Por isso, o pré-diabetes costuma ser descoberto durante exames de sangue realizados como parte de um acompanhamento de rotina.
Quais valores indicam pré-diabetes?
A glicemia de jejum é uma das formas utilizadas para identificar a alteração. De acordo com o National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, o resultado entre 100 e 125 mg/dL é compatível com pré-diabetes.
Outros exames também podem ser empregados na avaliação. Os principais valores utilizados são:
- glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL;
- hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%;
- glicemia entre 140 e 199 mg/dL duas horas após teste oral com 75 g de glicose.
A glicemia de jejum deve ser interpretada por um profissional de saúde, que pode considerar a necessidade de repetir exames ou utilizar outros testes antes de definir a conduta.

Quem tem pré-diabetes necessariamente terá diabetes?
Não. O pré-diabetes aumenta o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2, mas a progressão não acontece obrigatoriamente. Esse período representa justamente uma oportunidade para identificar fatores de risco e agir antes que a alteração da glicose avance.
O Diabetes Prevention Program, grande estudo patrocinado pelo NIH, mostrou que uma intervenção intensiva baseada em mudanças na alimentação, aumento da atividade física e perda moderada de peso reduziu significativamente a ocorrência de diabetes tipo 2 em pessoas de alto risco. Os resultados reforçam que mudanças consistentes de estilo de vida podem prevenir ou retardar a doença.
O que pode ajudar a controlar a glicose nessa fase?
As mudanças necessárias variam de pessoa para pessoa e devem considerar peso, alimentação, rotina, doenças associadas e resultados dos exames. Algumas medidas frequentemente recomendadas incluem:
- praticar atividade física regularmente;
- reduzir o consumo de bebidas açucaradas, doces e produtos ultraprocessados;
- priorizar verduras, legumes, grãos integrais e outros alimentos ricos em fibras;
- ajustar as porções de alimentos ricos em carboidratos;
- perder peso quando houver sobrepeso ou obesidade e essa redução for indicada;
- manter acompanhamento periódico da glicose.
Em determinadas pessoas com maior risco, o médico também pode avaliar o uso de medicamentos, mas eles não substituem os cuidados com alimentação, atividade física e acompanhamento regular.

Por que descobrir o pré-diabetes cedo faz diferença?
Como geralmente não existem sintomas claros, esperar por sede excessiva, aumento da urina ou outros sinais pode atrasar o diagnóstico. Pessoas com excesso de peso, histórico familiar de diabetes tipo 2, hipertensão, alterações do colesterol ou histórico de diabetes gestacional podem precisar de rastreamento conforme orientação médica.
Descobrir a alteração cedo permite acompanhar sua evolução e agir enquanto ainda existe uma oportunidade importante de reduzir o risco de diabetes tipo 2. Os exames também devem ser interpretados em conjunto com o histórico de saúde, já que um resultado isolado não deve servir para a pessoa se diagnosticar por conta própria.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Resultados alterados de glicemia devem ser avaliados por um profissional de saúde para confirmação do diagnóstico e definição do acompanhamento adequado.









