A chegada do primeiro medicamento aprovado para a apneia obstrutiva do sono animou muitas pessoas que convivem com o incômodo do CPAP, mas a novidade não significa o fim do aparelho. A aprovação do remédio é voltada a um perfil específico de pacientes e não determina, por si só, a suspensão do CPAP ou dos aparelhos orais, que seguem indicados conforme exames e sintomas. Entender por que a decisão continua individual ajuda a evitar expectativas de cura e escolhas precipitadas.
O que foi aprovado para a apneia do sono?
Em dezembro de 2024, a agência reguladora americana FDA autorizou o uso da tirzepatida, um medicamento injetável, para a apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos que também têm obesidade. Foi o primeiro remédio aprovado especificamente para essa condição.
O medicamento age reduzindo o peso corporal, o que pode diminuir os episódios de obstrução das vias aéreas durante o sono. Ele não foi aprovado para pessoas sem obesidade nem para casos leves da doença.
Por que o remédio não substitui o CPAP?
A aprovação do medicamento não inclui nenhuma indicação de que ele substitua o CPAP. O aparelho continua sendo um dos tratamentos de escolha, pois atua diretamente mantendo as vias aéreas abertas durante o sono.
Além disso, interromper o CPAP por conta própria pode trazer de volta as pausas respiratórias e os riscos associados. A decisão sobre manter, ajustar ou combinar tratamentos deve sempre partir de uma avaliação médica individual.

Quais tratamentos seguem disponíveis para a apneia?
A apneia do sono conta com diferentes abordagens, que podem ser usadas isoladamente ou em conjunto conforme a gravidade do quadro. Entre as principais opções estão:
- CPAP, aparelho que mantém a pressão de ar nas vias respiratórias;
- Aparelhos intraorais, que reposicionam a mandíbula durante o sono;
- Cirurgia, indicada quando outras opções não funcionam;
- Perda de peso e mudanças no estilo de vida;
- Medicamento, em casos específicos com obesidade associada.
A escolha entre essas alternativas depende da polissonografia e dos sintomas, por isso é importante saber quais são os especialistas em apneia do sono que podem orientar o tratamento.
O que o estudo científico mostrou sobre o medicamento?
A aprovação foi baseada em pesquisas robustas sobre o tema. Segundo o estudo Tirzepatide for the Treatment of Obstructive Sleep Apnea and Obesity, publicado no periódico New England Journal of Medicine, dois ensaios clínicos de fase 3 avaliaram adultos com apneia obstrutiva moderada a grave e obesidade ao longo de 52 semanas.
Após esse período, a tirzepatida reduziu o número de interrupções respiratórias por hora de sono e o peso corporal. É importante notar que um dos ensaios incluiu pessoas que seguiram usando o CPAP durante todo o estudo, o que reforça que o remédio foi avaliado como complemento, e não como substituto do aparelho.

Como deve ser a decisão sobre o tratamento?
Não existe uma resposta única que sirva para todos. A conduta mais adequada depende do tipo e da gravidade da apneia do sono, da presença de obesidade e da resposta de cada pessoa aos tratamentos disponíveis.
Por isso, qualquer mudança no uso do CPAP, dos aparelhos orais ou a introdução de um medicamento deve ser discutida com um médico, que avalia exames, sintomas e acompanha a evolução ao longo do tempo.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico. Antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer tratamento, procure orientação profissional qualificada.









