Quem tem doença renal crônica pode precisar prestar mais atenção à quantidade de proteína consumida. Quando a função dos rins está reduzida, uma ingestão proteica muito elevada pode aumentar a produção de resíduos que precisam ser eliminados pelo organismo e também elevar a carga de filtração renal. Isso não significa, porém, que carnes, ovos, leite ou outras fontes de proteína devam ser cortadas por conta própria. A quantidade adequada depende do estágio da doença, do estado nutricional e de a pessoa fazer ou não diálise.
Por que muita proteína exige mais dos rins?
Depois que as proteínas são digeridas e utilizadas pelo organismo, parte de seus componentes é transformada em resíduos nitrogenados, como a ureia. Os rins participam da retirada dessas substâncias do sangue e da sua eliminação pela urina. Conforme a doença renal crônica avança, essa capacidade de filtração pode diminuir.
Além da produção de resíduos, uma alimentação muito rica em proteínas pode aumentar a pressão dentro dos glomérulos, estruturas microscópicas responsáveis pela filtragem do sangue. Em pessoas com função renal comprometida, esse é um dos motivos pelos quais grandes excessos de proteína não são recomendados.
O que as recomendações atuais dizem sobre a quantidade?
A diretriz KDIGO 2024 para doença renal crônica, disponível no PubMed, sugere uma ingestão em torno de 0,8 g de proteína por quilo de peso corporal ao dia para adultos com doença renal crônica nos estágios G3 a G5. O documento também orienta evitar ingestões elevadas, acima de 1,3 g/kg/dia, em pessoas com risco de progressão da doença.
Esses números não devem ser usados como uma prescrição individual. Idade, peso, presença de diabetes, perda de massa muscular, estágio da doença, quantidade de calorias ingeridas e outros fatores podem mudar a necessidade de cada pessoa.

Por que cortar proteína demais também pode ser perigoso?
Proteína não é apenas algo que gera resíduos para os rins eliminarem. Ela é necessária para manter músculos, tecidos, enzimas, hormônios e diversas funções do organismo. Uma restrição excessiva pode contribuir para perda de massa muscular, fraqueza e desnutrição, principalmente em idosos, pessoas com pouco apetite ou pacientes com doença renal mais avançada.
Por isso, dietas muito pobres em proteína só são utilizadas em situações específicas e com acompanhamento próximo. A própria diretriz KDIGO ressalta que estratégias de restrição mais intensa exigem supervisão profissional e não são apropriadas para todos.
Quem faz diálise precisa seguir a mesma restrição?
Não necessariamente. As necessidades de proteína podem mudar bastante quando o paciente inicia diálise. O procedimento pode provocar perda de aminoácidos e proteínas, fazendo com que alguns pacientes precisem de uma ingestão maior do que aqueles com doença renal crônica que ainda não realizam diálise.
Esse é um dos motivos pelos quais copiar a dieta de outra pessoa com doença renal pode ser inadequado. A orientação pode mudar conforme o tratamento e até ao longo da evolução da doença.

Como ajustar a alimentação com segurança?
O ideal é que o plano alimentar seja elaborado em conjunto pelo nefrologista e pelo nutricionista, levando em consideração os exames e o estado nutricional. Dependendo do caso, também pode ser necessário ajustar sódio, potássio, fósforo e quantidade total de calorias.
Alguns cuidados importantes incluem:
- não aumentar muito a proteína com suplementos sem orientação;
- não retirar carnes, ovos, leite ou leguminosas por conta própria;
- informar ao profissional se estiver usando whey protein ou outros suplementos;
- acompanhar regularmente a função renal e o estado nutricional;
- reavaliar a dieta caso haja perda de peso ou de massa muscular.
A alimentação para quem tem doença renal crônica, portanto, precisa encontrar um equilíbrio: evitar proteína em excesso sem reduzir tanto a ponto de comprometer a nutrição. A quantidade ideal deve ser individualizada e pode mudar conforme a função dos rins e o tratamento.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional. Pessoas com doença renal crônica não devem aumentar ou restringir a ingestão de proteínas sem orientação do nefrologista e do nutricionista.









