A beterraba pode contribuir para uma pequena redução da pressão arterial porque é rica em nitratos naturais, compostos que participam da formação de óxido nítrico no organismo. Essa substância ajuda os vasos sanguíneos a relaxarem e facilita a passagem do sangue. O efeito observado nas pesquisas é modesto e funciona apenas como complemento do tratamento da hipertensão, sem substituir os medicamentos prescritos pelo médico.
Por que a beterraba pode mexer com a pressão arterial?
Depois que a beterraba é consumida, parte do nitrato presente no alimento é convertida em nitrito com a participação das bactérias da boca. Em seguida, esse composto pode dar origem ao óxido nítrico, uma molécula importante para o controle do tônus dos vasos sanguíneos.
Quando há maior disponibilidade de óxido nítrico, a musculatura da parede dos vasos tende a relaxar. Com isso, o sangue encontra menor resistência para circular, mecanismo que ajuda a entender por que a beterraba é estudada como apoio ao controle da pressão alta.
Quanto a beterraba consegue reduzir a pressão?
Os resultados disponíveis indicam uma redução pequena, principalmente na pressão sistólica, que corresponde ao primeiro número mostrado no aparelho. Uma análise de ensaios clínicos publicada em 2024 reuniu 11 estudos com pessoas hipertensas e encontrou redução média de aproximadamente 5,3 mmHg na pressão sistólica medida em consultório com o consumo de suco de beterraba rico em nitrato. Não foi identificada redução significativa da pressão diastólica nem da pressão medida ao longo de 24 horas.
Os próprios pesquisadores destacaram que a certeza dessa evidência ainda é baixa, portanto o resultado deve ser interpretado com cautela. Os detalhes podem ser consultados no estudo disponível no PubMed sobre suco de beterraba e hipertensão.

Isso significa que pessoas com pressão alta devem comer beterraba todos os dias?
Não existe uma quantidade única de beterraba que deva ser adotada por todas as pessoas com hipertensão. Os estudos utilizam principalmente suco de beterraba com quantidade controlada de nitrato, o que não corresponde necessariamente à mesma dose encontrada em uma porção comum do alimento.
A beterraba pode fazer parte de uma alimentação equilibrada em diferentes preparações. Entre as opções estão:
- beterraba crua em saladas;
- beterraba cozida ou assada;
- suco de beterraba sem excesso de açúcar;
- preparações combinadas com outros legumes e verduras.
Além dos nitratos, ela fornece fibras e outros nutrientes. É possível conhecer outras formas de consumo e características nutricionais no conteúdo sobre os benefícios da beterraba.
A beterraba pode substituir o remédio para pressão?
Não. Mesmo quando ocorre redução da pressão, o efeito é pequeno em comparação com o controle necessário para muitas pessoas com hipertensão. Também existe variação individual: algumas pessoas podem apresentar maior resposta aos nitratos da alimentação, enquanto outras praticamente não percebem mudança.
Por isso, consumir beterraba não é motivo para diminuir a dose, interromper ou trocar medicamentos anti-hipertensivos. O controle adequado costuma envolver acompanhamento médico, uso correto dos remédios quando indicados e hábitos como redução do excesso de sal, atividade física, alimentação equilibrada e controle do peso.

Quando é necessário ter mais cuidado?
Pessoas que já usam medicamentos para baixar a pressão e apresentam episódios de tontura, fraqueza ou pressão muito baixa devem conversar com o médico antes de aumentar de forma importante o consumo de produtos concentrados de beterraba ou nitrato. O mesmo cuidado é válido para quem pretende usar suplementos de beterraba em vez do alimento habitual.
Também é importante não avaliar o resultado apenas por uma medição isolada. A pressão varia ao longo do dia e deve ser acompanhada da forma orientada pelo profissional de saúde. A beterraba pode ser mais um elemento de uma rotina favorável à saúde cardiovascular, mas não é um tratamento isolado para hipertensão.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Pessoas com pressão alta devem manter o acompanhamento e não alterar medicamentos ou doses sem orientação profissional.








