Quando o cabelo começa a cair ou perder volume, a genética costuma ser uma das primeiras explicações lembradas. No entanto, alterações da tireoide, deficiência de ferro e mudanças hormonais também podem participar da queda capilar feminina e, em algumas mulheres, mais de um fator pode estar presente ao mesmo tempo. Por isso, identificar o padrão da perda e investigar possíveis causas é importante antes de recorrer apenas a shampoos, suplementos ou tratamentos para crescimento dos fios.
Por que a queda de cabelo feminina pode ter mais de uma causa?
O cabelo passa continuamente por fases de crescimento, repouso e queda. Doenças, deficiências nutricionais, mudanças hormonais e outros acontecimentos capazes de alterar esse ciclo podem fazer uma quantidade maior de fios cair. Já a queda de padrão feminino costuma provocar redução progressiva da densidade, principalmente na região central do couro cabeludo.
Esses quadros não são necessariamente excludentes. Uma mulher com predisposição à queda de padrão feminino também pode desenvolver, por exemplo, eflúvio telógeno após outra alteração no organismo. Por isso, reconhecer as diferentes causas de cabelo caindo muito ajuda a direcionar a avaliação.
Como a tireoide pode interferir no crescimento dos fios?
Os hormônios produzidos pela tireoide participam da regulação do metabolismo e também influenciam o folículo capilar. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem estar associados à queda difusa, na qual os fios parecem cair de diferentes regiões da cabeça em vez de apenas de uma área específica.
Uma revisão disponível no PubMed descreve a relação entre disfunções da tireoide e alterações no ciclo e crescimento do cabelo. Quando a queda aparece junto de sintomas como cansaço, mudanças de peso, pele seca, intolerância ao frio, palpitações ou alterações intestinais, o médico pode considerar a investigação da função tireoidiana. O hipotireoidismo, por exemplo, pode causar manifestações em diferentes partes do organismo além do cabelo.

Ferritina baixa significa que a falta de ferro está causando a queda?
Nem sempre. A ferritina é uma proteína utilizada para avaliar as reservas de ferro do organismo, e níveis baixos indicam estoques reduzidos. Mulheres podem apresentar maior risco de deficiência quando têm menstruações intensas, alimentação com pouco ferro ou outras causas de perda sanguínea.
Uma análise de 36 estudos com mais de 10 mil participantes, publicada em 2022, encontrou níveis de ferritina menores em mulheres com alopecia não cicatricial do que em mulheres sem queda de cabelo. Entretanto, a própria literatura mostra que a relação é complexa e a ferritina baixa não deve ser considerada automaticamente a única causa. Entender o resultado do exame de ferritina exige considerar hemograma, sintomas e outros achados.
Quais alterações hormonais também devem ser consideradas?
Os hormônios sexuais também podem participar de determinados padrões de queda. O excesso de andrógenos merece atenção principalmente quando a perda capilar aparece acompanhada de outros sinais, como:
- menstruação irregular;
- aumento de pelos no rosto ou corpo;
- acne persistente;
- dificuldade para engravidar;
- sinais compatíveis com síndrome dos ovários policísticos.
Um consenso da Androgen Excess and PCOS Society publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism destaca que a queda de padrão feminino isolada não deve ser considerada sinal de excesso de andrógenos quando os níveis hormonais estão normais. A avaliação precisa considerar o conjunto dos sintomas.

Quais exames podem ajudar a encontrar a causa?
Não existe um pacote de exames adequado para todas as mulheres. O dermatologista avalia como a queda começou, quais regiões estão afetadas, a velocidade de progressão, histórico familiar, medicamentos, alimentação, menstruação e outros sintomas. Conforme a suspeita, podem ser solicitados hemograma, ferritina, TSH e hormônios tireoidianos, além de exames hormonais específicos.
Investigar antes de tratar evita corrigir uma alteração que não está presente e deixar outra causa sem diagnóstico. Tomar ferro, biotina ou outros suplementos sem deficiência comprovada, por exemplo, não é uma estratégia adequada para toda queda capilar. Queda intensa, persistente, aparecimento de falhas, coceira importante ou alterações no couro cabeludo devem ser avaliados por um dermatologista. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica.








