Entre as diferentes formas de magnésio, o magnésio L-treonato é o que mais tem sido estudado pela capacidade de aumentar a disponibilidade do mineral no cérebro. Pesquisas experimentais e alguns pequenos ensaios clínicos encontraram resultados promissores para memória e outras funções cognitivas, inclusive em pessoas entre 50 e 70 anos. Isso, porém, ainda não significa que o suplemento consiga prevenir o declínio cognitivo, Alzheimer ou outras demências.
Por que o magnésio L-treonato chama atenção para o cérebro?
O magnésio participa da comunicação entre os neurônios, da atividade de receptores envolvidos no aprendizado e da plasticidade sináptica, capacidade que permite ao cérebro modificar suas conexões. O L-treonato foi desenvolvido justamente com o objetivo de aumentar a disponibilidade de magnésio no sistema nervoso.
Um trabalho experimental publicado na revista Neuron mostrou que o magnésio L-treonato aumentou os níveis de magnésio cerebral e melhorou medidas de aprendizado e memória em animais, inclusive em ratos mais velhos. Esses resultados ajudaram a despertar o interesse pela substância, mas estudos em animais não garantem que os mesmos efeitos ocorram em seres humanos.
O que foi observado em pessoas com mais de 50 anos?
Há evidência clínica inicial, mas ela ainda é limitada. Um ensaio randomizado e controlado publicado em 2016 acompanhou adultos de 50 a 70 anos com comprometimento cognitivo. Depois de 12 semanas, o grupo que recebeu uma formulação contendo magnésio L-treonato apresentou melhora em um conjunto de testes cognitivos em comparação ao placebo.
O estudo, disponível no PubMed, avaliou apenas 44 participantes que completaram o tratamento. Por isso, apesar do resultado favorável, ele não é suficiente para afirmar que o L-treonato preserva a cognição a longo prazo ou impede doenças neurodegenerativas. Estudos maiores e independentes ainda são necessários.

Isso significa que é o melhor magnésio para a memória?
Não é possível fazer essa afirmação com segurança. Citrato, bisglicinato, dimalato e outras formas são utilizadas principalmente para fornecer magnésio ao organismo, mas não possuem a mesma quantidade de estudos direcionados à disponibilidade cerebral e cognição que o L-treonato.
Ao mesmo tempo, ter mais pesquisas nessa área não transforma o L-treonato em um tratamento comprovado para perda de memória. O Tua Saúde explica as diferenças entre o magnésio treonato e outros tipos de suplemento de magnésio. A necessidade de suplementação depende da alimentação, condições de saúde, medicamentos utilizados e presença ou não de deficiência do mineral.
Existe algum cuidado especial com o L-treonato no Brasil?
Sim. Essa informação é particularmente importante para quem encontra o produto à venda pela internet. Em junho de 2026, a Anvisa informou que o magnésio treonato não possui autorização para uso como ingrediente de suplemento alimentar no Brasil e determinou o recolhimento de um produto que utilizava esse composto.
Além disso, suplementos de magnésio exigem atenção em pessoas com comprometimento da função renal, porque os rins participam da eliminação do excesso do mineral. Tomar doses elevadas por conta própria não significa obter maior benefício para o cérebro e pode aumentar o risco de efeitos adversos.

O que realmente ajuda a preservar a função cognitiva depois dos 50?
O magnésio é necessário para o funcionamento normal do organismo e pode ser obtido naturalmente em alimentos como folhas verdes, feijão, castanhas, sementes e cereais integrais. Para a saúde cerebral, entretanto, não existe um único nutriente capaz de substituir um conjunto de hábitos.
Atividade física regular, alimentação equilibrada, sono adequado, controle da pressão arterial, diabetes e colesterol, estímulo intelectual e convívio social continuam fazendo parte dos cuidados importantes ao longo do envelhecimento. Se esquecimentos estiverem se tornando frequentes, interferirem nas tarefas habituais ou vierem acompanhados de outras alterações cognitivas, a avaliação médica é mais importante do que iniciar um suplemento por conta própria.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional. Suplementos de magnésio não devem ser usados para prevenir ou tratar declínio cognitivo sem orientação profissional.








