Quem tem a pressão arterial alta costuma ouvir sempre o mesmo conselho: tirar o saleiro da mesa. A orientação está certa, mas resolve só metade do problema. O equilíbrio entre sódio e potássio no organismo pesa tanto quanto a quantidade de sal consumida. E o cardápio brasileiro erra dos dois lados, com muito ultraprocessado e pouca fruta, verdura e leguminosa no prato.
Por que só tirar o sal não basta para a pressão arterial?
O sódio retém água na corrente sanguínea e aumenta o volume que o coração precisa bombear. O potássio age no sentido oposto. Ele ajuda os rins a eliminar sódio pela urina e relaxa a parede dos vasos. A Organização Mundial da Saúde recomenda menos de 5 g de sal por dia, mas o consumo médio no Brasil passa de 9 g.
A meta da OMS para potássio é de pelo menos 3.510 mg diários, e pouca gente chega perto disso. Quem corta o sal e continua comendo pouco feijão, pouca banana e poucas folhas melhora só um lado da balança. Por isso as pesquisas medem a relação entre sódio e potássio na urina, já que o total de sódio sozinho não mostra esse desequilíbrio.
O que a ciência mostra sobre trocar sódio por potássio?
Uma meta-análise publicada em 2022 reuniu ensaios randomizados com substitutos do sal. Nesses produtos, parte do cloreto de sódio é trocada por cloreto de potássio. Os pesquisadores observaram queda da pressão sistólica e diastólica entre quem usou esses sais modificados. Alguns desfechos também apontaram menos eventos cardiovasculares e menor mortalidade.
O resultado reforça uma ideia simples. O benefício não vem só de retirar sódio, vem também de colocar potássio no lugar dele. Na prática, o substituto mantém o gosto salgado do arroz e do feijão, reduz a carga de sódio e aumenta a ingestão do mineral que protege os vasos.

Onde encontrar potássio sem depender de suplemento?
A maior parte do potássio da alimentação vem de alimentos in natura ou minimamente processados. Algumas fontes fáceis de encaixar na rotina:
- Feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico, base do almoço brasileiro
- Banana, abacate, mamão, melão e laranja
- Batata, batata-doce, mandioca e abóbora
- Folhas verde-escuras como espinafre e couve, além da beterraba
- Iogurte natural e leite, que também fornecem cálcio
- Água de coco e castanhas em pequenas porções
O modo de preparo também conta. Cozinhar legumes em muita água faz parte do potássio passar para o caldo. Preparar no vapor, assar com casca ou aproveitar o caldo em sopas preserva mais o mineral.
Como a dieta DASH junta as duas estratégias?
A dieta DASH tem um nome em inglês que significa abordagens alimentares para conter a hipertensão. Ela foi criada justamente para baixar a pressão pelo cardápio. O padrão combina menos sódio com mais frutas, hortaliças, laticínios magros, oleaginosas e grãos integrais, e com isso aumenta a oferta de potássio, magnésio e cálcio. Antes de mudar a lista do mercado, ajuda conhecer como montar o cardápio DASH com porções e exemplos de refeições.
Uma análise complementar publicada em 2024 apontou que a versão da dieta DASH com restrição de sódio reduziu a pressão na maioria dos ensaios. O efeito foi mais consistente quando os participantes recebiam as refeições prontas. Isso indica que o maior obstáculo é manter o padrão em casa, entre o supermercado e o fogão, e não a falta de eficácia da dieta.
Quem deve ter cautela ao aumentar o mineral?
Para quem tem os rins saudáveis, o potássio vindo da comida é seguro. O cuidado muda em alguns grupos, que precisam de orientação individual antes de mudar a dieta ou usar sal modificado:
- Pessoas com doença renal crônica, que eliminam menos potássio
- Quem toma diuréticos poupadores de potássio, como a espironolactona
- Pacientes em uso de enalapril, losartana e remédios da mesma família
- Pessoas com diabetes e função renal alterada
Nesses casos, o acúmulo do mineral pode causar hipercalemia, uma alteração capaz de mexer no ritmo cardíaco. O sal light à base de cloreto de potássio também entra nesse alerta e não deve ser usado por esses grupos sem acompanhamento.
Por onde começar a mudança no prato?
Um primeiro passo realista é trocar um ultraprocessado por dia por uma fruta ou uma concha de feijão. Também vale temperar com alho, cebola, limão e ervas no lugar do caldo em cubo, que concentra sódio. Assim os dois lados mudam juntos: entra menos sódio e entra mais potássio para ajudar os rins e os vasos a manter a pressão arterial estável, como prevê a lógica da dieta DASH.
Este material tem finalidade apenas informativa e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um médico ou nutricionista. Se você tem hipertensão, usa medicamentos ou tem dúvidas sobre sua alimentação, procure orientação profissional.









