A castanha-do-pará virou presença fixa no lanche de muita gente que busca uma alimentação mais rica em nutrientes. Essa oleaginosa amazônica é a fonte natural mais concentrada de selênio, um mineral antioxidante ligado ao metabolismo, à imunidade e ao funcionamento da tireoide. Como uma única unidade pode cobrir a necessidade diária de um adulto, a porção exige mais atenção do que a de outros alimentos.
Quantas castanhas-do-pará comer por dia?
Para adultos saudáveis, a orientação mais segura é de uma a duas unidades por dia. A necessidade diária de selênio fica em torno de 55 microgramas, e cada castanha costuma fornecer entre 50 e 100 µg. Esse teor varia bastante conforme o solo da região onde a árvore cresceu. Por isso, duas unidades vindas de lotes diferentes podem ter quantidades bem distintas do mineral.
Alguns cuidados ajudam a ajustar a porção ao seu perfil:
- Adultos sem restrições: 1 a 2 unidades diárias, sem ultrapassar essa quantidade de forma contínua.
- Crianças: porções menores, definidas com o pediatra, porque a necessidade infantil é bem mais baixa.
- Quem já toma suplemento ou multivitamínico com selênio: conversar com o nutricionista antes de somar a castanha.
- Quem gosta de variedade: alternar com nozes, amêndoas ou castanha-de-caju em alguns dias da semana.
O que acontece com o selênio no organismo após semanas de consumo?
Uma meta-análise de ensaios clínicos randomizados, publicada em 2022, reuniu os principais testes feitos com a oleaginosa. Os pesquisadores observaram um aumento expressivo do selênio no sangue de quem incluiu a castanha na dieta. Os participantes também tiveram melhora em marcadores antioxidantes, ligados à proteção das células contra o estresse oxidativo.
O efeito sobre as gorduras do sangue, porém, não se confirmou. Os dados não mostraram mudança consistente no colesterol total, no HDL ou no LDL. O ganho mais claro do consumo diário está na reposição do mineral e no reforço das defesas antioxidantes. A castanha não substitui a dieta ou os medicamentos indicados para quem tem colesterol alto.

Por que a tireoide depende tanto desse mineral?
A tireoide é o órgão com maior concentração de selênio por grama de tecido no corpo humano. O mineral faz parte das deiodinases, enzimas que convertem o T4, hormônio de reserva, em T3, a forma ativa. É o T3 que regula o gasto de energia, a temperatura corporal e o ritmo dos batimentos cardíacos.
O selênio também compõe a glutationa peroxidase, enzima que protege a glândula do peróxido de hidrogênio gerado durante a produção hormonal. Por isso, pacientes com tireoidite de Hashimoto costumam ouvir falar da castanha nas consultas. Ainda assim, ela não substitui a levotiroxina nem o acompanhamento com endocrinologista. Quem quer conhecer outros efeitos do alimento encontra um resumo sobre os benefícios da castanha-do-pará, com nutrientes e formas de consumo.
Quais são os sinais de excesso de selênio?
O problema aparece quando o punhado cresce. Uma análise complementar, conduzida em 2023 pela autoridade europeia de segurança alimentar, apontou que consumidores frequentes podem ultrapassar o limite seguro. A explicação está na enorme variação de selênio entre uma unidade e outra. O limite máximo tolerável definido nesse parecer é de 255 µg por dia para adultos, valor que poucas castanhas já podem atingir.
O excesso de selênio, chamado selenose, se instala aos poucos e costuma dar sinais como:
- Hálito com cheiro de alho e gosto metálico na boca.
- Queda de cabelo e unhas frágeis, manchadas ou quebradiças.
- Irritação e lesões na pele.
- Náuseas, diarreia, cansaço e irritabilidade.
Uma ou duas unidades bastam para a rotina
A castanha-do-pará funciona melhor como fonte concentrada de micronutriente do que como petisco à vontade. Uma unidade picada sobre frutas, iogurte ou aveia no café da manhã já supre a necessidade diária de selênio. Quem tem doença na tireoide, segue dieta vegana ou toma suplementos pode pedir um exame de selênio sérico para que o nutricionista ajuste a porção com base no resultado.
As informações deste texto são educativas e não substituem a avaliação de um médico ou nutricionista. Se você notar sintomas, tiver alterações na tireoide ou dúvidas sobre suplementação, busque orientação profissional.









