Com a chegada da primavera, o aumento da concentração de pólen no ar somado à circulação de poeira e ácaros nos ambientes fechados intensifica as crises de rinite alérgica. Espirros em série, coriza, nariz entupido e coceira nos olhos passam a incomodar milhões de brasileiros nessa época do ano, especialmente quem já convive com alergias respiratórias. A boa notícia é que ajustes simples na rotina de limpeza, na ventilação e no cuidado com as roupas de cama fazem grande diferença no controle dos sintomas.
Por que a primavera piora os sintomas da rinite?
A primavera é marcada pela floração de gramíneas, árvores e plantas ornamentais, que liberam grande quantidade de pólen no ar. Ao serem inaladas, essas partículas desencadeiam uma resposta imunológica exagerada nas pessoas sensíveis, causando inflamação da mucosa nasal.
Nesse período também é comum a variação brusca de temperatura e umidade, o que favorece a proliferação de ácaros e fungos dentro de casa. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), esses fatores combinados explicam o aumento das crises de rinite alérgica nessa estação do ano.
Como o pólen e os ácaros desencadeiam as crises?
O pólen atua como um alérgeno inalado, entrando em contato com a mucosa nasal e sendo reconhecido pelo sistema imune como uma ameaça. Isso leva à liberação de histamina, substância responsável pelos espirros, coriza e coceira típicos das crises.
Já os ácaros da poeira doméstica, principalmente das espécies Dermatophagoides, se alojam em colchões, travesseiros, tapetes e cortinas. Suas partículas fecais e fragmentos corporais são altamente alergênicos e podem desencadear sintomas persistentes, muitas vezes confundidos com uma sinusite alérgica.

O que diz um estudo científico sobre pólen e ácaros na rinite?
As evidências sobre o impacto desses alérgenos vêm sendo reunidas em revisões sistemáticas publicadas em periódicos especializados, o que ajuda a orientar as recomendações de manejo domiciliar e tratamento clínico.
Segundo a revisão sistemática House Dust Mite and Grass Pollen Allergen Extracts for Seasonal Allergic Rhinitis Treatment, publicada no periódico Cureus, o pólen de gramíneas e os ácaros da poeira doméstica estão entre os principais desencadeadores de rinite alérgica sazonal e perene. A análise reuniu nove ensaios clínicos randomizados e reforça a importância tanto do controle ambiental quanto do tratamento adequado para reduzir a frequência e a intensidade dos sintomas.
Quais cuidados dentro de casa ajudam a reduzir os sintomas?
Adotar medidas simples de higiene e ventilação pode diminuir de forma significativa a exposição a alérgenos e melhorar a qualidade de vida. Confira as principais recomendações:
- Manter janelas fechadas nos horários de maior concentração de pólen, geralmente pela manhã
- Usar aspirador de pó com filtro HEPA, em vez de vassoura, que apenas suspende as partículas no ar
- Passar pano úmido em superfícies com frequência para remover poeira e ácaros
- Reduzir tapetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia nos quartos, principais reservatórios de ácaros
- Controlar a umidade do ambiente entre 40% e 60%, faixa que dificulta a proliferação de ácaros e fungos
- Ventilar a casa nos períodos de menor concentração de pólen, geralmente ao entardecer
Para casos persistentes, algumas medidas de tratamento natural para rinite alérgica, como a lavagem nasal com soro fisiológico, também podem complementar as orientações do médico.

Como cuidar das roupas de cama para evitar crises?
O quarto costuma ser o ambiente com maior concentração de ácaros, e a rotina de higienização faz diferença direta na intensidade dos sintomas. Veja os principais cuidados:
- Lavar lençóis, fronhas e cobertores semanalmente com água quente, acima de 55°C, para eliminar ácaros
- Usar capas antiácaro em colchões, travesseiros e edredons, trocando-as periodicamente
- Expor colchões e travesseiros ao sol sempre que possível, para reduzir umidade e ácaros
- Trocar travesseiros a cada 1 a 2 anos, já que acumulam pele descamada e alérgenos ao longo do tempo
- Evitar guardar roupas de cama em armários abafados ou úmidos, preferindo locais arejados
- Manter animais de estimação fora do quarto, principalmente da cama, para reduzir a exposição a pelos e caspa
Se os sintomas forem frequentes, intensos ou não melhorarem com os cuidados ambientais, é fundamental buscar avaliação com médico alergologista ou otorrinolaringologista. O profissional poderá identificar os alérgenos envolvidos por meio de testes específicos e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico de sua confiança em caso de sintomas persistentes ou piora do quadro respiratório.








