Diarreia recorrente, barriga inchada e anemia sem causa evidente podem ser mais do que sensibilidade intestinal ou alimentação desregulada. Em algumas pessoas, esse conjunto de sinais aponta para doença celíaca, uma condição autoimune em que o glúten provoca inflamação e lesões no intestino delgado.
Por que pode ser doença celíaca
Na doença celíaca, o contato com glúten, proteína presente no trigo, centeio e cevada, ativa uma resposta imunológica que prejudica a absorção de nutrientes. Isso pode levar a diarreia, gases, dor abdominal, perda de peso e deficiência de ferro.
De acordo com a MedlinePlus, do NIH, a doença celíaca pode causar sintomas digestivos, anemia, cansaço, dor óssea, erupções na pele e atraso de crescimento em crianças.
O que o estudo científico mostrou
Segundo a revisão sistemática e metanálise Prevalence of Celiac Disease in Patients with Iron Deficiency Anemia, publicada na revista Gastroenterology, cerca de 1 em cada 31 pacientes com anemia por deficiência de ferro tinha evidência histológica de doença celíaca.
Esse achado reforça que a anemia sem explicação clara não deve ser tratada apenas com ferro repetidamente, sem investigar a causa. Quando o intestino está inflamado, a absorção pode continuar prejudicada enquanto o glúten permanece na dieta.

Sinais que merecem investigação
Os sintomas podem variar muito e nem sempre aparecem todos juntos. A suspeita aumenta quando queixas digestivas se misturam a sinais de má absorção de nutrientes.
- diarreia recorrente ou fezes volumosas e com mau cheiro;
- inchaço abdominal, gases e cólicas frequentes;
- anemia por falta de ferro sem causa definida;
- cansaço, tontura ou palidez persistente;
- perda de peso ou dificuldade para ganhar peso;
- aftas, dor óssea ou manchas na pele com coceira.
Quem tem maior risco
A doença celíaca pode surgir em qualquer idade, inclusive em adultos que passaram anos com sintomas leves. Alguns grupos, porém, precisam de atenção maior.
- parentes de primeiro grau de pessoas com doença celíaca;
- pessoas com diabetes tipo 1;
- quem tem doença autoimune da tireoide;
- pessoas com síndrome de Down ou síndrome de Turner;
- pacientes com infertilidade, osteopenia ou osteoporose sem causa clara;
- crianças com baixa estatura ou atraso no crescimento.

Como confirmar e tratar
O diagnóstico costuma começar com exames de sangue para anticorpos específicos, como anti-transglutaminase tecidual IgA, além da dosagem de IgA total. Em muitos casos, a confirmação exige endoscopia com biópsia do intestino delgado.
Um cuidado importante é não retirar o glúten antes dos exames, pois isso pode alterar os resultados e dificultar o diagnóstico. Para entender melhor sintomas, exames e dieta, veja também o conteúdo do Tua Saúde sobre doença celíaca. O tratamento é uma dieta sem glúten rigorosa e acompanhada por médico e nutricionista.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, que deve orientar o diagnóstico e o tratamento mais adequado para cada pessoa.









