Cada vez mais presentes no ambiente, os micro e nanoplásticos vêm despertando a atenção de pesquisadores por sua possível relação com doenças cardiovasculares. Um estudo recente detectou concentrações mais altas dessas partículas na circulação coronária de pacientes que sofreram infarto agudo do miocárdio, em comparação com pessoas sem doença cardíaca. O achado reforça a hipótese de que a exposição ambiental a plásticos e à poluição do ar pode se somar a fatores clássicos, como tabagismo, colesterol elevado e sedentarismo, no risco de infarto.
O que são micro e nanoplásticos?
Micro e nanoplásticos são fragmentos minúsculos, muitas vezes invisíveis a olho nu, gerados pela degradação de embalagens, tecidos sintéticos, pneus e diversos produtos industriais. Eles estão presentes na água, nos alimentos, no ar e até em poeiras domésticas.
Por causa do tamanho reduzido, essas partículas podem ser inaladas ou ingeridas e chegar à corrente sanguínea, atingindo órgãos como coração, cérebro, fígado e rins, o que preocupa pesquisadores em todo o mundo.
Como os plásticos podem afetar o coração?
Ao chegarem ao sangue, essas partículas parecem contribuir para inflamação persistente das paredes das artérias, estresse oxidativo e disfunção do endotélio, camada interna dos vasos. Esses processos favorecem o desenvolvimento de aterosclerose.
Quando somados ao tabagismo, à poluição do ar e à hipertensão, esses efeitos podem aumentar o risco de isquemia cardíaca e de eventos graves, como o infarto agudo do miocárdio, especialmente em pessoas já expostas a outros fatores de risco.

O que diz o estudo sobre plásticos e infarto?
Os achados foram publicados em uma pesquisa internacional recente com foco em doença coronária. Segundo o estudo Micro- and nano-plastics in the coronary circulation and air pollution exposure in ischaemic heart disease presentation, publicado na revista European Heart Journal, foram avaliados 61 pacientes submetidos a cateterismo, sendo que aqueles com infarto do miocárdio apresentaram detecção dessas partículas em 84% dos casos, contra 40% dos pacientes com doença coronária crônica e 32% dos que tinham artérias normais.
Os autores observaram ainda que fumantes e pessoas expostas a maiores níveis de poluição por partículas finas (PM2,5) tiveram mais chance de apresentar essas partículas no sangue, com correlação com marcadores inflamatórios como interleucina-6 e TNF-alfa. Ainda assim, o estudo não prova relação de causa, e outros pesquisadores apontam limitações metodológicas importantes.
Quais fatores de risco continuam sendo os principais?
Enquanto novas evidências sobre plásticos são investigadas, os fatores de risco clássicos seguem sendo os mais determinantes para o infarto e devem receber atenção prioritária. Entre eles se destacam:
- Tabagismo, um dos principais fatores modificáveis associados a infarto e a maior exposição a partículas nocivas.
- Hipertensão arterial não controlada, que sobrecarrega o coração e favorece lesões nos vasos.
- Colesterol LDL elevado, principal componente das placas de aterosclerose.
- Diabetes tipo 2 e resistência à insulina, que aceleram o dano vascular.
- Obesidade e sedentarismo, associados a inflamação crônica de baixo grau.
- Estresse crônico e má qualidade do sono, que aumentam a atividade inflamatória e a pressão arterial.
- Exposição prolongada à poluição do ar, especialmente em grandes centros urbanos.

Como reduzir a exposição a plásticos e proteger o coração?
Ainda que a ciência precise de mais estudos para confirmar o papel dos plásticos no infarto agudo do miocárdio, algumas medidas simples ajudam a reduzir a exposição no dia a dia. Entre elas estão:
- Evitar aquecer alimentos em recipientes plásticos, especialmente em micro-ondas, dando preferência a vidro e cerâmica.
- Reduzir o consumo de água em garrafas plásticas descartáveis, optando por garrafas reutilizáveis de aço inox ou vidro.
- Ventilar bem os ambientes e limpar poeiras com frequência para diminuir partículas suspensas no ar.
- Priorizar alimentos frescos e minimamente processados, reduzindo o contato com embalagens.
- Evitar o tabagismo e a exposição passiva à fumaça, fator diretamente associado a infarto e a maior carga de partículas.
- Manter check-ups regulares para controlar pressão, colesterol e glicemia.
Diante de sintomas como dor no peito, falta de ar, suor frio ou dor irradiada para o braço esquerdo, é fundamental procurar atendimento médico de urgência imediatamente. Para prevenção e avaliação das causas de infarto, o acompanhamento com cardiologista é essencial, sobretudo em pessoas com fatores de risco cardiovascular.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









