A proteína TDP-43 tem ganhado destaque nos estudos sobre doenças neurodegenerativas nos últimos anos. Seu acúmulo dentro dos neurônios está diretamente ligado à esclerose lateral amiotrófica, a ELA, e a uma forma de demência recém-classificada em idosos, chamada LATE. Diferente das placas típicas do Alzheimer, essa proteinopatia envolve alterações que ocorrem em áreas específicas do cérebro e da medula espinhal, ajudando a explicar por que muitos idosos apresentam declínio cognitivo mesmo sem sinais clássicos de Alzheimer.
O que é a proteína TDP-43?
A TDP-43 é uma proteína naturalmente presente no núcleo das células nervosas, onde participa da regulação da produção de outras proteínas essenciais para o funcionamento dos neurônios. Em condições normais, ela permanece confinada ao núcleo celular.
Quando essa proteína se desloca para o citoplasma e forma agregados anormais, o funcionamento do neurônio é comprometido. Esse acúmulo tem sido associado a diferentes doenças neurológicas, com destaque para a ELA e a LATE em idosos.
Como a TDP-43 contribui para a ELA?
Na esclerose lateral amiotrófica, os agregados anormais de TDP-43 aparecem nos neurônios motores do cérebro e da medula espinhal. Essa alteração está presente em cerca de 97% dos casos e é considerada uma das principais marcas biológicas da doença.
Com o tempo, os neurônios motores afetados perdem a capacidade de enviar sinais aos músculos, o que provoca fraqueza progressiva. Entender melhor os primeiros sintomas de esclerose lateral amiotrófica pode ajudar no diagnóstico precoce e no início do acompanhamento multidisciplinar.

O que é a LATE e como se diferencia do Alzheimer?
A LATE, sigla para encefalopatia límbica associada à idade relacionada à TDP-43, foi classificada em 2019 e descreve um quadro de demência comum em idosos acima dos 80 anos. Ela se caracteriza pelo acúmulo de TDP-43 em áreas como o hipocampo e a amígdala, envolvidas na memória e nas emoções.
Diferente do Alzheimer, que envolve principalmente as proteínas beta-amiloide e tau, a LATE tem outra base biológica, mas pode causar sintomas parecidos e coexistir com o Alzheimer no mesmo paciente. Algumas diferenças que ajudam a distingui-los aparecem a seguir:
- Idade de início, geralmente após os 80 anos na LATE
- Progressão mais lenta em comparação com o Alzheimer clássico
- Predomínio de perda de memória recente, sem grandes alterações comportamentais no início
- Menor comprometimento de linguagem e função executiva nas fases iniciais
- Diagnóstico definitivo apenas por exame do tecido cerebral, feito após o falecimento
- Frequente coexistência com Alzheimer, o que dificulta a diferenciação clínica
Reconhecer esse quadro é importante porque muitos casos rotulados como Alzheimer podem, na verdade, envolver a LATE de forma isolada ou associada, o que altera a compreensão sobre o declínio cognitivo em idosos muito longevos.
O que os estudos científicos revelam sobre a LATE?
A classificação oficial da doença é recente e foi resultado do trabalho de um grupo internacional de pesquisadores em neuropatologia. Segundo o estudo Limbic-predominant age-related TDP-43 encephalopathy consensus working group report, publicado na revista Brain da Oxford University Press, a proteinopatia por TDP-43 associada à idade é uma condição frequente em pessoas acima dos 80 anos e contribui de forma significativa para a perda de memória atribuída anteriormente apenas ao Alzheimer.
O consenso propôs critérios de estadiamento neuropatológico e ressaltou que a LATE deve ser considerada uma entidade distinta, com implicações importantes para pesquisas futuras sobre tratamento e diagnóstico de demências em idosos.

Como o diagnóstico e o acompanhamento são feitos?
Como a confirmação definitiva da LATE ainda depende de análise do tecido cerebral, o diagnóstico em vida é considerado provável a partir de critérios clínicos e de exclusão. Alguns aspectos ajudam a orientar essa avaliação:
- Idade avançada, geralmente acima de 80 anos, com perda de memória progressiva
- Ressonância magnética, que pode mostrar atrofia do hipocampo
- Avaliação neuropsicológica, para caracterizar o padrão de comprometimento cognitivo
- Exclusão de outras causas, como Alzheimer típico e doenças vasculares cerebrais
- Uso de biomarcadores, ainda em desenvolvimento em centros de pesquisa
Em qualquer suspeita de declínio cognitivo persistente, o acompanhamento com neurologista ou geriatra é essencial, especialmente porque a avaliação individualizada permite diferenciar as diversas causas de demência e orientar cuidados que preservem a qualidade de vida.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um neurologista ou médico de sua confiança.









