O coração é o órgão que mais trabalha no corpo e, por isso, depende de um suprimento constante de energia e de um sistema de defesa eficiente contra o desgaste celular. Dois nutrientes vêm ganhando destaque nos consultórios de cardiologia pela ação combinada nesse cenário: a coenzima Q10, substância produzida pelo próprio organismo, e o selênio, mineral obtido pela alimentação. Os dois atuam de forma complementar contra o estresse oxidativo e na produção de energia das células do coração, e a combinação tem sido investigada como uma estratégia adicional para reduzir riscos cardiovasculares em grupos específicos.
Qual o papel da coenzima Q10 no coração?
A coenzima Q10, também chamada de ubiquinona, está presente em todas as células e participa diretamente da produção de energia nas mitocôndrias. O músculo cardíaco, por trabalhar sem parar, é um dos tecidos com maior concentração dessa substância.
A produção natural de coenzima Q10 diminui com o envelhecimento e também em pessoas que usam medicamentos para reduzir o colesterol, como as estatinas. Essa queda pode comprometer parte do funcionamento celular do coração, especialmente em idosos.
Por que o selênio é importante para o sistema cardiovascular?
O selênio é um mineral essencial para o funcionamento de várias enzimas antioxidantes, que protegem as células do coração contra o excesso de radicais livres. Ele também participa da resposta inflamatória e do bom funcionamento da tireoide.
Em regiões com solo pobre em selênio, como boa parte da Europa, a ingestão pela alimentação tende a ser insuficiente, o que pode favorecer o estresse oxidativo e influenciar o risco de doenças cardiovasculares ao longo do tempo.
O que mostra o estudo publicado no International Journal of Cardiology
O efeito conjunto desses dois nutrientes foi avaliado em um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com avaliação por pares. Segundo o estudo Mortalidade cardiovascular e N-terminal-proBNP reduzidos após suplementação combinada de selênio e coenzima Q10: um estudo prospectivo, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo com duração de 5 anos, realizado com idosos suecos, idosos suecos saudáveis que receberam 200 mcg de selênio e 200 mg de coenzima Q10 por dia durante cerca de cinco anos apresentaram menor mortalidade cardiovascular e melhora em um marcador importante de função do coração (NT-proBNP) em comparação ao grupo placebo. O estudo, conhecido como KiSel-10, é uma das principais referências mundiais sobre o tema.

Quais alimentos oferecem esses nutrientes
Antes de pensar em suplementação, vale conhecer as principais fontes alimentares. Incluir esses alimentos na rotina já oferece um bom aporte para a maior parte dos adultos saudáveis.
- Fontes de selênio: castanha-do-pará (a mais rica, com 1 a 2 unidades por dia já fornecendo o necessário), peixes, frutos do mar, ovos, carnes magras, sementes de girassol e cereais integrais.
- Fontes de coenzima Q10: peixes gordurosos (sardinha, salmão, atum), carnes magras (especialmente vísceras, em pequena quantidade), oleaginosas, espinafre, brócolis, couve-flor e óleo de soja.
- Combinações práticas: salada de folhas verdes com sardinha e castanha-do-pará picada; ovo cozido com cereais integrais; salmão com brócolis e arroz integral.
- Atenção: a castanha-do-pará é muito rica em selênio, e o consumo deve ser moderado, em geral 1 unidade por dia, para evitar excesso.
Quem pode se beneficiar da suplementação?
A suplementação não é regra para todos e deve ser sempre individualizada por um médico ou nutricionista. Alguns perfis costumam ser estudados como potenciais beneficiados em pesquisas cardiológicas, especialmente quando há baixa ingestão alimentar ou queda fisiológica desses nutrientes.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um médico ou profissional de saúde qualificado.









