O exame Alzheimer feito no sangue está se aproximando da rotina clínica porque pode indicar, com alta precisão, sinais biológicos da doença em pessoas com queixa de memória. A novidade não substitui a avaliação médica completa, mas pode reduzir atrasos, evitar exames mais invasivos e ajudar o clínico geral a decidir quem precisa de investigação especializada.
O que o exame mede
O teste avalia no plasma a proteína p-tau217, um marcador ligado às alterações típicas do Alzheimer no cérebro. No estudo, ela foi medida em uma plataforma automatizada, pensada para uso em laboratórios clínicos comuns.
A ideia é identificar a probabilidade de patologia de Alzheimer em pessoas que já apresentam sintomas cognitivos, como esquecimentos persistentes, dificuldade para organizar tarefas ou piora recente da memória.

O estudo científico em 1.767 pessoas
Segundo o estudo Plasma phospho-tau217 for Alzheimer’s disease diagnosis in primary and secondary care using a fully automated platform, publicado na Nature Medicine, foram avaliados 1.767 participantes com sintomas cognitivos em centros da Suécia, Espanha e Itália.
A pesquisa incluiu 1.219 pessoas em serviços especializados e 548 na atenção primária. O exame de sangue foi comparado com marcadores do líquido cefalorraquidiano, usados como referência para confirmar alterações compatíveis com Alzheimer.
Qual foi a precisão
O desempenho foi alto, especialmente quando os resultados foram classificados com pontos de corte definidos. Na atenção primária, o exame teve 85% de acurácia, com valor preditivo positivo de 82% e negativo de 88%.
- Em serviços especializados, a acurácia ficou entre 89% e 91%;
- A capacidade de detectar patologia de Alzheimer teve AUC entre 0,93 e 0,96;
- Com dois pontos de corte, a acurácia subiu para 92% a 94%;
- Esse modelo deixou de classificar cerca de 12% a 17% dos casos intermediários.
Quem pode se beneficiar
O maior benefício pode estar em pessoas com sintomas iniciais, quando ainda há dúvida entre Alzheimer, envelhecimento normal, depressão, efeitos de remédios, distúrbios do sono ou outras causas de perda de memória.
- Pessoas com queixa de memória persistente;
- Pacientes com comprometimento cognitivo leve;
- Casos em que o clínico geral precisa decidir sobre encaminhamento;
- Situações em que exames como PET ou punção lombar são pouco acessíveis.

O que ainda exige cautela
O exame não deve ser usado como teste isolado em pessoas sem sintomas, nem como diagnóstico definitivo fora do contexto clínico. Em participantes com 80 anos ou mais, a acurácia foi menor, o que reforça a necessidade de interpretação cuidadosa.
Também é importante lembrar que perda de memória não significa sempre Alzheimer. Para entender melhor sinais, evolução e avaliação médica, veja o conteúdo sobre Alzheimer. O exame de sangue pode acelerar a investigação, mas a decisão final deve considerar sintomas, histórico, testes cognitivos e avaliação especializada quando necessário.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a orientação de um médico.









