A partir dos 45 anos, é comum que o corpo feminino entre em um período de transição chamado climatério, marcado pela queda gradual do estrogênio e pela aproximação da menopausa. Essa redução hormonal natural pode trazer ondas de calor, alterações de humor, ressecamento vaginal e impactos no sono. Reconhecer cedo esses sinais ajuda a diferenciar mudanças esperadas de sintomas que merecem tratamento. Em alguns casos, a reposição hormonal é indicada, mas a decisão precisa seguir critérios médicos específicos, conforme as orientações da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
Por que o estrogênio começa a cair depois dos 45 anos
A queda do estrogênio acontece porque os ovários reduzem progressivamente sua atividade ao longo dos anos, processo natural do envelhecimento reprodutivo. Essa diminuição não ocorre de forma brusca, mas em ondas, com períodos de oscilação que antecedem a última menstruação.
Em geral, a menopausa se manifesta entre os 45 e 55 anos, marcando o fim da fase reprodutiva. Antes dela, o climatério já provoca alterações importantes no corpo, mesmo quando os ciclos menstruais ainda estão presentes.
Quais sintomas indicam queda hormonal?
Os sintomas variam bastante de mulher para mulher, tanto na intensidade quanto na duração. Identificar os sinais mais frequentes ajuda a procurar avaliação ginecológica no momento certo e evitar que a qualidade de vida seja muito afetada.
Entre as manifestações mais comuns associadas à queda do estrogênio estão:
- Ondas de calor repentinas, conhecidas como fogachos
- Suores noturnos e dificuldade para dormir
- Alterações de humor, ansiedade e irritabilidade
- Ressecamento vaginal e desconforto durante a relação sexual
- Diminuição da libido e redução da elasticidade da pele
- Perda gradual de massa óssea e dores articulares

O que mostra um estudo sobre os benefícios e riscos da reposição hormonal
Para ajudar mulheres e médicos a tomar decisões mais seguras, pesquisadores reuniram dados de dezenas de ensaios clínicos sobre o tema. As conclusões reforçam a importância do momento em que a terapia é iniciada e da escolha individualizada do tratamento.
Segundo a revisão sistemática e meta-análise Benefícios e riscos da terapia hormonal da menopausa para o sistema cardiovascular em mulheres pós-menopáusicas: uma revisão sistemática e meta-análise, publicada no periódico BMC Women’s Health em 2024, mulheres que iniciaram a terapia hormonal nos primeiros dez anos após a menopausa apresentaram menor mortalidade geral e menos eventos cardiovasculares em comparação com quem começou o tratamento mais tarde. O estudo, que reuniu trinta e três ensaios clínicos com mais de 44 mil participantes, reforça o conceito de janela de oportunidade também adotado pela Febrasgo.
Quando a reposição hormonal é indicada?
De acordo com as diretrizes da Febrasgo, a terapia hormonal é recomendada principalmente para mulheres com sintomas moderados a intensos e sem contraindicações específicas. O tratamento deve ser personalizado, considerando o histórico clínico, a idade e o tempo desde o início da menopausa.
As principais situações em que o tratamento pode ser considerado incluem:

É importante lembrar que a reposição hormonal não é indicada para prevenir doenças cardiovasculares e tem contraindicações específicas, como histórico de câncer de mama, trombose ou doença hepática ativa.
Quais alternativas existem além da reposição hormonal?
Mulheres que não podem ou não desejam fazer terapia hormonal contam com outras opções para aliviar os sintomas. As alternativas incluem mudanças no estilo de vida e o uso de medicamentos não hormonais, sempre prescritos por um profissional. Atividade física regular, alimentação equilibrada, controle do peso e técnicas de manejo do estresse ajudam a reduzir a intensidade dos sintomas. Também existem medicações específicas e terapias vaginais locais com baixa absorção sistêmica para tratar o ressecamento.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento conduzido por um médico qualificado. Em caso de sintomas relacionados ao climatério ou à menopausa, procure um ginecologista de confiança para orientação individualizada.









