Mulungu: para que serve e como fazer o chá

Revisão clínica: Manuel Reis
Enfermeiro

O mulungu é uma planta rica em flavonoides e alcaloides, substâncias com propriedades calmantes e sedativas, sendo indicada para o tratamento de situações como insônia, estresse e ansiedade.

Além disso, o mulungu, conhecido também como corticeira, árvore-de-coral, canivete e bico-de-papagaio, possui ação analgésica e, por isso, ajuda no alívio das dores reumáticas e cólicas menstruais.

O mulungu geralmente é usado na forma de chás, que podem ser preparados com as cascas ou folhas secas da planta. Além disso, o mulungu também pode ser encontrado na forma de cápsulas ou tintura.

Para que serve

Por possuir propriedades calmantes, analgésicas, hipotensoras e anti-inflamatórias, o mulungu pode ser indicado para as seguinte situações:

1. Tratar ansiedade e estresse

O mulungu contém ótimas quantidade de hipaporfina, eritrina e eritravina, compostos com ação ansiolítica que ativam os receptores de GABA, um neurotransmissor que atua como relaxante no sistema nervoso, ajudando, assim, no tratamento da ansiedade e do estresse.

2. Aliviar cólicas menstruais

O mulungu possui propriedades analgésicas e antinoceptivas, diminuindo a sensação de dor e ajudando a aliviar as cólicas menstruais. Conheça outras opções naturais para aliviar as cólicas.

3. Equilibrar a pressão arterial

A eristristemina e a erisotiopina são compostos alcaloides presentes no mulungu, que possuem propriedades hipotensoras, ajudando a equilibrar a pressão arterial e evitando o surgimento da hipertensão.

4. Combater a insônia

Por conter hipaforina, um composto com efeito sedativo e calmante do sistema nervoso central, o mulungu melhora a qualidade e a duração do sono, combatendo a insônia. Veja outros remédios caseiros para combater a insônia.

5. Ajudar no tratamento de dores reumáticas

O mulungu contém ótimas quantidades de eritralina, uma substância que possui potente ação anti-inflamatórias e, por isso, essa planta pode ajudar no tratamento de dores reumáticas, como gota, artrite e tendinite, por exemplo.

Como usar

O mulungu é usado principalmente na forma de chá, que pode ser preparado com as cascas, ou folhas, secas ou em pó, da planta.

O mulungu também pode ser usado na forma de cápsula, onde a dosagem geralmente indicada é de 1 cápsula por dia. Além disso, essa planta também pode ser encontrada na forma de tintura, sendo geralmente recomendada a ingestão de 20 gotas, dissolvidas em 200 ml de água, de 1 vez por dia.

No entanto, o mulungu não é indicado em algumas situações, como gravidez e amamentação. Por isso, é aconselhado usar o mulungu somente sob a orientação de um profissional especializado no uso de plantas medicinais.

Como preparar o chá de mulungu

A casca é a parte mais utilizada do mulungu para o preparo de chá, que pode ser encontrada na sua forma natural ou em pó.

Ingredientes:

  • 1 colher de chá (de 4g a 6g) de cascas de mulungu;
  • 1 xícara (200 ml) de água.

Modo de preparo:

Em uma panela, ou chaleira, colocar as cascas de mulungu e a água, levando ao fogo para ferver por 10 minutos. Desligar o fogo, deixar amornar, coar e beber. Beber até 3 xícaras desse chá por dia. O chá de mulungu pode ser usado por um período máximo de 30 dias seguidos.

As sementes de mulungu não devem ser usadas, uma vez que possuem substâncias tóxicas que podem causar sérios danos à saúde.

Efeitos colaterais e contraindicações

Os efeitos colaterais do uso de mulungu são raros, no entanto, alguns sintomas como sonolência, hipotensão e paralisias musculares podem surgir em algumas pessoas.

O mulungu não é indicado para crianças e adolescentes menores de 18 anos. Assim como também não é recomendado para mulheres grávidas ou que estejam amamentando, pessoas com insuficiência cardíaca e arritmia.

Pessoas que usam remédios anti-hipertensivos ou antidepressivos, devem consultar o médico antes de usar o mulungu, porque essa planta pode alterar os efeitos desses medicamentos.

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Atualizado por Karla S. Leal - Nutricionista, em setembro de 2022. Revisão clínica por Manuel Reis - Enfermeiro, em setembro de 2022.

Bibliografia

  • SANTOS, Marília Fernanda. O uso da Erythrina velutina (Mulungu) como recurso terapêutico para os transtornos de ansiedade: uma revisão bibliográfica. Dissertação de conclusão de pós graduação, 2022. Instituto Federal da Paraíba.
  • RAMBO, F, Douglas et al. The genus Erythrina L.: A review on its alkaloids, preclinical, and clinical studies. Phytotherapy Research. Vol.33. 5.ed; 1258-1276, 2019
Mostrar bibliografia completa
  • CHU, Hong-Biao et al. Anxiolytic and anti-depressant effects of hydroalcoholic extract from Erythrina variegata and its possible mechanism of action. Africna Health Sciences. vol.19. 3.ed; 2526-2536, 2019
  • CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO. PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS. 2019. Disponível em: <http://www.crfsp.org.br/images/cartilhas/PlantasMedicinais.pdf>. Acesso em 14 set 2022
  • AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA. Formulário de fitoterápicos: farmacopéia brasileira 2ª edição. 2021. Disponível em: <https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/farmacopeia/formulario-fitoterapico/arquivos/2021-fffb2-final-c-capa2.pdf>. Acesso em 14 set 2022
Revisão clínica:
Manuel Reis
Enfermeiro
Pós-graduado em fitoterapia clínica e formado pela Escola Superior de Enfermagem do Porto, em 2013. Membro nº 79026 da Ordem dos Enfermeiros.