Mastócitos: o que são, funções e quando podem estar alterados

maio 2022
  1. Funções
  2. Como identificar
  3. Quando pode estar alterado

Os mastócitos são células produzidas na medula óssea e que participam do sistema imunológico, atuando contra infecções por parasitas e bactérias, combatendo alergias, promovendo o bom funcionamento do sistema imune e mantendo a saúde cardiovascular.

As funções dos mastócitos são devido à presença de vários grânulos em seu interior e na membrana externa, como histamina, heparina, citocinas, proteases e fatores de crescimento celular, que são liberados de acordo com o estímulo. 

Os mastócitos são liberados pela medula óssea como células progenitoras e imaturas, sendo ativadas quando há algum estímulo. Assim, as células progenitoras dos mastócitos são deslocadas para o local onde vão realizar a sua função, sofrendo diferenciação (maturação) nesse local.

Funções dos mastócitos

Os mastócitos atuam principalmente quando existem alguma inflamação no corpo, havendo a liberação das substâncias presentes em seus grânulos, que atuam diretamente na diminuição da inflamação e que estimulam a atuação das outras células de defesa. Assim, as principais funções dos mastócitos são:

  • Garantir o bom funcionamento do sistema imune, já que regula a atividade dos linfócitos, e participa da resposta imune inata e adaptativa;
  • Auxiliar no combate de infecções por parasitas e bactérias, uma vez que regula a ação das células dendríticas e macrófagos, que atuam reconhecendo e eliminando o agente infeccioso;
  • Atuar como primeira linha de defesa do corpo, pois estão presentes em grandes quantidades na pele e na mucosa gastrointestinal;
  • Manter a saúde cardiovascular, combatendo a isquemia, hipoxia sistêmica e a aterosclerose, já que auxilia na vasodilatação e diminuição da inflamação e da quantidade de radicais livres circulantes;
  • Combater alergias, já que na presença de uma substância alérgena no corpo, os mastócitos liberam histamina na circulação, resultando no aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos, contração leve dos músculos dos sistema respiratório e aumento da produção de muco.

Os mastócitos maduros estão distribuídos em todo corpo, sendo principalmente encontrados na pele, pulmão e no trato gastrointestinal. Em condições normais, os mastócitos maduros não circulam no organismo, sendo ativados e diferenciados apenas quando há algum sinal inflamatório, sendo estimulados para que se desloquem até o local de atuação.

Como identificar

Os mastócitos podem ser detectados através de exames específicos, sendo normalmente indicada a realização de biópsia de pele, já que os mastócitos estão presentes em maior quantidade nesse órgão. Além disso, para identificar a quantidade de mastócitos, pode ser indicada a dosagem de substâncias que são liberadas pelos mastócitos durante a sua atuação, como a triptase ou a histamina, por exemplo, o que pode ser feito através de exame de sangue.

No entanto, a identificação dos mastócitos não é comum, uma vez que outros exames podem ser mais interessantes para avaliar a saúde geral da pessoa e a sua resposta a inflamações e/ ou infecções, como hemograma, VSH e proteína C reativa (PCR), por exemplo.

Quando pode estar alterado

A quantidade de mastócitos pode estar alterada em algumas situações, sendo as principais:

1. Alergias

Os mastócitos atuam juntamente com os basófilos no combate a alergias, promovendo o aumento da permeabilidade dos vasos, contração dos músculos e aumento da produção de muco, o que resulta nos sintomas típicos da alergia, como coriza, olho lacrimejando, coceira e inchaço, por exemplo.

Além disso, os mastócitos também estão em maiores quantidades no caso de anafilaxia, que é uma reação alérgica grave que pode colocar a vida da pessoa em risco, uma vez que pode haver dificuldade para respirar devido à contração excessiva dos músculos respiratórios e inchaço local intenso. Conheça mais sobre a anafilaxia.

2. Infecção por parasitas e bactérias

Os mastócitos também têm sua quantidade aumentada em caso de infecção por parasitas, principalmente helmintos, e bactérias, já que regulam a atividade das células apresentadoras de antígenos, como as células dendríticas, que apresentam o antígeno do agente infeccioso para as outras células do sistema imune para que seja eliminado pelos macrófagos.

3. Mastocitose

A mastocitose é uma situação rara caracterizada pelo aumento e acúmulo dos mastócitos na pele e/ ou em outros órgãos, resultando no aparecimento de alguns sintomas de acordo com o local em que estão em maior quantidade, como pontos vermelhos na pele, coceira excessiva, dormência na ponta dos dedos, dor de cabeça, tontura ou diarreia, por exemplo. Saiba reconhecer a mastocitose.

4. Síndrome da ativação dos mastócitos

A síndrome de ativação dos mastócitos é uma alteração rara que atinge o sistema imune, resultando no aumento exagerado da quantidade de mastócitos frente a substâncias que não causariam alergia, resultando no aparecimento de sinais e sintomas que atingem mais de um sistema, como sistema gastrointestinal, cardiovascular, pele e respiratório.

Assim, na síndrome de ativação dos mastócitos, é possível que a pessoa apresente coceira excessiva, vermelhidão, inchaço, aumento dos batimentos cardíacos, diminuição da pressão arterial, náuseas, vômitos, cólicas, coriza e dificuldade para respirar, podendo ser notado chiado ao respirar.

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Atualizado e revisto clinicamente por Marcela Lemos - Biomédica, em maio de 2022.

Bibliografia

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  • THERMOFISHER SCIENTIFIC. Mast Cell Overview. Disponível em: <https://www.thermofisher.com/br/en/home/life-science/cell-analysis/cell-analysis-learning-center/immunology-at-work/granulocyte-cell-overview/mast-cell-overview.html>. Acesso em 27 mai 2022
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Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.