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Malária: ciclo, sintomas, transmissão e tratamento

A malária é uma doença infecciosa transmitida através da picada da fêmea do mosquito Anopheles infectada pelo protozoário do gênero Plasmodium, sendo as espécies mais frequentes no Brasil o Plasmodium vivax e o Plasmodium malariae. Por ser transmitida pela picada de um mosquito, a melhor forma de prevenção da malária consiste em medidas para evitar se picado, através do uso de repelente e proteções nas janelas com o uso de telas.

Uma vez no organismo da pessoa afetada, o Plasmodium vai até o fígado, onde se multiplica e, em seguida, atinge a corrente sanguínea, onde invade e rompe os glóbulos vermelhos do sangue, provocando sintomas como febre, suor, calafrio, náuseas, vômitos, dor de cabeça e fraqueza.

A malária tem cura, mas é importante que o tratamento seja iniciado rapidamente, pois em muitos casos a doença pode se tornar grave, havendo anemia, diminuição das plaquetas, insuficiência renal ou, até, o comprometimento do cérebro, em que as chances de complicações e de morte são maiores.

Mosquito da malária
Mosquito da malária

Principais sintomas

Os primeiros sintomas da malária costumam surgir entre 8 a 14 dias após a transmissão, podendo levar até 30 dias ou mais. O aparecimento dos sintomas dependem de fatores relacionados ao Plasmodium, como taxa de multiplicação e espécie, e fatores relacionados à pessoa, como o sistema imunológico, principalmente. Os sinais e sintomas mais comuns da malária são:

  • Febre, que pode surgir e desaparecer em ciclos;
  • Suores e calafrios;
  • Dor de cabeça forte;
  • Náuseas e vômitos;
  • Dor muscular em todo o corpo;
  • Fraqueza e cansaço constante;
  • Pele e olho amarelados.

A maioria destes sinais e sintomas podem ser difíceis de serem identificados como malária e, dessa forma, caso surjam é importante ir ao médico para diagnosticar a doença e iniciar o tratamento adequado, especialmente se estiver num local em que a malária é frequente, como na região Amazônica e África.

Além disso, estes sinais e sintomas podem aparecer em ciclos, isto é, manifestar-se a cada 48 horas ou 72 horas, dependendo da espécie de Plasmodium que está infectando o corpo. Isto acontece devido ao seu ciclo de vida, à medida que se desenvolvem conseguem chegar na corrente sanguínea e causar sintomas decorrentes da destruição das hemácias.

A forma mais grave da malária acontece quando a infecção compromete o cérebro, causando dor de cabeça, rigidez de nuca, convulsões, sonolência e coma. Outras complicações incluem anemia, redução das plaquetas, insuficiência renal e insuficiência respiratória. Saiba mais sobre os sintomas da malária e malária cerebral.

Como acontece a transmissão

A transmissão da malária acontece através da picada da fêmea do mosquito Anopheles infectado, que adquiriu o parasita ao picar uma pessoa infectada pela doença. É importante lembrar que a malária não é contagiosa, ou seja, não é transmitida de uma pessoa para outra, exceto em casos mais raros de compartilhamento de seringas e agulhas infectadas, transfusões mal controladas e/ ou parto.

Geralmente, o mosquito pica as pessoas durante o entardecer ou anoitecer. Os locais de maior risco de contaminação são América do Sul, América Central, África e parte da Ásia, principalmente em locais com água limpa com pouca corrente, umidade e com temperatura entre 20º e 30ºC. No Brasil os estados mais afetados pela malária são Amazonas, Roraima, Acre, Tocantins, Pará, Amapá, Mato Grosso, Maranhão e Rondônia.

Ciclo de infecção da malária

Malária: ciclo, sintomas, transmissão e tratamento

O ciclo do parasita Plasmodium no corpo humano acontece da seguinte forma:

  1. A picada da fêmea do mosquito Anopheles transmite, através da sua saliva, os Plasmodium para a corrente sanguínea da pessoa, na sua fase de Esporozoíto;
  2. Os esporozoítos vão até o fígado, onde amadurecem e se multiplicam, por cerca de 15 dias, dando origem à forma de Merozoítos;
  3. Os Merozoítos rompem as células do fígado e atingem a corrente sanguínea, passando a invadir os glóbulos vermelhos do sangue;
  4. Dentro das células sanguíneas infectadas, que são chamadas de Esquizontes, os parasitas se multiplicam e rompem esta célula, e passam a invadir outras, em um ciclo que dura de 48 a 72 horas.

Dentro de cada esquizonte, o ciclo é variável de acordo com a espécie do Plasmodium, sendo de 48 horas para as espécies P. falciparum, P. vivax, e P. ovale e de 72 h para P. malariae. Durante o período em que as hemácias são rompidas e os esquizontes passam a ficar livres no sangue, os sintomas podem se acentuar, principalmente a febre e os calafrios.

Como confirmar o diagnóstico

Após o surgimento dos primeiros sinais e sintomas é recomendado ir ao hospital ou ao pronto-socorro, especialmente se os sintomas surgirem a cada 48 ou 72 horas. Desta forma, o médico poderá identificar a presença do parasita no organismo através de exames de sangue, como gosta espessa ou testes imunológicos, podendo iniciar o tratamento adequado, evitando que a infecção agrave e coloque a vida do paciente em risco.

Como é feito o tratamento

O tratamento da malária é feito com medicamentos antimaláricos, como Cloroquina, Primaquina, Artemeter e Lumefantrina ou Artesunato e Mefloquina por exemplo, que atuam destruindo o Plasmodium e impedindo a sua transmissão.

Os medicamentos escolhidos, as doses e a duração são indicados pelo médico de acordo com a idade, gravidade da doença e análise das condições de saúde. Crianças, bebês e grávidas precisam de um tratamento especial, com Quinina ou Clindamicina, sempre de acordo com as recomendações médicas e, geralmente, é indicado o internamento hospitalar.

Recomenda-se ainda:

  • Alimentar-se normalmente;
  • Não consumir bebidas alcoólicas;
  • Não parar o tratamento mesmo se os sintomas desaparecerem, devido ao risco de recidiva e complicações da doença.

O tratamento da malária deve ser iniciado o mais rápido possível, pois pode evoluir de forma grave e, sem o adequado tratamento, pode levar à morte. Saiba mais sobre como é feito o tratamento para se recuperar mais rápido.

Como se proteger

A prevenção da malária pode ser feita através de:

  • Uso de roupas de cor clara e de tecido fino, com mangas compridas e calças compridas;
  • Evitar as áreas mais propensas à contaminação da doença, principalmente durante o entardecer ou amanhecer;
  • Usar repelente à base de DEET (N-N-dietilmetatoluamida), respeitando as orientações do fabricante quanto à reposição do repelente;
  • Colocar telas de proteção contra mosquitos em janelas e portas;
  • Evitar lagos, lagoas e rios ao final da tarde e à noite.

Quem vai viajar para um local onde há casos de malária pode receber um tratamento de prevenção, chamado de quimioprofilaxia, com os remédios anti-maláricos, como Doxiciclina, Mefloquina ou Cloroquina.

Todavia estes remédios possuem fortes efeitos colaterais, por isso o médico costuma indicar este tipo de prevenção para pessoas que possuem maior risco de desenvolverem doença grave, como ir para locais com elevados índices de transmissão ou quando a pessoa possui alguma doença que pode ter maiores complicações com a infecção.

Estes medicamentos só devem ser usados após indicação médica e geralmente são iniciados 1 dia antes da viagem e persistem por mais alguns dias ou semanas após o retorno.

Bibliografia >

  • OPAS BRASIL. Folha informativa - Malária. Disponível em: <https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5682:folha-informativa-malaria&Itemid=812>. Acesso em 03 Jun 2019
  • FIOCRUZ. Conheça a Malária. Disponível em: <http://www.fiocruz.br/ioc/media/malaria%20folder.pdf>. Acesso em 03 Jun 2019
  • MÉDICOS SEM FRONTEIRAS. Malária. Disponível em: <https://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/malaria>. Acesso em 03 Jun 2019
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Malária: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção. Disponível em: <http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/malaria>. Acesso em 03 Jun 2019
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