Insuficiência mitral: o que é, graus, sintomas e tratamento

Revisão médica: Drª. Ana Luiza Lima
Cardiologista
abril 2022

A insuficiência mitral, também chamada de regurgitação mitral, acontece quando existe um defeito na válvula mitral, que é uma estrutura do coração que separa o átrio esquerdo do ventrículo esquerdo. Quando isso acontece, a válvula mitral não fecha totalmente, fazendo com que um pequeno volume de sangue retorne para os pulmões ao invés de sair do coração para irrigar o corpo.

Pessoas com insuficiência mitral normalmente apresentam sintomas como falta de ar após realizar esforços leves, tosse constante e cansaço excessivo.

A circulação fica mais prejudicada quanto mais danificada estiver a válvula mitral, que normalmente perde a força com a idade, ou após um infarto do miocárdio, por exemplo. Porém, a insuficiência mitral também pode ser um problema de nascença. De qualquer forma, a insuficiência mitral precisa ser tratada por um cardiologista que pode indicar remédios ou cirurgia.

Principais sintomas

Os sintomas de insuficiência mitral podem demorar anos para aparecer, uma vez que essa alteração acontece de forma progressiva, sendo, portanto, mais frequente em pessoas com a idade um pouco mais avançada. Os principais sintomas de insuficiência mitral são:

  • Falta de ar, especialmente ao fazer algum esforço ou quando for dormir;
  • Cansaço excessivo;
  • Tosse, principalmente à noite;
  • Palpitações e coração acelerado;
  • Inchaço nos pés e tornozelos.

Na presença destes sintomas, deve-se consultar o cardiologista para que possa ser feito o diagnóstico e iniciar o tratamento mais adequado.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da insuficiência mitral é feito pelo cardiologista com base nos sintomas, no histórico clínico e familiar de problemas cardíacos e através de exames como auscultar o coração com um estetoscópio para avaliar qualquer ruído ou barulho durante os batimentos cardíacos, eletrocardiograma, ecocardiograma, raio-x, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, e teste ergométrico, para avaliar o funcionamento do coração. 

Outro tipo de exame que o cardiologista pode solicitar é o cateterismo, que permite visualizar o coração por dentro e avaliar os danos nas válvulas cardíacas. Saiba como é feito o cateterismo para o coração.

Graus de insuficiência mitral

A insuficiência mitral pode ser classificada em alguns graus de acordo com a gravidade dos sintomas e a causa, sendo os principais:

1. Insuficiência mitral discreta

A insuficiência mitral discreta, também chamada de insuficiência mitral leve, não produz sintomas, não é grave e nem necessita de tratamento, sendo identificada apenas durante exame de rotina quando o médico escuta um som diferente ao realizar a ausculta do coração com o estetoscópio.

2. Insuficiência mitral moderada

Este tipo de insuficiência mitral causa sintomas inespecíficos e que não são graves, como o cansaço, por exemplo, não sendo necessário tratamento imediato. Nesses casos, o médico apenas ouve o coração da pessoa e prescreve exames a cada 6 a 12 meses, como a ecocardiografia ou raio X de tórax para observar a válvula mitral e verificar se a insuficiência mitral piorou.

3. Insuficiência mitral severa

A insuficiência mitral severa causa sintomas de falta de ar, tosse e inchaço dos pés e tornozelos, sendo normalmente recomendado pelo médico o uso de remédios ou realização de cirurgia para correção ou substituição da válvula dependendo da idade da pessoa.

Possíveis causas

A insuficiência mitral pode acontecer de forma aguda devido a uma ruptura do músculo cardíaco causado por infarto agudo do miocárdio, endocardite infecciosa ou efeito colateral de radioterapia ou medicamentos, como a fenfluramina ou ergotamina, por exemplo. Nesses casos, pode ser recomendada realização de cirurgia para reparar ou substituir a válvula.

Outras doenças podem alterar o funcionamento da válvula mitral e causar insuficiência mitral crônica, como doenças reumáticas, prolapso de válvula mitral, calcificação da própria válvula mitral ou deficiência congênita da válvula, por exemplo. Esse tipo de insuficiência é progressiva e deve ser tratada com remédios ou cirurgia.

Além disso, a insuficiência mitral pode acontecer como resultado do envelhecimento, sendo que também há um maior risco de se desenvolver insuficiência mitral se houver histórico da doença na família.

Como é feito o tratamento

O tratamento para a insuficiência mitral varia de acordo com a gravidade da doença, dos sintomas ou se ocorrer piora da doença, e tem como objetivo melhorar a função cardíaca, diminuindo os sinais e sintomas e evitando complicações futuras.

1. Acompanhamento médico

A insuficiência mitral discreta ou leve pode não precisar de tratamento, sendo recomendado acompanhamento médico regular e a frequência vai depender da gravidade da doença. Nesses casos, o médico pode recomendar mudanças saudáveis ​​no estilo de vida como alimentação balanceada e prática de atividades físicas leves como caminhada, por exemplo. Saiba como fazer uma alimentação balanceada.

2. Uso de medicamentos

Nos casos em que a pessoa apresenta sintomas ou a insuficiência mitral é grave ou crônica, por exemplo, o médico pode indicar o uso de alguns medicamentos como:

  • Diuréticos: estes remédios ajudam a diminuir o inchaço e o acúmulo de líquidos nos pulmões ou pernas;
  • Anticoagulantes: são indicados para ajudar a prevenir a formação de coágulos sanguíneos e podem ser usados ​​nos casos de fibrilação atrial;
  • Anti-hipertensivos: usados para controlar a pressão arterial, pois a pressão alta pode piorar a insuficiência mitral.

Esses medicamentos ajudam a tratar e controlar os sintomas, mas não trata a causa da insuficiência mitral.

3. Cirurgia cardíaca

A cirurgia cardíaca, chamada de valvuloplastia, pode ser indicada pelo cardiologista em casos mais graves, para correção ou substituição da válvula mitral e evitar complicações como insuficiência cardíaca, fibrilação atrial ou hipertensão pulmonar. Entenda como é feita a valvuloplastia para insuficiência mitral.

Cuidados durante o tratamento

Algumas medidas de estilo de vida são importantes durante o tratamento da insuficiência mitral e incluem:

  • Fazer acompanhamento médico para controlar a pressão alta;
  • Manter o peso saudável;
  • Não fumar;
  • Evitar bebidas alcoólicas e cafeína;
  • Fazer exercícios físicos recomendados pelo médico;
  • Ter uma alimentação saudável e balanceada.

Para mulheres que têm insuficiência mitral e desejam engravidar deve-se fazer avaliação médica antes de engravidar para verificar se a válvula cardíaca tolera uma gravidez, pois a gestação faz com que o coração trabalhe mais. Além disso, durante a gravidez e após o parto, deve-se fazer um acompanhamento regular com o cardiologista e o obstetra. 

Nos casos de pessoas que fizeram a valvuloplastia, e necessitem fazer algum tratamento dentário, o médico deve receitar antibióticos para prevenir uma infecção na válvula cardíaca chamada endocardite infecciosa. Veja como é feito o tratamento da endocardite bacteriana.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em abril de 2022. Revisão médica por Drª. Ana Luiza Lima - Cardiologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • MENDELSOHN, A. M. Mitral Valve Regurgitation. Pediatric Clinical Advisor. 376–377, 2007
  • MAYO CLINIC. Mitral valve regurgitation. Disponível em: <https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/mitral-valve-regurgitation/symptoms-causes/syc-20350178>. Acesso em 08 jan 2021
Mostrar bibliografia completa
  • HARB, Serge C.; GRIFFIN, Brian P. Mitral Valve Disease: a Comprehensive Review. Curr Cardiol Rep. 19. 8; 73, 2017
  • STATPEARLS PUBLISHING. Mitral Regurgitation. 2020. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK519013/#_NBK519013_pubdet_>. Acesso em 13 jan 2021
Revisão médica:
Drª. Ana Luiza Lima
Cardiologista
Médica Cardiologista, formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional nº CRM/PE – 16886. 

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