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Hipocromia: o que é, como identificar, causas e o que fazer

Revisão clínica: Marcela Lemos
Biomédica
janeiro 2023

Hipocromia é quando as hemácias possuem menos hemoglobina que o normal, sendo visualizadas no microscópio com uma cor mais clara.

No hemograma, a hipocromia é avaliada pelo índice HCM, que indica a quantidade média de hemoglobina nas hemácias, sendo considerado normal o valor de 26 a 34 pg, ou de acordo com o laboratório em que o exame foi realizado.

Apesar do HCM ser o indicativo de hipocromia, é importante que as hemácias sejam avaliadas no microscópio pois assim é possível verificar se existem outras alterações. É comum que a hipocromia seja acompanhada de microcitose, que é quando as hemácias são menores do que o normal. Veja mais sobre a microcitose.

Imagem ilustrativa número 1

Como identificar hipocromia no hemograma

No resultado do hemograma é possível que venha escrito que foi observada hipocromia discreta, moderada ou intensa:

  • Hipocromia normal: foram observadas 0 a 5 hemácias hipocrômicas;
  • Hipocromia discreta: foram observadas 6 a 15 hemácias hipocrômicas;
  • Hipocromia moderada: foram observadas 16 a 30 hipocrômicas;
  • Hipocromia intensa: foram são visualizadas mais que 30 hemácias hipocrômicas.

De acordo com a quantidade de hemácias hipocrômicas o médico pode verificar a gravidade da doença, sendo também importante avaliar os outros parâmetros do hemograma. Saiba como interpretar o hemograma.

O que causa a hipocromia

As principais causas de hipocromia são:

1. Anemia por deficiência de ferro

A anemia por deficiência de ferro, também chamada de anemia ferropriva, é uma das principais causas de hipocromia, isso porque o ferro é essencial para formação da hemoglobina. Por isso, quando há menos ferro disponível, há menor quantidade de formação de hemoglobina e menor concentração desse componente nas hemácias, deixando-as mais claras.

No hemograma, além de hipocromia pode ser verificada microcitose, pois devido à diminuição da quantidade de oxigênio sendo transportada pela hemoglobina para os outros tecidos e órgãos, há produção de maior quantidade de hemácias na tentativa de suprir a falta de oxigênio, sendo muitas vezes essas hemácias menores do que o normal. Para confirmar esse tipo de anemia são solicitados outros exames como dosagem de ferro sérico, ferritina transferrina e saturação da transferrina.

A deficiência de ferro pode acontecer devido a questões nutricionais, em que a pessoa possui uma alimentação pobre em ferro, como consequência de grande fluxo menstrual, doenças inflamatórias intestinais ou devido à situações que interferem na absorção do ferro, como doença celíaca e infecção por Helicobacter pylori.

Devido à diminuição da quantidade de oxigênio circulante no organismo, é comum que a pessoa sinta-se mais cansada, fraca e com sono excessivo, por exemplo. Saiba reconhecer os sintomas de anemia ferropriva.

O que fazer: A partir do momento em que é verificado pelo médico que se trata de uma anemia ferropriva, podem ser recomendados mais exames para identificar a causa. De acordo com a causa, pode ser indicada alteração nos hábitos alimentares, dando preferência a alimentos que contenham maior quantidade de ferro, como carne vermelha e feijão, por exemplo, ou uso de suplementos de ferro, que devem ser usados de acordo com a recomendação do médico.

2. Talassemia

A talassemia é uma doença hematológica genética caracterizada por mutações que resultam em alterações no processo da síntese de hemoglobina, levando ao aparecimento de hemácias hipocrômicas, uma vez que há menor quantidade de hemoglobina disponível circulante. Além disso, como consequência da menor quantidade de oxigênio circulante, a medula óssea passa a produzir mais hemácias na tentativa de aumentar a captação de oxigênio, resultando também em microcitose.

De acordo com a cadeia da hemoglobina que teve alteração da síntese os sintomas da talassemia podem ser mais ou menso graves, no entanto, de forma geral, as pessoas com talassemia apresentam cansaço excessivo, fraqueza, palidez e respiração curta e ofegante, por exemplo.

O que fazer: A talassemia é uma doença hereditária que não tem cura, mas sim controle, e, por isso, o tratamento tem como objetivo aliviar os sintomas e evitar a progressão da doença, além de promover a qualidade de vida e a sensação de bem-estar. Normalmente, é recomendada mudança nos hábitos alimentares, sendo importante que a pessoa seja acompanhada por um nutricionista, além de realização de transfusões sanguíneas. Entenda como deve ser o tratamento para talassemia.

3. Anemia sideroblástica

A anemia sideroblástica é caracterizada pela utilização inapropriada de ferro para produção de hemoglobina, mesmo quando as quantidades de ferro no organismo são normais, o que resulta na hipocromia. Por causa da utilização inapropriada de ferro, há menor quantidade de hemoglobina e, consequentemente, de oxigênio circulante, levando ao aparecimento de sintomas típicos de anemia, como cansaço, fraqueza, tonturas e palidez.

Além da análise do hemograma, para confirmar o diagnóstico da anemia sideroblástica é importante realizar a observação do sangue no microscópio com o objetivo de identificar a presença de sideroblastos, que são estruturas semelhantes em anel que podem aparecer dentro das hemácias devido ao acúmulo de ferro nos eritroblastos, que são as hemácias jovens. Conheça mais sobre a anemia sideroblástica.

O que fazer: O tratamento da anemia sideroblástica é feito de acordo com a gravidade da doença, podendo ser recomendado pelo médico a suplementação de vitamina B6 e ácido fólico e, nos casos mais graves, pode ser recomendada a realização de transplante de medula óssea.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em janeiro de 2023. Revisão clínica por Marcela Lemos - Biomédica, em janeiro de 2023.

Bibliografia

  • HINRICHSEN, Sylvia Lemos. Causas de: diagnóstico diferencial. 1.ed. Rio de Janeiro: Medbook, 2014. 18-21.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Talassemias. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/talassemias_folder.pdf>. Acesso em 10 jan 2020
Mostrar bibliografia completa
  • FLEURY, Marcos. Hematoscopia Hematoscopia: Existe consenso na liberação de resultados?. 2014. Disponível em: <http://pncq.org.br/uploads/2014/workshops_aulas/WS_Hematoscopia_2014.pdf>.
Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.