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Hipertensão pulmonar: o que é, causas, sintomas e tratamento

A hipertensão pulmonar é a pressão alta nos vasos sanguíneos que irrigam os pulmões, causada por aumento da rigidez das artérias pulmonares ou por alguma obstrução causada por coágulos, por exemplo. Esta doença pode também causar lesões do lado direito do coração, pois como os pulmões não conseguem captar o oxigênio de forma eficiente, é necessário um esforço maior do coração para bombear o sangue e oxigenar todos os tecidos do corpo.

Este tipo de doença pode afetar pessoas de todas as idades, inclusive bebês, mas é mais comum em mulheres acima dos 30 anos e em pessoas com outras doenças no coração como insuficiência cardíaca ou pulmonares como doença pulmonar obstrutiva crônica, por exemplo.

A hipertensão pulmonar é uma condição grave que pode causar sintomas de falta de ar, inchaço nas pernas ou palpitação cardíaca. Por isso, quando existe suspeita de hipertensão pulmonar é importante consultar um pneumologista para que seja feito o diagnóstico, identificada a causa e iniciado tratamento adequado, que pode incluir o uso de medicamentos, cirurgia ou transplante de pulmão.

Hipertensão pulmonar: o que é, causas, sintomas e tratamento

Principais sintomas

Numa fase inicial, a hipertensão pulmonar geralmente não apresenta sintomas, no entanto, um sintoma que pode surgir é a sensação de falta de ar que acontece durante o esforço, e à medida que a doença piora ou fica mais grave, pode passar a acontecer mesmo em repouso.

Em fases mais avançadas, podem aparecer outros sintomas como:

  • Cansaço excessivo;
  • Tontura ou desmaios;
  • Inchaço nos tornozelos ou pernas;
  • Inchaço no abdômen;
  • Dor no peito;
  • Palpitação cardíaca;
  • Pulso acelerado;
  • Dificuldade para respirar;
  • Cor azulada nos lábios ou na pele.

É importante consultar um pneumologista logo que esses sintomas apareçam, ou procurar um pronto socorro mais próximo, de forma a iniciar o tratamento mais adequado.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da hipertensão pulmonar é difícil e nem sempre o médico consegue detectar a condição em exames de rotina. Mesmo quando a doença está mais avançada, os sintomas muitas vezes são semelhantes aos de outras doenças cardíacas e pulmonares.

Por isso, o diagnóstico da hipertensão pulmonar deve ser feito por meio da avaliação do histórico clínico, exame físico e realização de diversos exames como de sangue, raio-X de tórax, tomografia computadorizada, ressonância magnética, eletrocardiograma, ecocardiograma, teste de função pulmonar, polissonografia e teste de ventilação e perfusão pulmonar.

Para confirmar os resultados, o médico pode ainda solicitar a realização de um cateterismo, que permite medir a pressão dentro da artéria pulmonar e realizar a biópsia do pulmão, para avaliar danos nas células pulmonares.

Hipertensão pulmonar: o que é, causas, sintomas e tratamento

Possíveis causas

As causas da hipertensão pulmonar podem ser classificadas de acordo com a origem da doença, e incluem:

1. Hipertensão pulmonar primária

A hipertensão pulmonar primária, também conhecida como hipertensão arterial pulmonar, pode acontecer devido a alterações na formação dos vasos pulmonares, geralmente por causas desconhecidas, sendo, neste caso, chamadas de idiopáticas, mas também pode ocorrer por:

  • Hereditariedade por alterações genéticas na família;
  • Uso de medicamentos como fenfluramina dexfenfluramina ou inibidores seletivos da recaptação da serotonina;
  • Uso de drogas de abuso como as metanfetaminas ou a cocaína;
  • Problemas de nascença no coração como insuficiência cardíaca congênita;
  • Esquistossomose.

Além disso, doenças como esclerodermia, lúpus, infecção pelo HIV ou cirrose, também podem causar a hipertensão pulmonar primária.

2. Hipertensão pulmonar secundária

A hipertensão pulmonar secundária é mais comum e normalmente se desenvolve como complicação de outras doenças como:

  • Insuficiência cardíaca;
  • Doença da válvula mitral cardíaca;
  • Cardiomiopatia;
  • Enfisema pulmonar;
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica;
  • Apneia do sono;
  • Trombose ou embolia pulmonar;
  • Fibrose pulmonar;
  • Doenças inflamatórias como sarcoidose ou vasculite;
  • Doenças sanguíneas como policitemia vera ou trombocitemia;
  • Distúrbios metabólicos, como a doença do armazenamento de glicogênio;
  • Insuficiência renal;
  • Tumores que podem pressionar as artérias pulmonares.

Todas estas causas provocam estreitamento ou bloqueio de artérias pulmonares, dificultando a circulação de sangue dentro do pulmão e a capacidade deste órgão em captar oxigênio da respiração, o que leva o coração a fazer mais esforço para bombear o sangue e levar o oxigênio para outras partes do corpo, aumentando o risco de complicações.

Hipertensão pulmonar: o que é, causas, sintomas e tratamento

Como é feito o tratamento

O tratamento para a hipertensão pulmonar deve ser orientado pelo médico e tem como objetivo controlar a doença, tratar a causa, aliviar os sintomas e/ou evitar que a doença piore. Por isso, pode incluir:

1. Uso de medicamentos

Os medicamentos que o pneumologista pode prescrever para tratar a hipertensão pulmonar são:

  • Vasodilatadores como epoprostenol, treprostinil ou iloprost: ajudam a relaxar e abrir os vasos sanguíneos estreitos, melhorando o fluxo sanguíneo dentro dos pulmões;
  • Estimuladores de guanilato ciclase como o riociguat: relaxam as artérias pulmonares e reduzem a pressão dentro dos pulmões;
  • Antagonistas do receptor de endotelina como bosentana, macitentana ou ambrisentana: bloqueiam o efeito da endotelina, uma substância presente nas paredes dos vasos sanguíneos que causa o estreitamento das artérias pulmonares;
  • Inibidores das fosfodiesterases como sildenafil ou tadalafil: são comumente usados ​​para tratar a disfunção erétil, mas também abrem os vasos sanguíneos dos pulmões e permitem que o sangue flua com mais facilidade;
  • Anti-hipertensivos como amlodipina , diltiazem ou nifedipina: ajudam a relaxar os músculos em volta dos vasos sanguíneos dos pulmões, melhorando a circulação sanguínea;
  • Anticoagulantes como varfarina: diminuem a viscosidade do sangue, prevenindo o surgimento de coágulos que podem causar embolia pulmonar;
  • Diuréticos como furosemida ou indapamida: ajudam a remover o excesso de líquidos do organismo, evitando que se acumulem nos pulmões, pernas ou abdômen, além de reduzir o esforço do coração para bombear o sangue.

O médico pode ainda indicar o uso de antiarrítmicos como a digoxina, nos casos em que a hipertensão pulmonar tenha sido causada por problemas cardíacos, pois esses medicamentos ajudam a fortalecer o músculo cardíaco, facilitando as contrações e permitindo o bombeamento mais eficaz de sangue para o corpo.

2. Oxigenoterapia

A oxigenoterapia consiste em inalar oxigênio em uma concentração maior do que o normal, com o objetivo de garantir a oxigenação de todos os tecidos do corpo. Esta terapia deve ser indicada pelo médico de acordo com a taxa de oxigênio no sangue da pessoa.

A oxigenoterapia é usada especialmente em pessoas que moram em uma altitude elevada ou que têm apneia do sono. Em alguns casos, pode ser necessário o uso do oxigênio de forma contínua. Entenda melhor como funciona e os principais tipos de oxigenoterapia.

3. Cirurgia pulmonar

Nos casos em que os medicamentos não são eficazes para controlar a hipertensão pulmonar ou nos casos mais graves, o médico pode recomendar alguns tipos de cirurgia que incluem:

  • Endarterectomia pulmonar: esta cirurgia permite remover os coágulos sanguíneos antigos das artérias pulmonares em pessoas com hipertensão pulmonar tromboembólica crônica;
  • Angioplastia pulmonar: um pequeno balão é inserido dentro das artérias e inflado por alguns segundos para desbloquear e restaurar o fluxo sanguíneo para o pulmão;
  • Septostomia atrial: é feito na parede entre os átrios esquerdo e direito do coração para reduzir a pressão no lado direito do coração, permitindo que o coração possa bombear o sangue com mais eficiência e que o fluxo sanguíneo para os pulmões possa ser melhorado.

Estas cirurgias permitem desobstruir os vasos sanguíneos dentro dos pulmões e/ou melhorar o fluxo sanguíneo, o que ajuda a controlar os sintomas da hipertensão arterial.

4. Transplante de pulmão

O transplante de pulmão, ou de pulmão e coração, também pode ser uma opção de tratamento, especialmente para pessoas mais jovens, que têm hipertensão arterial pulmonar idiopática.

Estes transplantes também podem ser feitos quando as outras opções de tratamento não forem eficazes para controlar os sintomas da hipertensão arterial, sendo a última opção de tratamento.

Os principais riscos do transplante incluem rejeição do órgão transplantado e infecção grave, e por isso, deve-se tomar medicamentos imunossupressores pelo resto da vida para ajudar a reduzir a chance de rejeição.

Hipertensão pulmonar: o que é, causas, sintomas e tratamento

Possíveis complicações

As complicações da hipertensão pulmonar podem surgir em fases mais avançadas da doença e incluem:

  • Insuficiência cardíaca;
  • Trombose ou embolia pulmonar;
  • Arritmia cardíaca;
  • Sangramento dos pulmões.

Além disso, mulheres grávidas que têm hipertensão pulmonar, têm maior risco de complicações, especialmente no final da gravidez ou no pós-parto, o que pode colocar a vida em risco.

Hipertensão pulmonar do recém nascido

A hipertensão pulmonar do recém nascido, também chamada de hipertensão pulmonar persistente neonatal, surge quando há uma alteração na circulação sanguínea dos pulmões e coração do bebê, o que provoca dificuldade para oxigenar o corpo, causando sintomas como dificuldade para respirar, lábios e dedos azulados e inchaço no corpo. A hipertensão pulmonar do bebê, geralmente, acontece por asfixia dentro do útero ou durante o parto, pneumonia, hipotermia, hipoglicemia, ou pelo uso de medicamentos pela mãe, em excesso, como indometacina ou aspirina, por exemplo.

O tratamento é feito com uso de oxigenioterapia, com máscara ou em uma incubadora, mantendo o bebê aquecido e sem dor, além de medicamentos ou procedimentos para corrigir os defeitos no coração. Na fase inicial e mais grave, pode, ainda, ser necessário que a respiração seja feita com a ajuda de aparelhos, o que pode ser retirado após melhora dos sinais e sintomas.

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