Fibrose pulmonar: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr.ª Sani Santos Ribeiro
Pediatra e Pneumologista infantil
agosto 2022

A fibrose pulmonar é uma doença respiratória causada pelo surgimento de cicatrizes no pulmão, chamadas de fibrose, deixando os os pulmões mais rígidos ou endurecidos, resultando em uma menor capacidade para se expandir e realizar as trocas gasosas, o que leva ao surgimento de sintomas como dificuldade para respirar, falta de ar, tosse seca ou cansaço excessivo, por exemplo.

A fibrose pulmonar é mais comum de acontecer como consequência da exposição prolongada a poeiras ocupacionais, como sílica ou asbesto, por exemplo, ou devido ao tabagismo, doenças autoimunes ou efeito colateral do uso prolongado de algum medicamento. No entanto, em alguns casos a causa da fibrose pulmonar não consegue ser identificada, sendo denominada fibrose pulmonar idiopática.

O tratamento da fibrose pulmonar é feito pelo pneumologista para evitar a evolução da doença e aliviar os sintomas, podendo ser indicado a realização de fisioterapia respiratória, uso de remédios, ou até transplante de pulmão.

Sintomas de fibrose pulmonar

Os principais sintomas de fibrose pulmonar são:

  • Falta de ar;
  • Tosse seca ou com pouca secreção;
  • Sensação de ruído ou chiado no peito ao respirar;
  • Respiração rápida e ofegante;
  • Sensação de aperto no peito;
  • Dor muscular ou nas articulações;
  • Cansaço excessivo;
  • Falta de apetite;
  • Perda de peso sem motivo aparente;
  • Dedos azuis ou roxos;
  • Arredondamento da ponta dos dedos e alargamento da unhas, chamada de baqueteamento digital.  

Inicialmente, a fibrose pulmonar não leva ao aparecimento de sintomas, no entanto, à medida que a doença evolui e o pulmão vai perdendo sua capacidade de expandir, os sintomas podem ser notados, sendo importante consultar um pneumologista para que seja diagnosticado e iniciado o tratamento mais adequado. 

Além disso, a gravidade e velocidade de aparecimento dos sintomas pode variar de pessoa para pessoa, especialmente de acordo com a causa, e em geral, evolui ao longo de meses a anos.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da fibrose pulmonar é feito pelo pneumologista através da avaliação dos sintomas, histórico de saúde, hábitos de vida e exame físico ao solicitar a pessoa para inspirar e expirar, enquanto escuta os pulmões com um estetoscópio, para verificar se existem ruídos produzidos durante a respiração.

Durante a consulta o médico também deve fazer um exame de oximetria, colocando um aparelho em um dos dedos da mão para medir a quantidade de oxigênio no sangue, além de solicitar exames de sangue, como gasometria arterial, níveis de eletrólitos, hemograma completo, ureia e creatinina, e provas de função hepática, por exemplo. 

Além disso, o médico deve solicitar exames como raio X de tórax ou tomografia computadorizada, para avaliar os danos no tecido pulmonar, espirometria, que mede a capacidade funcional dos pulmões e outros exames, como teste de estresse, por exemplo. 

Outros exames que podem ser solicitados para confirmar o diagnóstico da fibrose pulmonar são a broncoscopia ou a biópsia pulmonar.

Possíveis causas

A fibrose pulmonar é causada pela formação de cicatrizes nos pulmões, devido a lesões nos pulmões, o que leva a um enrijecimento do tecido pulmonar e uma maior dificuldade dos os alvéolos de realizar as trocas gasosas e entrada de oxigênio na corrente sanguínea.

Alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento da fibrose pulmonar como:

  • Histórico familiar de fibrose pulmonar;
  • Hábito de fumar;
  • Histórico de doenças pulmonares, como tuberculose ou pneumonia;
  • Trabalhar em ambientes com muitas toxinas, como pó de sílica, amianto, carvão ou metais pesados;
  • Exposição prolongada à poeiras, gases ou produtos químicos;
  • Exposição frequente às fezes de pássaros ou animais, como no caso de veterinários ou avicultores;
  • Radioterapia ou quimioterapia, para o tratamento do câncer de pulmão ou da mama;
  • Utilizar remédios para arritmia cardíaca, como amiodarona ou propranolol, anti-inflamatórios ou antibióticos, como sulfassalazina ou nitrofurantoína;
  • Doenças autoimunes, como lúpus, artrite reumatóide, sarcoidose ou esclerodermia.
  • Doenças inflamatórias, como polimiosite ou dermatomiosite.

A fibrose pulmonar também tem sido relacionada à sequela pulmonar da COVID-19 [1,2], principalmente em pessoas que tiveram problemas pulmonares graves na fase aguda da COVID-19 ou necessitaram de ventilação mecânica. Confira outras sequelas da COVID-19

Além disso, a fibrose pulmonar idiopática pode ser passada de pais para filhos, sendo recomendado fazer um aconselhamento genético caso existam muitos casos da doença na família.

Qual a diferença entre fibrose pulmonar e fibrose cística pulmonar?

A fibrose pulmonar é causada por cicatrizes nos pulmões devido a fatores ambientais ou algumas doenças. Já a fibrose cística pulmonar, que é uma doença hereditária, que se apresenta em crianças, na qual algumas glândulas produzem secreções anormais que afetam principalmente o trato digestivo e respiratório. Confira como identificar e tratar a fibrose cística

Como é feito o tratamento

O tratamento da fibrose pulmonar deve ser orientado por um pneumologista, com o objetivo de aliviar os sintomas, evitar que a doença evolua e prevenir o surgimento de complicações.

O tratamento da fibrose pulmonar normalmente inclui:

1. Uso de remédios

Os remédios que o pneumologista pode receitar variam de acordo com os sintomas apresentados e a progressão da doença, mas normalmente são recomendados remédios antifibróticos, como pirfenidona ou nintedanibe, que ajudam a evitar a formação de cicatrizes nos pulmões.  

Em alguns casos, o médico pode indicar o uso de remédios corticoides, como a prednisona, e remédios que reduzem a resposta do sistema imune, como a ciclofosfamida, podendo aliviar alguns sintomas ou atrasar a progressão da doença.

O uso de qualquer um destes remédios deve ser feito somente sob a supervisão do pneumologista e com doses específicas para cada pessoa.

2. Fisioterapia respiratória

A fisioterapia respiratória ajuda a melhorar a capacidade de respiração e a qualidade de vida da pessoa com fibrose pulmonar. O objetivo deste tratamento é ajudar na reabilitação da respiração, com exercícios indicados pelo fisioterapeuta com técnicas que melhoram a eficiência e a resistência pulmonar. 

Assista o vídeo com a fisioterapeuta Mirca Ocanhas com os melhores exercícios de fisioterapia para fibrose pulmonar:

 

3. Oxigenoterapia

A oxigenoterapia é um tratamento que permite aumentar os níveis de oxigênio no sangue, que podem ficar diminuídos devido aos danos da fibrose pulmonar, podendo atingir níveis muito baixos. Esse tratamento pode ser indicado pelo médico para ser feito durante algumas horas do dia ou de forma contínua, dependendo de cada caso.

Existem vários tipos de oxigenoterapia que podem ser recomendadas pelo pneumologista de acordo com as necessidades de cada pessoa. Confira os principais tipos de oxigenoterapia para fibrose pulmonar.

4. Transplante de pulmão 

O transplante de pulmão pode ser recomendado pelo médico nos casos de fibrose pulmonar grave e com sintomas progressivos, pois permite melhorar a capacidade respiratória e a qualidade de vida.  

No entanto, o transplante de pulmão apresenta vários riscos, especialmente a rejeição do órgão. Além disso, a pessoa pode necessitar tomar remédios imunossupressores por toda a vida. Saiba como é feito o transplante de pulmão e como é a recuperação

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em agosto de 2022. Revisão médica por Dr.ª Sani Santos Ribeiro - Pediatra e Pneumologista infantil, em junho de 2020.

Bibliografia

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Revisão médica:
Dr.ª Sani Santos Ribeiro
Pediatra e Pneumologista infantil
Médica formada pela Universidade Federal do Rio Grande com CRM nº 28364 e especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

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