Excesso de vitamina C: sintomas, causas e riscos

maio 2022

A ingestão de vitamina C é bastante segura, no entanto, quando consumida na forma de suplemento e sem a orientação de um médico ou nutricionista, pode fazer mal à saúde, especialmente em pessoas que têm outros problemas de saúde ou tomam algum tipo de medicamento.

Quando tomada em doses elevadas, geralmente acima de 500 mg por dia, a vitamina C pode causar sintomas como náusea, azia, diarreia, dor abdominal, aumento do volume de urina e ardor ao urinar. Além disso, é possível que o excesso de vitamina C possa também estar associado a um maior risco de doenças cardiovasculares e renais, câncer e alergias.

Assim como qualquer medicamento, o uso de suplementos de vitamina C também deve ser orientado por um nutricionista ou médico, principalmente se existir histórico de doenças.

Sintomas do excesso de vitamina C

Os sintomas mais comuns que podem indicar excesso de vitamina C incluem:

  • Diarreia;
  • Náusea;
  • Vômito;
  • Azia;
  • Dor abdominal.

Os sintomas geralmente envolvem o sistema digestório, devido à não absorção do excesso dessa vitamina, no entanto, existem outros sintomas que também podem estar relacionados ao excesso de vitamina C, principalmente ardência ao urinar e aumento do volume da urina.

Caso se esteja tomando algum suplemento com vitamina C e surjam estes sintomas, é importante consultar um médico.

O que causa excesso de vitamina C

O excesso de vitamina C geralmente está relacionado com a ingestão de grande quantidade diária dessa vitamina, o que acontece principalmente por meio de suplementos, especialmente quando são ingeridos sem orientação médica.

No entanto, a ingestão de vitamina C por meio da alimentação também pode fornecer quantidades superiores às necessidades nutricionais. Embora seja mais incomum, pode ocorrer quando existe um consumo excessivo de alimentos ricos em vitamina C como acerola, pimentão ou laranja, por exemplo. Veja mais alimentos ricos vitamina C.

Tomar vitamina C faz mal?

Existem riscos à saúde associados a tomar esta vitamina em excesso, no entanto alguns ainda são incertos. Por isso, o uso excessivo de vitamina C pode fazer mal, e em algumas situações é aconselhável consultar um médico. Essas situações incluem:

Diabetes

Os suplementos com vitamina C podem elevar os níveis de açúcar no sangue e mesmo que existam estudos que mostrem possíveis benefícios dessa vitamina sobre o seu controle, estes ainda são incertos. Portanto, pessoas com diabetes devem ter mais cuidado ao utilizá-los.

Doenças renais

Doses elevadas de vitamina C podem contribuir para a formação de pedras (cálculos) nos rins, principalmente em pessoas que já possuem doenças renais ou predisposição a estas.

Doenças que levam ao acúmulo de ferro

A vitamina C facilita a absorção de ferro no intestino, por isso pode aumentar a sobrecarga desse mineral no corpo. Dessa forma, pessoas com algumas doenças do sangue como talassemia, anemia falciforme, deficiência de G6PD ou hemocromatose devem evitar suplementos contendo vitamina C, especialmente sem orientação médica.

Câncer

É possível que exista um risco de câncer associado ao excesso de vitamina C, porque em algumas situações ela pode ter um efeito diferente do seu papel como antioxidante. No entanto, esta relação necessita de outros estudos para ser confirmada, uma vez que alguns mostram inclusive o contrário.

Além disso, tratamentos envolvendo quimioterapia e radioterapia podem ser afetados e ter sua eficácia reduzida. Nesses casos, é importante consultar o médico responsável pelo tratamento antes de iniciar o uso de vitamina C.

Uso de medicamentos

Os suplementos de vitamina C podem interagir com outros medicamentos como alguns psicoestimulantes, antidepressivos e medicamentos utilizados para tratar o colesterol elevado diminuindo seus efeitos. Assim, pode ser necessário consultar, de preferência, o médico responsável pelo tratamento antes de usar o suplemento.

Possíveis riscos da vitamina C

A ingestão de grandes quantidades de vitamina C pode estar relacionadas com desgaste dos dentes, alergias, insônia e diminuição dos níveis de vitamina B12 e cobre no sangue.

Além disso, o uso de doses elevadas de vitamina C pode ainda afetar o resultado de exames como a dosagem de glicose, bilirrubinas, creatinina, LDH e testes realizados nas fezes, contribuindo para resultados falsos e dificultando a sua interpretação pelo profissional da saúde.

Quantidade recomendada por dia

As recomendações sobre a ingestão diária de vitamina C variam principalmente com a idade, mas também são diferentes para homens, mulheres e algumas situações com maiores necessidades nutricionais, como gravidez, amamentação e em fumantes:

Idade

Homens

Mulheres

Gestação

Lactação

0-6 meses

40 mg*

40 mg*

-

-

7-12 meses

50 mg*

50 mg*

-

-

1-3 anos

15 mg

15 mg

-

-

4-8 anos

25 mg

25 mg

-

-

9-13 anos

45 mg

45 mg

-

-

14-18 anos

75 mg

65 mg

80 mg

115 mg

19+ anos

90 mg

75 mg

85 mg

120 mg

Fumantes

+ 35 mg por dia do que não fumantes.

Fazer uma alimentação saudável e equilibrada normalmente é o suficiente para suprir as necessidades diárias de vitamina C. Por esse motivo, os suplementos de vitamina C devem ser utilizados apenas com orientação de um profissional e principalmente nos casos de deficiência da vitamina. Confira os principais sinais e sintomas da falta da vitamina C.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em maio de 2022.

Bibliografia

  • GRANGER, Matthew; ECK, Peter. Dietary Vitamin C in Human Health. Advances in Food and Nutrition Research. 281-310, 2018
  • STATPEARLS. Vitamin C (Ascorbic Acid). 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK499877/?report=printable>. Acesso em 17 mai 2022
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  • REVISTA CONHECIMENTO ONLINE. Os efeitos da suplementação com vitamina C. 2017. Disponível em: <https://periodicos.feevale.br/seer/index.php/revistaconhecimentoonline/article/view/1187/2275>. Acesso em 17 mai 2022
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  • RUTKOWSKI, Maciej; GRZEGORCYK, Krzysztof. Adverse effects of antioxidative vitamins. International Journal of Occupational Medicine and Environmental Health. Vol.25, n.2. 105-121, 2019
Equipe editorial constituída por médicos e profissionais de saúde de diversas áreas como enfermagem, nutrição, fisioterapia, análises clínicas e farmácia.