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Eletroforese de hemoglobina: o que é, como é feita e para que serve

A eletroforese de hemoglobina é uma técnica diagnóstica que tem como objetivo identificar os diferentes tipos de hemoglobina que podem ser encontrados circulantes no sangue. A hemoglobina ou Hb é uma proteína presente nas hemácias responsável por se ligar ao oxigênio, permitindo o transporte para os tecidos. Saiba mais sobre a hemoglobina.

A partir da identificação do tipo de hemoglobina, é possível verificar se a pessoa possui alguma doença relacionada à síntese de hemoglobina, como talassemia ou anemia falciforme, por exemplo. No entanto, para confirmação do diagnóstico, é necessária a realização de outros exames hematológicos e bioquímicos.

Eletroforese de hemoglobina: o que é, como é feita e para que serve

Para que serve

A eletroforese de hemoglobina é solicitada para identificar alterações estruturais e funcionais relacionadas à síntese de hemoglobina. Assim, pode ser recomendada pelo médico para diagnosticar a anemia falciforme, a doença de hemoglobina C e diferenciar as talassemias, por exemplo.

Além disso, pode ser solicitada com o objetivo de aconselhar geneticamente casais que queriam ter filhos, por exemplo, sendo informado se há chance da criança ter algum tipo de distúrbio no sangue relacionado à síntese de hemoglobina. A eletroforese de hemoglobina também pode ser solicitada como exame de rotina para acompanhamento de pacientes já diagnosticados com tipos diferentes de hemoglobina.

No caso de bebês recém-nascidos a identificação do tipo de hemoglobina é feita por meio do teste do pezinho, sendo importante para o diagnóstico da anemia falciforme, por exemplo. Veja quais são as doenças detectadas pelo teste do pezinho.

Como é feita

A eletroforese de hemoglobina é feita a partir da coleta de uma amostra de sangue por um profissional capacitado em laboratório especializado, isso porque a coleta incorreta pode resultar em hemólise, ou seja, destruição das hemácias, o que pode interferir no resultado. Entenda como é feita a coleta de sangue.

A coleta deve ser feita com o paciente em jejum de pelo menos 4 horas e a amostra encaminhada para análise em laboratório, em que são identificados os tipos de hemoglobina presentes no paciente. Em alguns laboratórios, não é necessário realizar jejum para a coleta. Por isso, é importante buscar orientação do laboratório e do médico acerca do jejum para realização do exame.

O tipo de hemoglobina é identificado por meio da eletroforese em pH alcalino (em torno de 8,0 - 9,0), que é uma técnica baseada na taxa de migração da molécula quando submetida a uma corrente elétrica, havendo a visualização de bandas de acordo com o tamanho e peso da molécula. De acordo com o padrão de bandas obtidos, é feita a comparação com o padrão normal e, assim, é feita a identificação de hemoglobinas anormais.

Eletroforese de hemoglobina: o que é, como é feita e para que serve

Como interpretar os resultados

De acordo com o padrão de bandas apresentado, é possível identificar o tipo de hemoglobina do paciente. A hemoglobina A1 (HbA1) apresenta maior peso molecular, não sendo notada tanta migração, enquanto que a HbA2 é mais leve, ficando mais ao fundo do gel. Esse padrão de bandas é interpretado no laboratório e liberado em forma de laudo para o médico e para o paciente informando o tipo de hemoglobina encontrada.

A hemoglobina fetal (HbF) está presente em maiores concentrações no bebê, no entanto, à medida que ocorre o desenvolvimento, as concentrações de HbF diminuem ao passo que a HbA1 aumenta. Assim, as concentrações de cada tipo de hemoglobina variam de acordo com a idade, sendo normalmente:

Tipo de hemoglobinaValor normal
HbF

1 a 7 dias de idade: até 84%;

8 a 60 dias de idade: até 77%;

2 a 4 meses de idade: até 40%;

4 a 6 meses de idade: até 7,0%

7 a 12 meses de idade: até 3,5%;

12 a 18 meses de idade: até 2,8%;

Adulto: 0,0 a 2,0%

HbA1Igual ou superior a 95%
HbA21,5 - 3,5%

No entanto, algumas pessoas apresentam alterações estruturais ou funcionais relacionadas à síntese de hemoglobina, resultando em hemoglobinas anormais ou variantes, como por exemplo a HbS, a HbC, HbH e a Hb de Barts.

Assim, a partir da eletroforese de hemoglobinas, é possível identificar a presença de hemoglobinas anormais e, com o auxílio de outra técnica diagnóstica denominada HPLC, é possível verificar a concentração das hemoglobinas normais e anormais, podendo ser indicativo de:

Resultado da hemoglobinaHipótese diagnóstica
Presença de HbSSAnemia falciforme, que é caracterizada pela alteração no formato da hemácia devido a uma mutação na cadeia beta da hemoglobina. Conheça os sintomas da anemia falciforme.
Presença de HbASTraço falciforme, em que a pessoa é portadora do gene responsável pela anemia falciforme, mas não apresenta sintomas, no entanto pode passar esse gene para outras gerações:
Presença de HbCIndicativo de doença da Hemoglobina C, em que podem ser observados cristais de HbC no esfregaço sanguíneo, principalmente quando o paciente for HbCC, em que a pessoa possui anemia hemolítica de grau variável. 
Presença da Hb de Barts

A presença desse tipo de hemoglobina indica uma condição grave conhecida como hidropsia fetal, que pode resultar em óbito do feto e consequentemente aborto. Saiba mais sobre a hidropsia fetal.

Presença de HbHIndicativo da doença da Hemoglobina H, que é caracterizada pela precipitação e hemólise extravascular.

No caso do diagnóstico da anemia falciforme pelo teste do pezinho, o resultado normal é HbFA (ou seja, o bebê possui tanto a HbA quanto a HbF, o que é normal), enquanto que os resultados HbFAS e HbFS são indicativos de traço falciforme e anemia falciforme respectivamente.

O diagnóstico diferencial das talassemias também pode ser feito por meio da eletroforese de hemoglobina associada ao HPLC, em que são verificadas a concentrações de cadeias alfa, beta, delta e gama, verificando a ausência ou presença parcial dessas cadeias globinas e, de acordo com o resultado, determinar o tipo de talassemia. Saiba como identificar a talassemia.

Para confirmação do diagnóstico de qualquer doença relacionada à hemoglobina é preciso que sejam solicitados outros exames como dosagem de ferro, ferritina, transferrina, além de hemograma completo. Veja como interpretar o hemograma.

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