Anemia falciforme: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
abril 2022
  1. Sintomas
  2. Diagnóstico
  3. Causas
  4. Tratamento
  5. Complicações

A anemia falciforme é uma doença hereditária que causa alteração no formato dos glóbulos vermelhos, que, em vez de terem a forma de um disco, ficam com uma forma semelhante a uma foice ou meia lua.

Devido a essa alteração, os glóbulos vermelhos se tornam menos capazes de transportar oxigênio pelo corpo, o que causa os sintomas típicos de anemia como cansaço excessivo e palidez. Além disso, a forma alterada dos glóbulo vermelhos aumenta ainda o risco de obstrução dos vasos sanguíneos, o que pode levar a outros sintomas da anemia falciforme como dor generalizada, fraqueza e apatia.

A anemia falciforme pode ser tratada com o uso de remédios que devem ser tomados durante toda a vida para diminuir o risco de complicações, no entanto a cura só acontece por meio do transplante de células tronco hematopoiéticas.

Principais sintomas

A anemia falciforme causa sintomas semelhantes a qualquer outro tipo de anemia, como cansaço, palidez e sono. No entanto, também pode apresentar outros sintomas característicos:

  • Dor nos ossos e articulações porque o oxigênio chega em menor quantidade, principalmente nas extremidades, como mãos e pés;
  • Crises de dor no abdome, tórax e região lombar, devido a morte das células da medula óssea, e pode ter associação com febre, vômitos e urina escura ou com sangue;
  • Infecções frequentes porque os glóbulos vermelhos podem danificar o baço, que é um órgão importante no combate a infecções;
  • Atraso no crescimento e da puberdade, pois os glóbulos vermelhos da anemia falciforme fornecem menos oxigênio e nutrientes para o corpo crescer e se desenvolver;
  • Olhos e pele amarelados devido ao fato dos glóbulos vermelhos "morrerem" mais rapidamente e, por isso, o pigmento bilirrubina se acumular no organismo causando a cor amarelada na pele e olhos.

Estes sintomas aparecem, geralmente, após os 4 meses de idade, mas o diagnóstico geralmente é feito nos primeiros dias de vida, desde que o recém-nascido faça o teste do pezinho. Saiba mais sobre o teste do pezinho e que doenças detecta.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da anemia falciforme geralmente é feito através do teste do pezinho nos primeiros dias de vida do bebê, que analisa uma amostra de sangue retirada do calcanhar.

Além disso, o diagnóstico da anemia falciforme também pode ser feito por meio da dosagem de bilirrubina no exame de sangue, em pessoas que não realizaram o teste do pezinho ao nascer. Nesses casos é observada a presença de hemácias em forma de foice, presença de reticulócitos, pontilhado basófilo e valor da hemoglobina abaixo do valor normal de referência, normalmente entre 6 e 9,5 g/dL.

O que causa a anemia falciforme

A anemia falciforme é uma doença genética e hereditária, o que significa que, em alguns casos, é passada dos pais para os filhos.

Sempre que uma pessoa é diagnosticada com a doença, significa que possui o gene SS (ou hemoglobina SS). Embora os pais possam não ter anemia falciforme, se ambos possuírem o gene AS (ou hemoglobina AS), é indicativo de que são portadores da doença, o que faz com que existam chances do filho ter a doença (25% de chance) ou ser portador (50% de chance) da doença.

Como é feito o tratamento

O tratamento para anemia falciforme é feito com o uso de medicamentos e em alguns casos pode ser necessária a transfusão sanguínea.

Os medicamentos utilizados são principalmente Penicilina nas crianças desde os 2 meses até aos 5 anos de idade, para evitar o aparecimento de complicações como a pneumonia, por exemplo. Além disso, podem também ser utilizados remédios analgésicos e anti-inflamatórios para aliviar a dor durante uma crise e inclusive usar máscara de oxigênio para aumentar a quantidade de oxigênio no sangue e facilitar a respiração.

O tratamento da anemia falciforme deve ser realizado por toda a vida porque estes pacientes podem apresentar infecções frequentes. A febre pode indicar infeção e por isso se a pessoa com anemia falciforme apresentar febre deve ir imediatamente ao médico porque pode desenvolver septicemia em apenas 24 horas, podendo ser fatal. Remédios para baixar a febre não devem ser usados sem conhecimento médico.

Além disso, o transplante de medula óssea também é uma forma de tratamento, indicada para alguns casos graves e selecionados pelo médico, podendo vir a curar a doença, entretanto apresenta alguns riscos, como uso de medicamentos que reduzem a imunidade. Saiba como é feito o transplante de medula óssea e possíveis riscos.

Possíveis complicações

As complicações que podem afetar os paciente com anemia falciforme podem ser:

  • Inflamação das articulações das mãos e dos pés que deixa-os inchados e muito doloridos e deformados;
  • Aumento do risco de infecções devido ao comprometimento do baço, que não irá filtrar o sangue devidamente, permitindo assim a presença de vírus e bactérias no corpo;
  • Comprometimento dos rins, com aumento da frequência urinária, comum também a urina ser mais escura e a criança fazer xixi na cama até a adolescência;
  • Feridas nas pernas que são de difícil cura e que necessitam de curativos 2 vezes ao dia;
  • Comprometimento do fígado que se manifesta através de sintomas como cor amarelada nos olhos e na pele, mas que não é hepatite;
  • Pedras na vesícula;
  • Diminuição da visão, cicatrizes, manchas e estrias nos olhos, em alguns casos pode levar à cegueira;
  • AVC, devido a dificuldade do sangue em irrigar o cérebro;
  • Insuficiência cardíaca, com cardiomegalia, infartos e sopro no coração;
  • Priapismo, que é a ereção dolorosa, anormal e persistente não acompanhada de desejo sexual ou excitação, comum em homens jovens.

As transfusões de sangue também podem fazer parte do tratamento, para aumentar o número de glóbulos vermelhos na circulação, sendo que apenas o transplante de células tronco hematopoiéticas oferece a única cura potencial para a anemia falciforme, porém com poucas indicações devido aos riscos associados ao procedimento.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em abril de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em abril de 2020.

Bibliografia

  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Manual de Diagnóstico e Tratamento de Doença Falciformes. - Brasília : ANVISA, 2001..
  • Viviane Marques. REVENDO A ANEMIA FALCIFORME: SINTOMAS, TRATAMENTOS E PERSPECTIVAS. TCC, 2011. FAEMA.
Mostrar bibliografia completa
  • Ministério da Saúde do Brasil. CONITEC. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Doença Falciforme. Relatório de recomendação do COMITEC, 2016. Disponivel em: http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2016/Relatorio_PCDT_DoencaFalciforme_CP_2016_v2.pdf.
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.