Elefantíase: o que é, sintomas, transmissão e tratamento

Revisão clínica: Marcela Lemos
Biomédica
agosto 2022

A elefantíase é uma doença parasitária, causada principalmente pelo parasita Wuchereria bancrofti, que afeta os vasos linfáticos, causando sua inflamação, e resultando em obstrução do fluxo de linfa, o que leva ao acúmulo de líquido e inchaço em alguns órgãos, como braço, testículo, no caso dos homens, e pernas, principalmente.

A elefantíase, também chamada de filariose, é transmitida através da picada do mosquito Culex sp., conhecido como mosquito palha ou pernilongo, que é capaz de transportar as larvas do verme, e depositar a larva na corrente sanguínea durante a picada.

O tratamento da elefantíase deve ser indicado pelo infectologista ou clínico geral, sendo normalmente recomendado o uso de antiparasitários, como dietilcarbamazina ou ivermectina, com o objetivo de eliminar o parasita.

Sintomas de elefantíase

Os principais sintomas de elefantíase são:

  • Febre alta;
  • Calafrios;
  • Dor de cabeça;
  • Mal estar geral;
  • Abscesso, inchaço ou dor no local da picada;
  • Caroço no local da picada;
  • Dor muscular;
  • Intolerância à luz;
  • Reações alérgicas;
  • Asma;
  • Coceira pelo corpo;
  • Pericardite;
  • Aumento dos gânglios linfáticos;
  • Inchaço dos membros, como pernas, braços, mamas, testículo ou saco escrotal;
  • Inflamação dor ou inchaço nos testículos (orquite), cordão espermático (funiculite) ou ductos espermáticos (epididimite), em homens.

Os sintomas de elefantíase podem surgir após vários meses da infecção pelo parasita e acontecem devido ao desenvolvimento e espalhamento das larvas do parasita pelo organismo. 

Após meses a anos, caso a filariose não seja devidamente tratada, a presença das filárias adultas na circulação faz com que se formem cicatrizes e haja obstrução dos vasos linfáticos, o que impede o fluxo de linfa e resulta no acúmulo deste líquido nos membros afetados, causando inchaço crônico e espessamento da pele, o que dá o aspecto semelhante ao de um elefante, que origina o nome da doença.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da elefantíase é feito pelo infectologista ou clínico geral através da observação dos sinais e sintomas apresentados, além de ser necessário para confirmar o diagnóstico a realização de exames de sangue que ajudam a identificar o parasita ou a resposta imunológica do organismo. A coleta do sangue deve ser feita preferencialmente à noite, pois há maior quantidade de parasita na circulação nesse período, facilitando o diagnóstico.

O diagnóstico nem sempre é feito nas fases iniciais da doença, isso porque a doença evolui muito lentamente ao longo dos anos, havendo constante multiplicação e espalhamento do parasita no organismo, podendo levar ao aparecimento de sinais e sintomas de outras doenças.

Como ocorre a transmissão

A transmissão da elefantíase acontece quando o mosquito Culex sp. pica a pessoa, passando as larvas do tipo L3, para a corrente sanguínea, onde são transportadas até alcançar os vasos linfáticos, se desenvolvendo esses vasos linfáticos até a fase adulta, havendo liberação de novas larvas na circulação sanguínea e linfática.

A pessoa infectada pelo Wuchereria bancrofti não passa o parasita para outras pessoas, no entanto se um mosquito o picar, pode ser infectado e, assim, transmitir o parasita para outras pessoas.

Como é feito o tratamento

O tratamento da elefantíase é feito com o uso de medicamentos antiparasitários indicados pelo médico, como dietilcarbamazina, ivermectina ou albendazol, que são capazes de matar as larvas da filária e impedir complicações. No entanto, podem causar efeitos colaterais, que podem ser aliviados com o uso de remédios anti-histamínicos ou anti-inflamatórios receitados pelo médico.

Em alguns casos, pode ser necessária a realização de cirurgia para remover os restos de vermes adultos e as calcificações no sistema linfático, o que melhora a drenagem linfática, diminuindo os sintomas da elefantíase. Além disso, a cirurgia é recomendada para o tratamento do acúmulo de líquido no saco escrotal, ajudando a aliviar a dor e o inchaço.

Além disso, para o tratamento da elefantíase nas pernas, o médico pode também indicar elevar as pernas ou usar meias elásticas de compressão.

Prevenção da elefantíase

A prevenção da elefantíase é feita se evitando o contato com mosquitos transmissores, através de medidas como:

  • Uso de mosquiteiro para dormir;
  • Telas nas janelas e nas portas;
  • Evitar deixar água parada em pneus, garrafas e vasos de plantas, por exemplo;
  • Usar repelente diariamente;
  • Evitar locais com moscas e mosquitos.

Além disso, cabe ao governo utilizar meios para combater as moscas e mosquitos como a pulverização de venenos pelo ar, como o fumacê e as medidas de saneamento básico.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em agosto de 2022. Revisão clínica por Marcela Lemos - Biomédica, em agosto de 2022.

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Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.