Aspirina na gravidez: pode causar aborto?

outubro 2022

Durante a gravidez, o uso da Aspirina, quando utilizado em altas doses no primeiro trimestre da gestação, pode causar aborto espontâneo ou malformações no feto. Já quando utilizado no terceiro trimestre da gestação, pode aumentar o risco de problemas cardíacos no bebê, ou complicações durante o parto.

No entanto, alguns estudos científicos mostram que a aspirina quando tomada em baixas doses, geralmente entre 60 mg a 100 mg, durante o primeiro trimestre da gravidez,  não é prejudicial, podendo ser recomendado pelo médico nos casos de mulheres que tiveram abortos espontâneos, ou que tenham problemas de coagulação ou pré-eclâmpsia [1,2]

Por isso, é importante ter a orientação do obstetra durante toda a gestação, evitar o uso de remédios por contra própria, e tomar a aspirina somente se recomendado pelo médico, após avaliação do estado de saúde da mulher.

Dose segura de Aspirina na gravidez

Para usar a Aspirina na gravidez, as doses normalmente recomendadas são:

Período de Gestação

Dose

1º trimestre (1 a 13 semanas)

No máximo 100 mg por dia

2º trimestre (14 a 26 semanas)

No máximo 100 mg por dia

3º trimestre (depois das 27 semanas)

Contraindicado - Nunca usar

Durante a amamentação

No máximo 150 mg por dia

Apesar do médico poder receitar o uso de pequenas doses de Aspirina no 1º e no 2º trimestre de gestação, a Aspirina é absolutamente contraindicada no 3º trimestre, pois pode causar problemas cardíacos ou renais no bebê, além de pode reduzir a quantidade de líquido amniótico, causar parto prematuro, ou complicações na hora do parto, como hemorragia pós-parto, o que pode colocar em risco a vida da mulher. 

O uso da Aspirina depois do parto também deve ser feito com cautela porque doses diárias acima de 150 mg passam pelo leite materno e podem prejudicar o bebê. Se houver necessidade de tratamento com doses maiores, o médico deve recomendar interromper a amamentação.

Outras alternativas à aspirina

Para combater a febre e a dor durante a gravidez, o único remédio recomendado é o paracetamol, que é um analgésico indicado para o alívio da dor. No entanto, recomenda-se entrar em contato com o obstetra que faz o acompanhamento pré-natal para garantir o uso seguro e na dose correta durante a gravidez. Saiba como tomar o paracetamol na gravidez

Ainda assim, é importante usar o paracetamol na menor dose possível e pelo menor período de tempo, já que existe um pequeno risco de afetar o normal desenvolvimento do bebê.

Remédios caseiros contra febre e dor na gravidez

Alguns remédios caseiros contra febre e dor na gravidez são:

  • Febre: é mais indicado adotar estratégias simples como tomar banho, molhar os pulsos, as axilas e a nuca com água fresca e usar menos roupa, descansando num local bem ventilado;
  • Dor: tomar o chá de camomila que tem ação calmante ou aproveitar a aromaterapia com lavanda que tem o mesmo efeito. Confira os chás que a grávida não deve tomar na gravidez

É importante consultar o obstetra sempre que surgir dor ou febre na gravidez, para que seja identificada a causa, e indicado o tratamento mais adequado.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em outubro de 2022.

Bibliografia

  • FDA. FDA recommends avoiding use of NSAIDs in pregnancy at 20 weeks or later because they can result in low amniotic fluid. Disponível em: <https://www.fda.gov/drugs/drug-safety-and-availability/fda-recommends-avoiding-use-nsaids-pregnancy-20-weeks-or-later-because-they-can-result-low-amniotic#:~:text=We%20recommend%20that%20health%20care,dose%20and%20shortest%20duration%20possible.>. Acesso em 20 out 2022
  • DRUGS AND LACTATION DATABASE (LACTMED) [INTERNET]. BETHESDA (MD): NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE (US). AAspirin. 2021. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK501196/>. Acesso em 20 out 2022
Mostrar bibliografia completa
  • CONNELL, M. T.; et al. The Effects of Aspirin in Gestation and Reproduction (EAGeR) Trial: A Story of Discovery. Semin Reprod Med. 35. 04; 344-352, 2017
  • DANIEL, S.; et al. NSAIDs and spontaneous abortions – true effect or an indication bias?. British Journal of Clinical Pharmacology. 80. 4; 750-754, 2015
  • BLOMQVIST, L.; et al. Acetylsalicylic acid does not prevent first-trimester unexplained recurrent pregnancy loss: A randomized controlled trial. Acta Obstet Gynecol Scand. 97. 11; 1365-1372, 2018
  • HENDERSON, J. T.; et al. Low-Dose Aspirin for Prevention of Morbidity and Mortality From Preeclampsia: A Systematic Evidence Review for the U.S. Preventive Services Task Force. Annals of Internal Medicine. 160. 10; 695, 2014
  • SCHISTERMAN, E. F.; et al. Preconception low-dose aspirin and pregnancy outcomes: results from the EAGeR randomised trial. The Lancet. 384. 9937; 29-36, 2014
  • JEIM, S. A.; KLEBANOFF, m. A. Aspirin use and miscarriage risk. Epidemiology. 17. 4; 435-9, 2006
Equipe editorial constituída por médicos e profissionais de saúde de diversas áreas como enfermagem, nutrição, fisioterapia, análises clínicas e farmácia.

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