O que pode ser a dor de barriga na gravidez (e o que fazer)

março 2022

A dor de barriga na gravidez pode ser causada pelo crescimento do útero, prisão de ventre ou gases, e pode ser aliviada através de uma alimentação equilibrada, exercício físico ou chás.

Porém, ela também pode indicar situações mais graves, como gravidez ectópica, descolamento da placenta, pré-eclâmpsia ou até mesmo aborto. Nestes casos, a dor, geralmente, vem acompanhada de sangramento vaginal, inchaço ou corrimento.

Independente da causa, quando a dor é muito intensa, não melhora ou é acompanhada de outros sintomas, é aconselhado ir ao hospital ou consultar o obstetra, de forma a identificar a causa correta e iniciar o tratamento mais adequado.

1º trimestre da gravidez

As principais causas de dor abdominal no primeiro trimestre de gravidez, que corresponde ao período de 1 a 12 semanas de gestação, incluem:

Infecção urinária

A infecção urinária é um problema muito comum da gestação e que é mais frequente de acontecer no início da gestação, podendo ser percebida por meio do surgimento de dor no fundo do abdômen, queimação e dificuldade para urinar, vontade urgente de urinar mesmo tendo pouca urina, febre e enjoos.

O que fazer: É recomendado ir ao médico para que seja feito um exame de urina para confirmar a infecção urinária e iniciar o tratamento com antibióticos, repouso e ingestão de líquidos.

Gravidez ectópica

A gravidez ectópica acontece devido ao crescimento do feto fora do útero, sendo mais comum nas trompas e, por isso, pode surgir até às 10 semanas de gestação. A gravidez ectópica normalmente é acompanhada de outros sintomas, como dor abdominal intensa em apenas um lado da barriga e que piora com o movimento, sangramento vaginal, dor durante o contato íntimo, tonturas, náuseas ou vômitos.

O que fazer: Em caso de suspeita de gravidez ectópica deve-se ir imediatamente ao pronto-socorro para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado, que geralmente é feito a partir de uma cirurgia para retirada do embrião. Entenda mais sobre como deve ser feito o tratamento para gravidez ectópica.

Aborto espontâneo

O aborto é uma situação de emergência e que acontece com mais frequência antes das 20 semanas e pode ser percebido por meio da dor abdominal no pé da barriga, sangramento vaginal ou perda de líquidos pela vagina, saída de coágulos ou tecidos, e dor de cabeça. Veja lista completa dos sintomas de aborto.

O que fazer: É recomendado ir imediatamente ao hospital para realizar uma ultrassonografia para verificar os batimentos cardíacos do bebê e confirmar o diagnóstico. Quando o bebê encontra-se sem vida, deve ser realizada uma curetagem ou cirurgia para sua retirada, mas quando o bebê ainda encontra-se vivo, podem ser realizados tratamentos para salvar o bebê.

2º trimestre de gravidez

A dor no 2º trimestre da gravidez, que corresponde ao período de 13 a 24 semanas, normalmente é causada por problemas como:

Pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia é o aumento de forma súbita da pressão arterial na gravidez, que é difícil de tratar e que pode representar risco tanto para a mulher quanto para o bebê. Os principais sinais e sintomas de pré-eclâmpsia são dor na parte superior direita do abdômen, náuseas, dor de cabeça, inchaço das mãos, pernas e rosto, além de visão embaçada.

O que fazer: é recomendado ir ao obstetra o mais cedo possível para avaliar a pressão arterial e iniciar o tratamento com internamento porque esta é uma situação grave que coloca em risco a vida da mãe e do bebê. Veja como deve ser o tratamento para pré-eclâmpsia.

Descolamento da placenta

O descolamento da placenta é um problema grave da gravidez que pode se desenvolver após as 20 semanas e que pode provocar o parto prematuro ou aborto dependendo das semanas de gestação. Essa situação gera sintomas como dor abdominal intensa, sangramento vaginal, contrações e dor no fundo das costas.

O que fazer: Ir imediatamente para o hospital para avaliar os batimentos cardíacos do bebê e realizar o tratamento, que pode ser feito com remédios para impedir a contração uterina e repouso. Nos casos mais graves pode ser feito o parto antes da data prevista, caso seja necessário. Saiba o que se pode fazer para tratar o descolamento da placenta.

Contrações de treinamento

As contrações de Braxton Hicks são as contrações de treinamento que normalmente surgem após as 20 semanas e duram menos de 60 segundos, apesar de poderem acontecer várias vezes ao dia e de provocarem pouca dor abdominal. Nesse momento, a barriga fica momentaneamente dura, o que nem sempre causa dor abdominal. Mas em alguns casos pode haver dor na vagina ou no pé da barriga, que dura alguns segundos e depois desaparece.

O que fazer: É importante nesse momento tentar manter a calma, repousar e mudar de posição, deitando de lado e colocando um travesseiro por baixo da barriga ou entre as pernas para se sentir mais confortável.

3º trimestre de gravidez

As principais causas de dor abdominal no 3º trimestre de gravidez, que corresponde ao período de 25 a 41 semanas, são:

Prisão de ventre e gases

A prisão de ventre é mais comum no final da gestação devido ao efeito dos hormônios e da pressão do útero sobre o intestino, que diminui o seu funcionamento, facilitando o desenvolvimento de prisão de ventre e surgimento de gases. Tanto a prisão de ventre quanto os gases levam ao surgimento de desconforto ou dor abdominal do lado esquerdo e cólicas, além da barriga pode estar mais endurecida nesse local da dor. Conheça outras causas de cólica na gravidez.

O que fazer: Ingerir alimentos ricos em fibras, como gérmen de trigo, verduras, cereais, melancia, mamão, alface e aveia, beber cerca de 2 litros de água por dia e praticar exercícios físicos leves, como caminhadas de 30 minutos, pelo menos 3 vezes por semana. É recomendado consultar o médico se a dor não melhorar no mesmo dia, se não fizer cocô 2 dias seguidos ou se surgirem outros sintomas como febre ou aumento da dor.

Dor no ligamento redondo

A dor no ligamento redondo surge devido ao alongamento excessivo do ligamento que liga o útero à região pélvica, devido ao crescimento da barriga, levando ao aparecimento de dor na parte inferior do abdômen que se estende para a virilha e que dura apenas alguns segundos.

O que fazer: Sentar, tentar relaxar e, se ajudar, mudar de posição para aliviar a pressão no ligamento redondo. Outras opções são dobrar os joelhos sob o abdômen ou deitar de lado colocando um travesseiro sob a barriga e outro entre as pernas.

Trabalho de Parto

O trabalho de parto é a principal causa de dor abdominal no final da gravidez e é caracterizado por dor abdominal, cólicas, aumento da secreção vaginal, corrimento gelatinoso, sangramento vaginal e contrações uterinas com intervalos regulares. Saiba quais são os 3 principais sinais de trabalho de parto

O que fazer: Ir para o hospital para avaliar se realmente está em trabalho de parto, já que estas dores podem se tornar regulares durante algumas horas, mas podem desaparecer completamente durante a noite inteira, por exemplo, e voltar a surgir no dia seguinte, com as mesmas características. Se possível, é indicado ligar para o médico para confirmar se é trabalho de parto e quando deve ir ao hospital.

Quando ir ao hospital

A dor abdominal persistente no lado direito, próxima do quadril e febre baixa que podem surgir em qualquer fase da gravidez podem indicar apendicite, uma situação que pode ser grave e que por isso deve ser despistada o quanto antes, sendo recomendado ir imediatamente ao hospital. Além disso, também deve-se ir imediatamente para o hospital ou consultar o obstetra que acompanha a gravidez quando apresenta:

  • Dor abdominal antes das 12 semanas de gestação, com ou sem sangramento vaginal;
  • Sangramento vaginal e cólicas fortes;
  • Forte dor de cabeça;
  • Mais de 4 contrações em 1 hora durante 2 horas;
  • Inchaço acentuado das mãos, pernas e rosto;
  • Dor ao urinar, dificuldade ao urinar ou urina com sangue;
  • Febre e calafrios;
  • Corrimento vaginal.

A presença destes sintomas pode indicar uma complicação grave, como a pré-eclâmpsia ou gravidez ectópica, e, por isso, é importante a mulher consultar o obstetra ou ir imediatamente para o hospital para receber o tratamento adequado o mais cedo possível.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em março de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.