Corrimento marrom na gravidez: o que pode ser e o que fazer

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
maio 2022

O corrimento marrom na gravidez é considerado normal, especialmente quando acontece em pequena quantidade, durante o primeiro trimestre e possui duração de até 3 dias.

No entanto, quando é acompanhando por outros sintomas como dor na região pélvica, sensação de peso na vagina, dor e ardor para urinar, febre ou calafrios, o corrimento marrom na gravidez também pode ser sinal de infecções, gravidez ectópica ou de aborto espontâneo, por exemplo.

Na presença de outros sintomas além do corrimento marrom, é importante que o médico seja consultado, para fazer exames que ajudem a identificar a causa e iniciar o tratamento mais adequado, prevenindo complicações para a mãe e para o bebê.

As principais causas de corrimento marrom na gravidez são:

1. Alterações normais da gravidez

Pequenos corrimentos marrom, com consistência mais aquosa ou gelatinosa são comuns, especialmente no início da gestação, isso porque pode haver alteração no pH da região genital, resultando no corrimento em pequena quantidade e que dura cerca de 2 a 3 dias. É possível também notar pequeno corrimento marrom após a realização de algum esforço físico, como ir para a academia, subir escadas com bolsas de compras, ou fazer faxina, por exemplo, que é uma atividade mais intensa.

O que fazer: O corrimento marrom em pequena quantidade é considerado normal, não sendo necessário realizar qualquer tratamento. No entanto, caso o corrimento seja mais intenso, dure mais que 3 dias ou caso surjam outros sintomas como coceira na vagina, mau cheiro, dor abdominal ou cólica, é importante que o ginecologista seja consultado para que seja feita uma avaliação e possa ser identificada a causa do corrimento e dos sintomas e, assim, ser possível iniciar o tratamento para prevenir complicações para a mulher e para o bebê.

2. Infecção

Infecções urinárias, sexualmente transmissíveis ou do colo do útero também podem levar ao aparecimento do corrimento marrom, além de outros sintomas como mau cheiro, coceira na região genital, dor e queimação ao urina e dor na região pélvica, por exemplo.

O que fazer: Nesse caso, é importante que o ginecologista seja consultado, pois assim é possível indicar o tratamento mais adequado de acordo com o tipo de infecção e agente responsável, podendo ser indicado pelo médico o uso de medicamentos antimicrobianos. Além disso, é recomendado que a mulher faça uso de roupa íntima de algodão, evite o uso de protetores diários e vista roupas leves, pois assim é possível prevenir novas infecções.

3. Gravidez ectópica

A gravidez ectópica é uma situação em que a implantação do embrião e desenvolvimento da gravidez acontece fora do útero, podendo acontecer nas tubas uterinas, ovário, cavidade abdominal ou cérvix, por exemplo. Assim, como consequência da implantação incorreta, é possível notar alguns sintomas como dor abdominal intensa, sensação de peso na vagina, dor durante a palpação do útero ou durante a realização de exame pélvico, corrimento marrom e/ou sangramento fora do período menstrual.

O que fazer: É fundamental que o ginecologista seja consultado para que seja feito um exame de ultrassonografia para que possa ser identificado o local de implantação do embrião e, assim, possa ser avaliado se a continuação da gravidez representa risco para a mulher ou para o bebê. Entenda melhor como deve ser o tratamento da gravidez ectópica.

4. Aborto

O corrimento marrom na gravidez pode também ser indicativo do início do processo de aborto espontâneo, principalmente quando acontece até a semana 20 de gestação e é acompanhado por outros sintomas como febre e calafrios, dor abdominal forte, perda de líquidos pela vagina sem cor ou odor, liberação de coágulos e ausência de movimentos fetais por mais de 5 horas. Confira outros sinais e sintomas indicativos de aborto espontâneo.

O que fazer: Ao serem notados sintomas possivelmente indicativos de aborto, é importante que o médico seja consultado, pois assim é possível que sejam feitos exames que permitem confirmar o aborto e seja indicado o tratamento com medicamentos e repouso, em alguns casos. Além disso, pode ser feito um exame que permite verificar se ainda existem vestígios do embrião e, em caso positivo, pode ser indicada a realização de uma curetagem. Conheça as possíveis causas de aborto espontâneo.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em maio de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • HASAM, Reen et. al.. Patterns and predictors of vaginal bleeding in the first trimester of pregnancy. Ann Epidemiol.. Vol.20. 7.ed; 524-531, 2010
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.

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