Corrimento marrom na gravidez: o que pode ser (e o que fazer)

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
agosto 2022

O corrimento marrom na gravidez é normal, especialmente quando acontece em pequena quantidade, durante o primeiro trimestre e possui duração de até 3 dias.

No entanto, quando o corrimento marrom é acompanhando de outros sintomas como dor na região pélvica, sensação de peso na vagina, dor e ardor para urinar, febre ou calafrios, também pode ser sinal de infecções, gravidez ectópica ou de aborto espontâneo, por exemplo.

Na presença de outros sintomas além do corrimento marrom, é importante que o médico seja consultado, para fazer exames que ajudem a identificar a causa e iniciar o tratamento mais adequado, prevenindo complicações para a mãe e para o bebê.

As principais causas de corrimento marrom na gravidez são:

1. Alterações normais da gravidez

Pequenos corrimentos marrom, com consistência mais aquosa ou gelatinosa são comuns, especialmente no início da gestação, isso porque pode haver alteração no pH da região genital, resultando no corrimento em pequena quantidade e que dura cerca de 2 a 3 dias.

É possível também notar pequeno corrimento marrom após a realização de algum esforço físico, como ir para a academia, subir escadas com bolsas de compras, ou fazer faxina, por exemplo, que é uma atividade mais intensa.

O que fazer: O corrimento marrom em pequena quantidade é considerado normal, não sendo necessário realizar qualquer tratamento. No entanto, caso o corrimento seja mais intenso, dure mais que 3 dias ou caso surjam outros sintomas como coceira na vagina, mau cheiro, dor abdominal ou cólica, é importante que o ginecologista seja consultado para que seja feita uma avaliação e possa ser identificada a causa do corrimento e dos sintomas e, assim, ser possível iniciar o tratamento para prevenir complicações para a mulher e para o bebê.

2. Infecção sexualmente transmissível

Algumas infecções sexualmente transmissíveis, como a gonorreia ou a clamídia, também podem causar o corrimento marrom, que pode ser notado logo após as relações sexuais sem proteção, podendo ser também identificados outros sintomas como mau cheiro do corrimento, dor e ardor ao urinar, dor na região pélvica e sangramento durante a relação sexual.

O que fazer: nesse caso, é importante que o ginecologista seja consultado para que seja possível iniciar o tratamento mais adequado de acordo com o tipo de infecção e agente infeccioso responsável, podendo ser indicado o uso de antibióticos, como Ceftriaxona, Doxiciclina ou Azitromicina. Além disso, também é importante que o parceiro sexual realize o tratamento indicado pelo médico, mesmo que não tenham sido identificados sintomas.

3. Infecções urinárias

As infecções urinárias podem causar corrimento marrom na gravidez, podendo estar acompanhado por outros sintomas, como sensação de peso ou mal-estar na bexiga, dor ou sensação de ardor ao urinar, vontade frequente e repentina para urinar, urinar em pouca quantidade e sensação de que não se consegue esvaziar completamente a bexiga.

O que fazer: em caso de suspeita de infecção urinária é importante consultar o ginecologista obstetra para que seja indicada a realização de exame de urina que permita diagnosticar a infecção. Uma vez confirmada a infecção, o médico pode indicar o uso de antibiótico adequado durante a gravidez durante 7 a 14 dias. Veja mais sobre a infecção urinária na gravidez.

4. Gravidez ectópica

A gravidez ectópica é uma situação em que a implantação do embrião e desenvolvimento da gravidez acontece fora do útero, podendo acontecer nas tubas uterinas, ovário, cavidade abdominal ou cérvix, por exemplo. Assim, como consequência da implantação incorreta, é possível notar alguns sintomas como dor abdominal intensa, sensação de peso na vagina, dor durante a palpação do útero ou durante a realização de exame pélvico, corrimento marrom e/ou sangramento fora do período menstrual.

O que fazer: É fundamental que o ginecologista seja consultado para que seja feito um exame de ultrassonografia para que possa ser identificado o local de implantação do embrião e, assim, possa ser avaliado se a continuação da gravidez representa risco para a mulher ou para o bebê. Entenda melhor como deve ser o tratamento da gravidez ectópica.

5. Aborto

O corrimento marrom na gravidez pode também ser indicativo do início do processo de aborto espontâneo, principalmente quando acontece até a semana 20 de gestação e é acompanhado por outros sintomas como febre e calafrios, dor abdominal forte, perda de líquidos pela vagina sem cor ou odor, liberação de coágulos e ausência de movimentos fetais por mais de 5 horas. Confira outros sinais e sintomas indicativos de aborto espontâneo.

O que fazer: Ao serem notados sintomas possivelmente indicativos de aborto, é importante que o médico seja consultado, pois assim é possível que sejam feitos exames que permitem confirmar o aborto e seja indicado o tratamento com medicamentos e repouso, em alguns casos. Além disso, pode ser feito um exame que permite verificar se ainda existem vestígios do embrião e, em caso positivo, pode ser indicada a realização de uma curetagem. Conheça as possíveis causas de aborto espontâneo.

6. Trauma leve no colo uterino

Durante a gravidez, os tecidos em volta do colo uterino ficam mais vascularizadas, havendo maior risco de sangramento. De forma que, um pequeno trauma no cérvix pode causar o surgimento do corrimento marrom, não sendo preocupante, e podendo acontecer depois de relações sexuais ou após um exame pélvico.

O que fazer: de forma geral, não é necessário tratamento, no entanto se o corrimento marrom permanecer ou aumentar o longo do tempo, é importante que o médico seja consultado para que seja feita uma avaliação e, assim, seja indicado o tratamento mais adequado, caso seja necessário.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em agosto de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

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Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.

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