Coprológico funcional: o que é, para que serve (e como é feito)

O coprológico funcional é um exame das fezes que permite avaliar, de forma simples, como o sistema digestivo está funcionando, ajudando a perceber se a digestão, a absorção e o trânsito intestinal estão ocorrendo adequadamente.

Para realizar o exame, recomenda-se manter nos três dias anteriores uma dieta variada e suspender medicamentos que possam alterar a digestão ou o trânsito intestinal, e no dia da coleta, deve-se recolher a primeira evacuação da manhã.

O exame é indicado quando há sintomas gastrintestinais persistentes, como diarreia, constipação, dor ou alterações nas fezes, e pode ajudar a identificar alterações, como doença celíaca, intolerâncias alimentares e doença de Crohn, por exemplo.

Imagem ilustrativa número 1

Para que serve

O exame coprológico funcional é solicitado para ajudar na avaliação do funcionamento do sistema digestivo, podendo servir para:

  • Avaliar se a digestão dos alimentos está ocorrendo de forma adequada;
  • Verificar possíveis alterações na absorção de nutrientes, como gorduras e carboidratos;
  • Observar alterações no trânsito intestinal;
  • Auxiliar na investigação de sintomas como diarreia crônica, distensão abdominal ou fezes com características anormais.

Esse exame também pode indicar possíveis sinais de insuficiência pancreática ou biliar, já que alterações na digestão de gorduras e na composição das fezes podem sugerir funcionamento inadequado dessas estruturas no processo digestivo.

Diferença entre exames de fezes

A principal diferença entre alguns exames de fezes está relacionada ao foco de cada análise, sendo o coproparasitológico utilizado para verificar a presença de parasitas, como vermes e protozoários.

Leia também: Parasitológico de fezes: o que é, para que serve e como é feito tuasaude.com/parasitologico-de-fezes

A coprocultura é indicada para avaliar possíveis infecções bacterianas no intestino. Já o coprológico funcional permite observar o funcionamento geral do sistema digestivo. Veja como é feita a coprocultura.

Preparo do coprológico funcional

Antes de realizar o exame coprológico funcional, recomenda-se que, nos três dias anteriores à coleta, a pessoa mantenha uma dieta variada com alimentos como carne, feijão, batata, leite e manteiga, e evite bebidas alcoólicas ou gasosas.

Também é importante suspender medicamentos que possam alterar a motilidade ou a digestão, como laxantes, antiespasmódicos, antiácidos e enzimas digestivas, conforme orientação médica. No quarto dia, a amostra de fezes deve ser coletada.

Como é feito

O exame coprológico funcional é realizado seguindo alguns passos durante a coleta:

  1. Evacuar em um recipiente limpo, como um penico ou sobre uma folha de papel branco, evitando contato com urina ou água do vaso sanitário;
  2. Coletar todo o volume da primeira evacuação da manhã no frasco esterilizado fornecido pelo laboratório;
  3. Fechar bem o frasco e identificar com nome e data;
  4. Levar a amostra ao laboratório o mais rápido possível, idealmente dentro de 2 horas após a coleta, para garantir resultados precisos.

Se não for possível entregar a amostra imediatamente, deve‑se mantê‑la refrigerada até entregar ao laboratório.

Em crianças que usam fralda, pode ser necessário coletar fezes de mais de uma evacuação para garantir uma análise completa, devendo a coleta ser feita em até 48 horas e com a amostra mantida refrigerada durante esse período.

O que avalia o exame

O exame coprológico funcional avalia características como cor e aparência das fezes, que ajudam a identificar alterações na digestão ou na presença de bile, além de consistência e forma, que indicam possíveis dificuldades de absorção.

Também considera o volume, que pode refletir alimentos não digeridos ou alterações na absorção, e o odor, que pode sinalizar fermentação ou putrefação excessiva.

Observa ainda a presença de resíduos alimentares, como fibras, sementes ou gorduras não digeridas, auxiliando na avaliação da digestão e absorção.

Além disso, analisa componentes como muco, leucócitos ou células epiteliais, e parâmetros químicos, incluindo pH, oferecendo informações sobre o funcionamento geral do intestino.

Resultado do coprológico funcional

O resultado do exame coprológico funcional tem os seguinte valores de referência:

Parâmetros

Resultado esperado

Cor

Castanho‑pardo

Consistência

Fezes formadas e cilíndricas

Odor

Fecal, sem odor muito fétido

pH

Normalmente entre 6,8 e 7,2

Muco, sangue e leucócitos

Ausentes

Gorduras

Ausentes ou pequenas quantidades

Resíduos alimentares

Presente em pequenas quantidades

Esses valores representam o que normalmente é considerado sem alteração no exame coprológico funcional.

Interpretação do exame

As possíveis interpretações do exame coprológico funcional, considerando alterações em diferentes parâmetros, podem inclui:

  • Cor anormal, como amarelada, esverdeada, preta ou muito clara: pode sugerir síndromes de má absorção ou hepatopatias;
  • Consistência fora do normal, podendo ser muito líquida ou muito dura: indica diarreia, constipação ou alterações no trânsito intestinal;
  • Odor forte ou fétido: pode ser sinal de fermentação excessiva, putrefação ou má absorção de nutrientes, comum em intolerâncias alimentares ou insuficiência pancreática. Conheça os tipos de intolerâncias alimentares;
  • pH alterado: pode refletir desequilíbrios na digestão ou fermentação intestinal, como em intolerância à lactose;
  • Presença de muco, sangue ou leucócitos: sugere inflamação intestinal, irritação ou infecção, como na doença de Crohn, retocolite ulcerativa ou infecções parasitárias. Saiba mais sobre a retocolite ulcerativa;
  • Gorduras não absorvidas: podem indicar insuficiência pancreática, biliar ou má absorção intestinal; 
  • Resíduos alimentares em excesso: podem sugerir digestão incompleta ou dificuldade na absorção de alguns nutrientes, como na doença celíaca ou intolerâncias alimentares. Entenda o que é a doença celíaca.

Além disso, o coprológico funcional pode detectar parasitas, como vermes ou protozoários, caso estejam presentes na amostra, mas não é o exame mais indicado para diagnóstico de parasitoses.

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No entanto, esse exame não é suficiente sozinho para diagnosticar, devendo seus resultados serem avaliados junto com outros exames e os sintomas para confirmar alterações digestivas.

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