Ebola: o que é, sintomas, transmissão e prevenção

Revisão médica: Drª Sylvia Hinrichsen
Infectologista
julho 2022
  1. Como surgiu
  2. Tipos
  3. Sintomas
  4. Transmissão
  5. Tratamento
  6. Prevenção

Ebola é uma doença grave causada por um vírus que pode ser transmitido através do contato com fluidos ou consumo de animais doentes ou por meio do contato com o sangue, urina, fezes, vômito, sêmen e fluidos vaginais de pessoas infectadas.

Os sintomas de Ebola surgem em até 21 dias após o contato com o vírus, podendo iniciar com febre alta, enjoo, cansaço excessivo e tosse, e evoluir em 1 semana para vômito com sangue, diarreia com sangue, manchas roxas na pele e sangramento pelo ouvido, boca e nariz, por exemplo.

O Ebola não tem cura e, por isso, é muito importante evitar a transmissão do vírus de pessoa para pessoa através do internamento dos pacientes em isolamento e do uso de equipamentos de proteção especial (EPI).

Como surgiu

Os primeiros casos de morte registrados pelo vírus Ebola surgiram na África Central no ano de 1976, quando humanos foram contaminados através do contato com cadáveres de macacos.

Apesar de não se ter certeza da origem do Ebola, é conhecido que o vírus está presente em algumas espécies de morcegos que não desenvolvem a doença, mas que conseguem transmiti-lo. Assim, é possível que alguns animais, como o macaco ou o javali, comam frutas contaminadas com a saliva dos morcegos e, consequentemente, infectem os humanos ao consumir o javali contaminado como alimento.

Após a contaminação através dos animais, os humanos são capazes de transmitir entre si o vírus na saliva, no sangue e em outras secreções corporais, como sêmen ou suor.

Tipos de ebola

Existem 5 tipos de diferentes de Ebola, denominados de acordo com a região onde surgiram pela primeira vez, embora qualquer tipo de Ebola apresente alta taxa de mortalidade e provoque os mesmos sintomas nos pacientes.

Os 5 tipos de Ebola conhecidos são:

  • Ebola Zaire;
  • Ebola Bundibugyo;
  • Ebola Costa do Marfim;
  • Ebola Reston;
  • Ebola Sudão.

Quando um indivíduo é contaminado com um tipo de vírus Ebola e sobrevive, passa a estar imune contra essa estirpe do vírus, no entanto não está imune aos outros quatro tipos, podendo contrair Ebola novamente.

Sintomas de Ebola

Os primeiros sintomas do vírus Ebola podem demorar de 2 a 21 dias para surgir após a contaminação e incluem:

  • Febre acima de 38,3ºC;
  • Enjoos;
  • Dor de garganta;
  • Tosse;
  • Cansaço excessivo;
  • Fortes dores de cabeça.

No entanto, após 1 semana, os sintomas têm tendência a piorar, podendo surgir:

  • Vômito (que pode conter sangue);
  • Diarreia (que pode conter sangue);
  • Garganta inflamada;
  • Hemorragias que levam ao sangramento pelo nariz, ouvido, boca ou região íntima;
  • Manchas ou bolhas de sangue na pele;

Além disso, é nesta fase de piora dos sintomas que podem aparecer alterações cerebrais que colocam a vida em risco, deixando a pessoa em coma.

O que se recomenda fazer em caso de suspeita de infecção por Ebola é manter a distância de todas as pessoas e procurar um centro de tratamento o mais rápido possível porque quanto antes o tratamento for iniciado, maiores são as chances de recuperação. É também recomendado ter especial cuidado com vômitos e diarreia, para que mais ninguém entre em contato.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do Ebola é difícil, pois os sintomas iniciais da doença são inespecíficos, por isso, é importante o diagnóstico seja baseado no resultado de mais de um exame laboratorial. Assim, o resultado é dito positivo quando é identificada a presença do vírus através de mais de um exame laboratorial.

Além dos exames, é importante que o diagnóstico leve em consideração os sinais e sintomas apresentados pela pessoa e a possível exposição ao vírus pelo menos 21 dias antes do aparecimento dos sintomas. É importante que imediatamente após o aparecimento da sintomatologia inicial ou conclusão do diagnóstico, a pessoa seja encaminhada para o isolamento no hospital para que tenha início o tratamento adequado e se possa prevenir a transmissão para outras pessoas.

Quem tem mais risco

A infecção por Ebola é mais frequente em pessoas que estiveram recentemente na África ou em contato com outras pessoas que tenham estado nesse continente, especialmente durante um surto da doença.

A transmissão entre pessoas parece acontecer especialmente através do contato com sangue ou outras secreções da pessoa infectada, como saliva, fezes, urina ou esperma, por exemplo.

Como acontece a transmissão

A transmissão do Ebola ocorre através do contato direto com sangue, saliva, lágrima, suor ou sêmen de pacientes e animais infectados, mesmo após a sua morte.

Além disso, a transmissão do Ebola também pode acontecer quando o paciente espirra ou tosse sem proteger a boca e o nariz, no entanto, ao contrário da gripe, é necessário estar muito próximo e com contato mais frequente para pegar a doença.

Normalmente, indivíduos que estiveram em contato com um paciente do Ebola devem ser vigiados durante 3 semanas através da medição da temperatura corporal, 2 vezes por dia e, caso apresentem febre acima de 38,3º, devem ser internados para iniciar o tratamento.

Como é feito o tratamento

Não há remédio específico para tratar a infecção pelo vírus Ebola, sendo o tratamento realizado conforme os sintomas apresentados e com a pessoa em isolamento, para evitar a transmissão do vírus para outras pessoas.

O tratamento é feito com o objetivo de manter a pessoa hidratada e com a pressão arterial e níveis de oxigênio normais. Além disso, pode ser recomendado o uso de medicamentos para controlar as dores, febre, diarreia e vômitos, e remédios específicos para tratamento de outras infecções que também podem estar presentes.

É de extrema importância que o paciente fique em isolamento para evitar o espalhamento do vírus, já que essa doença pode ser facilmente transmitida de pessoa para pessoa.

Apesar de não haver um medicamento específico para combater o vírus, existem vários estudos em desenvolvimento que analisam o potencial efeito de produtos sanguíneos, imunoterapia e uso de medicamentos na eliminação do vírus e, assim, combate à doença.

Prevenção do ebola

As medidas de prevenção do vírus Ebola são:

  • Evitar áreas de surto;
  • Lavar as mãos com água e sabão várias vezes ao dia;
  • Ficar afastado dos doentes com Ebola e também dos mortos pelo Ebola porque eles também podem transmitir a doença;
  • Não comer 'carne de caça', ter cuidado com morcegos que podem estar contaminados com o vírus, pois são reservatórios naturais;
  • Não comer frutas roídas, pois podem estar contaminadas com a saliva de animais contaminados, especialmente em locais de surto onde existem morcegos da fruta;
  • Não tocar nos fluidos corporais de um infectado, como sangue, vômito, fezes ou diarreia, urina, secreções da tosse e espirros e das partes íntimas;
  • Usar luvas, roupa de borracha e máscara quando entrar em contato com um contaminado, não tocando nesta pessoa e desinfetar todo este material após o uso;
  • Queimar todas as roupas da pessoa que morreu por causa do Ebola.

Como a infecção com o Ebola pode demorar até 21 dias para ser descoberta, durante um surto de Ebola recomenda-se evitar viajar para os locais afetados e também locais que fazem fronteiras com estes países. Uma outra medida que pode ser útil é evitar locais públicos com grandes concentrações de pessoas, porque nem sempre se sabe quem pode estar infectado e a transmissão do vírus é fácil.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em julho de 2022. Revisão médica por Drª Sylvia Hinrichsen - Infectologista, em junho de 2019.

Bibliografia

  • MÉDICOS SEM FRONTEIRAS. Ebola. Disponível em: <https://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/ebola>. Acesso em 24 mai 2019
  • MÉDICOS SEM FRONTEIRAS. Ebola. Disponível em: <https://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/ebola>. Acesso em 24 mai 2019
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  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Ebola. Disponível em: <http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/ebola>. Acesso em 24 mai 2019
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Revisão médica:
Drª Sylvia Hinrichsen
Infectologista
Médica infectologista, doutorada em Medicina Tropical pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1995. Cremepe: 6522