O cateterismo é um procedimento médico, onde um tubo de plástico e flexível, chamado de cateter, é inserido num vaso sanguíneo, órgão ou cavidade corporal, para diagnósticos ou administração de tratamentos, por exemplo.
O tipo de cateterismo mais frequentemente feito é o venoso periférico, onde um cateter é colocado na veia, no hospital, para a administração de medicamentos. Existem também outros tipos de cateterismo comuns como o cardíaco e o vesical, por exemplo.
O cateterismo apresenta riscos, que variam de acordo com o tipo e o local da colocação do cateter. Por isso, é importante que o cateterismo seja sempre feito pelo médico e que a pessoa seja acompanhada por uma equipe de enfermagem, para evitar possíveis complicações.
Para que serve o cateterismo
O cateterismo é indicado para situações como:
- AVC isquêmico;
- Infarto, cardiomiopatias ou arritmias;
- Hipertensão pulmonar e choque;
- Retenção urinária aguda ou crônica;
- Aplicação remédios ou soros intravenosos;
- Monitoramento da pressão venosa central;
- Medição da pressão nas câmaras cardíacas;
- Alimentação ou retirada de fluidos do estômago ou do esôfago.
O cateterismo também pode ser indicado para incontinência urinária, cicatrização de feridas críticas, câncer de bexiga, doença renal crônica, desnutrição grave e prematuridade extrema, por exemplo.
O cateterismo pode ser indicado para ajudar no diagnóstico destas condições ou ainda para a administração de tratamentos e alívio de obstruções.
Tipos de cateterismo
Os principais tipos de cateterismo são:
1. Cateterismo cardíaco
O cateterismo cardíaco é feito pelo cardiologista, que insere um cateter através de uma artéria, de uma perna ou de um braço até o coração, sendo quase sempre realizado com anestesia local associada ou não, à sedação.
Dependendo do objetivo, os cateteres podem ser usados para medir a pressão, investigar e tratar arritmia, doenças valvulares, doenças congênitas, observar o interior dos vasos sanguíneos, alargar uma válvula cardíaca ou desentupir uma artéria bloqueada.
É possível também, através da utilização de instrumentos introduzidos através do cateter se obter amostras de tecido do coração para biópsia.
2. Cateterismo vesical
O cateterismo vesical é a introdução de um cateter pela uretra, que chega até a bexiga com o objetivo de esvaziá-la.
Este procedimento pode ser realizado na preparação de cirurgias, no pós cirúrgico ou para verificar a quantidade de urina produzida pela pessoa.
O cateterismo vesical pode ser feito com dois tipos de sonda diferentes, a sonda de alívio e a sonda vesical de demora, o que varia com a condição a ser tratada.
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O cateterismo umbilical é feito introduzindo um cateter pelo umbigo para medir a pressão arterial, verificar a gasometria e outros procedimentos médicos.
Geralmente é realizado em bebês prematuros durante o tempo que estão na UTI neonatal, não sendo um procedimento de rotina, já que possui riscos.
Os objetivos deste tipo de cateterismo são monitorar continuamente a pressão arterial sistêmica, coletar frequentemente amostras de sangue para gasometria, além de estabelecer um acesso venoso central rápido para reanimação, transfusões e infusão de nutrição parenteral de alta concentração.
4. Cateterismo nasogástrico
O cateterismo nasogástrico é caracterizado pela introdução de um tubo de plástico, o cateter, através do nariz da pessoa e que chega até o estômago.
Esse procedimento pode ser feito para diagnósticos ou terapias, como descompressão gástrica, alimentação enteral, administração de remédios, lavagem gástrica e diagnóstico e gerenciamento de sangramento gastrointestinal.
O cateter deve ser introduzido pelo médico ou enfermeiro e a sua posição deve ser confirmada com uma radiografia.
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O cateterismo venoso periférico é feito pelo médico ou enfermeiro, para puncionar uma veia, com o objetivo de administrar soro ou remédios na veia.
Este tipo de dispositivo invasivo é o mais usado em hospitais.
6. Cateterismo venoso central
O cateterismo venoso central é feito pelo médico introduzindo um cateter totalmente implantável em uma veia central calibrosa, como a jugular interna, a subclávia ou a femoral.
Esse tipo de cateterismo normalmente é indicado nos casos de quimioterapia, hemodiálise, transfusão de sangue ou de hemoderivados ou nutrição parenteral, por exemplo.
Leia também: Nutrição parenteral: o que é, para que serve e como administrar tuasaude.com/nutricao-parenteral7. Cateterismo pulmonar
O cateterismo da artéria pulmonar é feito introduzindo um cateter, chamado cateter de Swan-Ganz, na artéria pulmonar.
O objetivo deste tipo de cateterismo é monitorar a pressão no coração, estimar o débito cardíaco e avaliar a resistência vascular em pessoas com choque, hipertensão pulmonar ou dispneia sem explicação.
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O cateterismo peritoneal é feito pelo médico, que introduz um cateter, chamado cateter de Tenckhoff, no cavidade peritoneal no abdômen.
Esse tipo de cateterismo normalmente é indicado para a diálise peritoneal em pessoas com insuficiência renal.
Leia também: Diálise peritoneal: o que é, como funciona e indicações tuasaude.com/dialise-peritonealAlém disso, também existe um cateter intraperitoneal que é usado durante cirurgias para aplicar quimioterapia aquecida a uma temperatura de 40ºC a 43ºC diretamente na cavidade abdominal nos casos de câncer de ovário ou metástase de outros cânceres no abdômen.
9. Cateterismo epidural
O cateterismo epidural é um procedimento seguro, sendo normalmente feito introduzindo um cateter no espaço epidural, que fica na coluna vertebral.
Esse tipo de cateterismo pode ser feito para aplicar anestesia durante o parto ou cirurgias abdominais, pélvicas, nas pernas ou tórax, quando não existe necessidade de relaxamento muscular. Veja como é feita a anestesia epidural.
Além disso, o cateterismo epidural também pode ser feito para aplicação de analgésicos durante ou após cirurgias, conectado a uma bomba de infusão que libera a medicação em doses muito pequenas para aliviar a dor.
10. Cateterismo biliar
O cateterismo biliar, normalmente chamado de drenagem biliar, é um procedimento feito colocando-se um cateter dentro do ducto biliar para drenar a bile acumulada na vesícula biliar.
Esse tipo de cateterismo pode ser indicado quando existe alguma obstrução do ducto biliar, causado por pedras na vesícula, tumores, radioterapia ou quimioterapia, por exemplo.
11. Cateterismo renal
O cateterismo renal pode ser feito pelo cirurgião urológico utilizando dois tipos de cateter diferentes para drenar a urina dos rins quando existe alguma obstrução nos ureteres ou ou rins.
Assim, pode ser colocado pelo médico o cateter duplo J, também chamado de stent uretérico, que possui duas pontas com furinhos, que ficam uma na pelve renal e outra na bexiga, drenando a urina acumulada no rim.
Leia também: Duplo J: o que é, para que serve, como é colocado (e retirada) tuasaude.com/duplo-jO outro cateter é chamado de cateter de nefrostomia percutânea, que é colocado pelo médico dentro do rim, ligado a uma bolsa coletora externa para drenar a urina.
12. Cateterismo arterial
O cateterismo arterial é feito com a colocação de um cateter na artéria femoral na virilha ou braquial no braço.
Geralmente, esse tipo de cateterismo é indicado para monitorar a pressão arterial ou os níveis de oxigênio e gás carbônico na circulação.
13. Cateterismo cerebral
O cateterismo cerebral é feito nos casos de AVC isquêmico para desobstruir o vaso sanguíneo entupido por coágulos, e permitir a passagem do sangue para a região do cérebro afetada.
Esse tipo de cateterismo deve ser feito após 24 horas do aparecimento dos sintomas do AVC. Veja os principais sintomas de AVC.
Leia também: Cateterismo cerebral: o que é, para que serve e possíveis riscos tuasaude.com/cateterismo-cerebral14. Cateterismo de drenagem
O cateterismo de drenagem normalmente é indicado para drenar líquidos em cavidades do corpo nos casos de derrame pleural, abscessos ou após cirurgias.
Geralmente, é colocado um dreno no local que permanece por algum tempo, o que varia com a condição a ser tratada, drenando o pus e/ou sangue no local.
Cateterismo é perigoso?
O cateterismo é um procedimento médico invasivo, que é geralmente considerado seguro quando realizado por uma equipe médica experiente.
Entretanto, conforme o tipo de cateterismo, este procedimento apresenta alguns riscos, incluindo:
- Infarto e AVC;
- Obstrução do cateter.
- Lesão ou insuficiência renal aguda;
- Sangramentos e hematomas na virilha;
- Infecção urinária;
- Lesões na uretra;
- Perfuração ou lesão no intestino;
- Arritmias cardíacas;
- Pneumotórax e embolia gasosa;
- Tromboembolismo;
- Necrose hepática, abscesso do fígado e trombose da veia porta.
Em casos menos comuns, o cateter venoso central também pode provocar uma infecção no sangue, que pode levar ao óbito.
Cateterismo é uma cirurgia?
De um modo geral, o cateterismo não é classificado como uma cirurgia, mas um procedimento médico invasivo.
Entretanto, alguns tipos de cateterismo precisam de cirurgia, como no caso do cateterismo vesical suprapúbico. Neste tipo, a colocação da sonda é feita por uma cirurgia através da parede abdominal.
Como é feito o cateterismo
A tabela a seguir traz como é feito alguns tipos de cateterismo:
Já o cateterismo umbilical arterial pode ser feito com o bebê na posição supinada num berço com aquecedor.
Em seguida, o médico identifica uma das artérias umbilicais, a dilata com uma pinça e introduz o cateter até a posição alta da aorta descendente.
Como é a recuperação
A recuperação do cateterismo varia do tipo realizado e se continuará sendo usado em casa ou não.
Assim, as recomendações podem incluir:
- Repousar, para evitar hemorragias e hematomas graves;
- Fazer reabilitação cardíaca estruturada, para reduzir o risco de óbito, diminuir as reinternações e melhorar a qualidade de vida;
- Mudar o estilo de vida, como controlar o peso, a pressão, a glicemia, o colesterol e manter uma alimentação saudável, praticar atividades físicas adequadas e parar de fumar;
- Beber de 2 a 3 litros de água por dia, para lavar a bexiga, eliminando bactérias e detritos;
É recomendado também monitorar visualmente, pelo menos uma vez ao dia, o local de inserção na pele, para identificar sinais de inflamação e infecção, como vermelhidão, inchaço, sensibilidade ou secreção.
Perguntas frequentes
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Os dias de repouso após o cateterismo varia de acordo com o tipo deste procedimento que foi feito.
No cateterismo biliar, a pessoa precisa de repouso de 24 horas, mas deve evitar levantar qualquer peso acida de 4,5 kg. Já após o cateterismo vesical, a pessoa pode levar de 1 dia a 4 semanas de repouso, por exemplo.
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A angioplastia é um tratamento que pode ser feito durante o cateterismo para desobstruir artérias, geralmente com a colocação de um stent, restaurando o fluxo sanguíneo adequado.
Já o cateterismo é um termo geral para a introdução de um cateter, através de uma artéria ou veia periférica, que é usado principalmente para fins de diagnóstico
Leia mais: Angioplastia: o que é, como é feita (e recuperação)
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O cateterismo não desentope a veia. Isso porque este procedimento é um exame feito por meio da colocação de um cateter até o coração para injetar contraste e tirar radiografias em tempo real.
Assim, o cateterismo cardíaco ajuda a localizar exatamente onde é o entupimento e a gravidade, mas não desentope a veia.
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Sim, o cateterismo tem risco de morte, devido à possível ruptura ou perfuração da artéria pulmonar, sepse, pneumonia por aspiração e refluxo de líquido cefalorraquidiano, por exemplo.
Entretanto, este risco varia muito de acordo com o tipo deste exame que é realizado, da técnica e das condições de saúde da pessoa.
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De um modo geral o cateterismo não dói, porque o médico aplica anestésicos locais, géis lubrificantes e usa técnicas específicas para minimizar a dor e proporcionar maior conforto para a pessoa.
Mas, conforme o tipo de cateterismo, este procedimento pode causar ardência, dor, incômodo e sensação de queimação, por exemplo.