Sangramento de escape: o que pode ser e quando ir ao médico

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
julho 2022

O sangramento de escape, ou spotting, é aquele que acontece fora do período menstrual e geralmente é um pequeno sangramento que ocorre entre os ciclos menstruais e dura cerca de 2 dias.

Este tipo de sangramento fora do período menstrual é considerado normal quando ocorre após exames ginecológicos ou mudança de contraceptivo, não sendo necessário tratamento e não indicando qualquer problema de saúde.

No entanto, o sangramento fora do período menstrual também pode ser sinal de gravidez quando surge 2 a 3 dias após o contato íntimo desprotegido, por exemplo, ou pode ser sintoma de pré-menopausa quando acontece em mulheres com mais de 40 anos. Saiba o que significa o sangramento na gravidez.

As principais causas do sangramento de escape são:

1. Estresse

O estresse é uma das principais causas do sangramento de escape, ja que nessa situação a mulher se sente sobrecarregada e limitada para realizar as suas atividades, resultando em um descontrole hormonal que pode levar ao sangramento foram do período menstrual.

O que fazer: em caso de estresse, é recomendado realizar exercícios e aromaterapia para ajudar a relaxar. Nos casos moderados a graves, em que o estresse causa um mal estar físico, além do sangramento de escape, é indicado consultar o psicólogo para que sejam desenvolvidas estratégias para combater as situações de estresse e seus efeitos.

2. Mudança de método contraceptivo

A mudança do método contraceptivo é também uma causa frequente do sangramento de escape e acontece normalmente nos primeiros dias após a troca, já que há uma variação dos níveis hormonais.

O que fazer: no caso do sangramento ser devido à troca do tipo de anticoncepcional, caso seja leve, é recomendado esperar uma semana depois da mudança para que o corpo regularize os níveis hormonais. No casos em que o sangramento é contínuo, é importante ir ao ginecologista para que seja avaliado se a causa do sangramento é de fato a mudança de método contraceptivo.

3. Pólipos uterinos

Os pólipos uterinos são mais comuns em mulheres na menopausa, no entanto podem também acontecer em mulheres mais jovens, podendo causar dificuldade para engravida e alterações na menstruação, como ciclo irregular, sangramento de escape e após a relação sexual e dor na parte de baixo do abdômen que piora durante a menstruação.

O que fazer: na maioria dos casos, os pólipos uterinos não necessitam de tratamento, no entanto o médico pode recomendar o tratamento se houver risco de desenvolvimento de câncer. Conheça mais sobre os pólipos uterinos.

4. Síndrome do ovário policístico

A síndrome do ovário policístico, ou SOP, é caracterizada pela presença de diversos cistos no ovário devido a um desequilíbrio hormonal, que pode causar alterações no ciclo menstrual, incluindo sangramento de escape.

O que fazer: o tratamento para SOP deve incluir mudanças no estilo de vida, incluindo a mudança no estilo de vida, como a prática de exercício físico, dieta equilibrada e diminuição do peso. Nos casos em que os sintomas são mais graves, o médico pode indicar o uso de anticoncepcionais orais para regular o ciclo menstrual. Veja mais detalhes do tratamento da síndrome do ovário policístico.

5. Problemas na tireoide

Algumas alterações na tireoide podem causar sangramentos fora do período menstrual, já que os hormônios tireoidianos influenciam diretamente o funcionamento do sistema reprodutivo, interagindo com os hormônios femininos, como estrogênio e progesterona, causando alterações no ciclo menstrual, como sangramento de escape e dificuldade para engravidar.

O que fazer: é recomendado consultar o endocrinologista para que seja feita a avaliação da função da tireoide e seja confirmada a alteração para que seja indicado o tratamento adequado, que pode envolver o uso de hormônios sintéticos.

6. Infecções

As infecções vaginais causadas por parasitas, fungos ou bactérias, incluindo as infecções sexualmente transmissíveis, podem causar sangramento depois de ter relações sexuais, que podem agravar caso o tratamento adequado não seja iniciado.

O que fazer: dependendo do tipo de infecção, o médico poderá indicar o uso de medicamentos para combater o agente responsável, como antibióticos ou antifúngico.

7. Após exames ginecológicos

Alguns procedimentos ginecológicos podem ser invasivos, como papanicolau, por exemplo, sendo completamente normal haver pequeno sangramento, não sendo necessário qualquer tratamento.

O que fazer: no caso do sangramento dura mais de 2 dias ou a quantidade seja moderada ou grave, é importante consultar o ginecologista para que seja realizada uma avaliação, já que pode ter havido alguma lesão produzida durante o exame ginecológico.

Como saber se é menstruação

Para não confundir com o sangramento fora do período menstrual, saiba quando a sua menstruação deve voltar:

Erro
Erro
Erro

Sangramento após a relação sexual

O sangramento após a relação sexual não é normal, apenas quando se trata da primeira relação, havendo o rompimento do hímen. Algumas das causas que podem causar sangramento depois da relação sexual são:

  • Infecções sexualmente transmissíveis (IST);
  • Traumas durante a relação sexual;
  • Presença de feridas no colo do útero;
  • Falta de lubrificação da vagina;
  • Câncer de colo uterino;
  • Cistos no ovário;
  • Endometriose.

No caso de sangramento após a relação sexual, é importante consultar o ginecologista para que sejam realizados exames que ajudem a identificar a causa do sangramento. Conheça mais sobre as causas após a relação sexual.

Quando ir ao médico

É aconselhado ir ao ginecologista quando o sangramento de escape é excessivo, dura mais de 3 dias ou acontece em mais de 3 ciclos, é excessivo após a relação sexual e quando acontece sangramento vaginal durante a menopausa.

Nestes casos, o médico poderá fazer exames de diagnóstico, como papanicolau, ultrassonografia ou colposcopia para avaliar o sistema reprodutor da mulher e identificar se existe algum problema causando o sangramento, iniciando o tratamento adequado, caso seja necessário. Saiba também como tratar a hemorragia menstrual.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em julho de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.