A terapia do esquema é uma forma de psicoterapia que procura compreender por que certos padrões emocionais e comportamentais se repetem ao longo da vida, mesmo quando causam sofrimento.
Em vez de focar apenas em pensamentos atuais, como acontece em algumas abordagens mais tradicionais, a terapia do esquema também considera experiências antigas, especialmente da infância e/ou adolescência.
Leia também: Psicoterapia: o que é, para que serve, tipos e como é feita tuasaude.com/o-que-e-psicoterapiaEsse processo terapêutico busca identificar padrões profundos, compreender suas origens e como influenciam a vida atual. A partir disso, trabalha-se para enfraquecê-los e desenvolver formas mais saudáveis de pensar, sentir e agir.
Para que serve
A terapia do esquema serve para ajudar pessoas que sofrem com padrões emocionais e comportamentais repetitivos que acabam causando prejuízo na vida pessoal, profissional ou nos relacionamentos.
Na prática, a terapia é usada quando alguém percebe que sempre reage da mesma forma em certas situações, mesmo tentando mudar, ou quando sentimentos como ansiedade, rejeição, culpa ou insegurança aparecem com muita intensidade.
O objetivo principal é identificar esses padrões mais profundos, entender de onde vieram e como continuam influenciando a forma de pensar, sentir e agir no presente.
A partir disso, a terapia busca enfraquecer esses padrões antigos e desenvolver formas mais saudáveis de lidar com as emoções e com os relacionamentos.
Isso pode ajudar a pessoa a se sentir mais estável emocionalmente, ter mais consciência de si mesma e tomar decisões menos guiadas por reações automáticas ou dolorosas.
Quando é indicada
A terapia do esquema pode ser indicada em casos de:
- Síndrome de Borderline, com instabilidade emocional, impulsividade e dificuldades intensas nos relacionamentos. Saiba o que causa a síndrome de Borderline;
- Transtornos de personalidade, como o evitativo, dependente ou obsessivo-compulsivo, quando há padrões rígidos e repetitivos de comportamento. Conheça 10 tipos de transtorno de personalidade;
- Depressão crônica ou recorrente, especialmente quando a pessoa sente que sempre volta ao mesmo estado emocional;
- Ansiedade persistente, principalmente quando está ligada à insegurança, medo de rejeição ou necessidade de controle;
- Trauma psicológico ou experiências adversas na infância, que continuam influenciando a vida adulta.
Além disso, em transtornos alimentares, quando há baixa autoestima, autocrítica intensa ou padrões emocionais rígidos, a terapia do esquema pode ser indicada para ajudar a entender e trabalhar as crenças profundas. Entenda o que é transtorno alimentar.
Técnicas em terapia do esquema
A terapia do esquema usa diferentes técnicas que ajudam a trabalhar tanto os pensamentos quanto as emoções e as memórias mais profundas.
Em geral, as principais técnicas são:
1. Técnicas experienciais ou emocionais
As técnicas experienciais da terapia do esquema focam em acessar emoções mais profundas que estão ligadas a experiências importantes do passado, geralmente da infância ou adolescência, que ficaram marcadas.
Um exemplo comum é a técnica de imaginação guiada. Nela, a pessoa é convidada a recordar uma situação antiga que foi dolorosa ou difícil, como momentos de rejeição, abandono ou críticas intensas.
Durante esse processo, a pessoa não apenas relembra o acontecimento, mas tenta reviver emocionalmente a cena, como se estivesse acontecendo novamente.
A partir disso, o terapeuta ajuda a pessoa a entrar na situação de forma segura e, em alguns casos, até imaginar uma nova resposta para aquela experiência, por exemplo, alguém oferecendo apoio, proteção ou validação emocional.
2. Técnicas cognitivas
As técnicas cognitivas focam em ajudar a pessoa a identificar e questionar crenças profundas e automáticas que tem sobre si mesma, sobre os outros e sobre o mundo.
Muitas vezes essas crenças são negativas e parecem verdades absolutas, como acreditar que não é suficiente, que vai ser rejeitado ou que não pode confiar em ninguém.
Por exemplo, uma pessoa que sempre pensa “eu sempre falho em tudo”; durante a terapia, a pessoa aprende a analisar evidências reais da sua vida que mostram situações em que isso não é verdade, enfraquecendo essa crença.
3. Trabalho com modos do esquema
O trabalho com os modos do esquema consiste em ajudar a pessoa a reconhecer diferentes estados emocionais que vivencia em diferentes momentos.
É como identificar partes internas que se ativam em certas situações, como um lado mais crítico que julga tudo, um lado mais vulnerável que sente medo ou tristeza, e um lado mais saudável que consegue lidar melhor com os desafios.
O objetivo é fortalecer esse lado mais equilibrado, chamado de “modo adulto saudável”, que ajuda a lidar com as emoções de forma mais estável e consciente.
4. Técnicas comportamentais
As técnicas comportamentais têm como objetivo mudar, na prática, os padrões de ação que a pessoa repete no dia a dia.
Em vez de ficar apenas na reflexão, essa técnica incentiva novas experiências que desafiam esses padrões antigos.
Como exemplo, alguém que evita se aproximar das pessoas por medo de rejeição pode ser incentivado, aos poucos, a se envolver mais em interações sociais seguras, para aprender na prática que nem sempre será rejeitado.
5. Relação terapêutica
Já a relação terapêutica é usada como uma ferramenta importante dentro do processo. O vínculo com o terapeuta oferece uma experiência emocional diferente das relações difíceis do passado, sendo mais segura, estável e compreensiva.
Isso permite que a pessoa vivencie na prática uma forma mais saudável de se relacionar, o que ajuda a corrigir expectativas antigas de rejeição, abandono ou crítica.
Ao longo do tempo, essa experiência dentro da terapia também contribui para mudanças fora dela, nos relacionamentos da vida real.
Como funciona
A terapia do esquema segue algumas etapas principais ao longo do tratamento, como:
- Avaliação inicial e identificação de padrões, o terapeuta faz uma avaliação mais profunda da história de vida da pessoa, incluindo infância, relações importantes e dificuldades atuais;
- Identificação dos esquemas e modos, esses padrões são organizados em esquemas, que são as crenças profundas e antigas, e modos, que são estados emocionais que aparecem em diferentes momentos;
- Compreensão da origem emocional, busca-se entender de onde esses esquemas vieram;
- Mudança de padrões emocionais e cognitivos, feita através de diferentes técnicas, como imaginação, reestruturação de pensamentos e diálogo interno;
- Treino de novos comportamentos na vida real, onde a pessoa é incentivada a testar novas formas de agir no dia a dia, especialmente em situações que antes geravam sofrimento ou respostas automáticas.
O objetivo final da terapia do esquema é desenvolver uma parte mais equilibrada e consciente da pessoa, que consegue lidar melhor com emoções difíceis, tomar decisões mais seguras e cuidar dos próprios limites.
Na fase final, o foco é manter as mudanças conquistadas, reconhecer sinais de ativação dos esquemas e saber como lidar com eles no futuro de forma mais estável.