Ative as notificações para não perder as publicações de saúde e bem estar mais interessantes.

6 remédios que podem provocar aumento do peso

Alguns remédios como antidepressivos, antialérgicos ou corticoides, principalmente quando utilizados a longo prazo, podem provocar efeitos colaterais que, ao longo do tempo, podem causar aumento do peso.

As causas do aumento de peso provocados por esses remédios ainda não estão completamente esclarecidas, no entanto, acredita-se que na maior parte dos casos estejam relacionados com o aumento do apetite, da retenção de líquidos ou o surgimento de cansaço excessivo que prejudica a prática de atividades físicas.

Apesar de poderem provocar aumento do peso, o tratamento com estes remédios não deve ser interrompido por conta própria, devendo-se primeiro consultar o médico que os receitou de forma a avaliar a possibilidade de trocar por outro tipo ou alterar a dose. É ainda possível que um remédio que provoca aumento de peso em uma pessoa, não o faça em outra, devido às diferentes respostas do organismo.

6 remédios que podem provocar aumento do peso

Os principais remédios que podem provocar aumento do peso são:

1. Antialérgicos

Alguns antialérgicos, como a cetirizina, a fexofenadina ou a desloratadina, indicados para o tratamento de sintomas de alergia como espirro, nariz entupido, coceira nos olhos ou na pele, por exemplo, podem causar aumento do peso. 

Isto acontece porque os antialérgicos funcionam reduzindo o efeito da histamina, uma substância liberada pelo corpo responsável pelos sintomas de alergia, mas que também ajuda na regulação e na diminuição do apetite. Assim, quando a pessoa toma um antialérgico, bloqueia a ação da histamina, o que pode levar ao aumento do apetite e ganho de peso.

Além disso, no caso de antialérgicos que provocam sono, como hidroxizina ou clemastina, podem resultar em menos disposição para realização de exercícios físicos, o que também pode contribuir para o aumento do peso.

2. Antidepressivos 

Os antidepressivos, como amitriptilina, nortriptilina, escitalopram ou paroxetina, podem causar aumento do peso durante o tratamento, principalmente quando utilizados por longo período de tempo, pois esses remédios agem alterando os níveis ou a ação de substâncias químicas no cérebro, como serotonina, dopamina ou histamina, causando aumento do apetite.

No entanto, se a pessoa começar a ter problemas com o peso, deve-se comunicar ao médico as alterações no peso para que seja reavaliado o tratamento e, se necessário, alterar a dose do antidepressivo ou trocar por outro, por exemplo. Nunca se deve interromper o tratamento com antidepressivos por conta própria.

Algumas opções de antidepressivos que não provocam alterações no peso são fluoxetina, bupropiona ou duloxetina, por exemplo. 

3. Antipsicóticos

Os antipsicóticos são um dos tipos de medicamentos mais relacionados ao aumento de peso, no entanto, os que geralmente têm esse efeito colateral são os antipsicóticos atípicos, como olanzapina ou risperidona, por exemplo.

Este efeito acontece porque os antipsicóticos aumentam uma proteína cerebral, conhecida como AMPK e, quando essa proteína está aumentada, consegue bloquear o efeito da histamina, que é importante para regular a sensação de fome.

No entanto, os antipsicóticos são muito importantes no tratamento de alterações psiquiátricas como esquizofrenia ou transtorno bipolar e, por isso, não devem ser interrompidos sem indicação médica. Algumas opções de antipsicóticos que, normalmente, apresentam menos risco de aumentar o peso são a ziprasidona ou o aripiprazol.

4. Corticoides

Os corticoides, como prednisona, metilprednisolona ou hidrocortisona, são remédios utilizados frequentemente para aliviar os sintomas de doenças inflamatórias como asma severa ou artrite reumatóide, por exemplo, e quando utilizados por longo período de tempo, principalmente por via oral, podem fazer com que o corpo retenha mais sal, que em grandes quantidades no corpo aumenta a retenção de líquidos, o que leva ao aumento do peso.

Além disso, os corticoides causam aumento do apetite e também afetam o metabolismo e a forma como o organismo deposita a gordura levando à um aumento e redistribuição da gordura corporal, que pode se acumular principalmente no abdômen, rosto e atrás do pescoço, como ocorre na Síndrome de Cushing, o que também pode contribuir para o aumento de peso. 

5. Remédios para pressão

Embora seja mais raro, alguns remédios utilizados para controlar a pressão arterial também podem levar ao aumento de peso, especialmente os betabloqueadores como metoprolol ou atenolol, por exemplo.

Este efeito, embora não seja provocado pelo aumento do apetite, acontece porque um efeito colateral comum dos betabloqueadores é o surgimento de cansaço excessivo, que pode levar a pessoa a fazer menos exercício físico, o que aumenta as chances de engordar.

6. Antidiabéticos orais

Os antidiabéticos orais utilizados no tratamento da diabetes, como a glipizida, gliclazida ou glibenclamida, estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas, causando uma diminuição acentuada do açúcar no sangue que é levado para dentro das células do corpo. Esse açúcar dentro das células funciona como uma fonte de energia, que se não for utilizada pelo corpo, é armazenada na forma de gordura, o que pode causar aumento do peso.

Além disso, quando os níveis de açúcar no sangue ficam muito reduzidos, pode levar o organismo a sentir mais fome, para tentar compensar a falta de açúcar, e por isso, podem também causar aumento do peso.

Esta informação foi útil?

Bibliografia

  • DOMECQ, J. P.; et al. Clinical review: Drugs commonly associated with weight change: a systematic review and meta-analysis. J Clin Endocrinol Metab. 100. 2; 363-70, 2015
  • WUNG, Peter K.; et al. Effects of Glucocorticoids on Weight Change During the Treatment of Wegener's Granulomatosis. Arthritis Rheum. 59. 5; 746–753, 2008
  • GAFOOR, Rafael; BOOTH, Helen P.; GULLIFORD, Martin C. Antidepressant utilisation and incidence of weight gain during 10 years’ follow-up: population based cohort study. BMJ. 361. 1-9, 218
  • LIU, Dora; et al. A practical guide to the monitoring and management of the complications of systemic corticosteroid therapy. Allergy Asthma Clin Immunol. 9(1). 30; 1-25, 2013
  • RATLIFF, Joseph C.; et al. Association of Prescription H1 Antihistamine Use With Obesity: Results From the National Health and Nutrition Examination Survey. Obesity. 18. 12; 2398-2400, 2010
  • KAWAZOE, Y.; TANAKA, S.; UESUGI, M. Chemical genetic identification of the histamine H1 receptor as a stimulator of insulin-induced adipogenesis. Chem Biol. 11. 7; 907-13, 2004
  • FAVA, Maurizio. Weight gain and antidepressants. J Clin Psychiatry. 61. 11; 37-41, 2000
  • SERRETTI, A.; MANDELLI, L. Antidepressants and body weight: a comprehensive review and meta-analysis. J Clin Psychiatry. 71. 10; 1259-72, 2010
  • HIMMERICH, H.; MINKWITZ, J.; KIRKBY, K. C. Weight Gain and Metabolic Changes During Treatment with Antipsychotics and Antidepressants. Endocr Metab Immune Disord Drug Targets. 15. 4; 252-60, 2015
  • MUSIL, R.; et al. Weight gain and antipsychotics: a drug safety review. Expert Opin Drug Saf. 14. 1; 73-96, 2015
  • SHAMS, Tahireh A.; MULLER, Daniel J. Antipsychotic Induced Weight Gain: Genetics, Epigenetics, and Biomarkers Reviewed. Curr Psychiatry Rep. 16. 473; 1-8, 2014
  • SCHACKE, H.; et al. Mechanisms involved in the side effects of glucocorticoids. Pharmacol Ther. 96. 1; 23-43, 2002
  • HUSHER, D.; et al. Dose-related patterns of glucocorticoid-induced side effects. Ann Rheum Dis. 68. 7; 1119-24, 2009
  • SOLA, Daniele; et al. Sulfonylureas and their use in clinical practice. Arch Med Sci. 11. 4; 840–848, 2015
Mais sobre este assunto:

Carregando
...