Descolamento de placenta: o que é, sintomas, causas e tratamento

novembro 2022

O descolamento de placenta acontece quando a placenta é separada da parede do útero prematuramente, causando cólica abdominal forte e sangramento vaginal, em gestantes com mais de 20 semanas de gestação. 

Esta situação é delicada, pois pode pôr em risco a saúde da mãe e do bebê, por isso, em caso de suspeita, é recomendado ir imediatamente ao pronto-socorro para atendimento com o obstetra, para diagnosticar e tratar esta situação o mais rápido possível.

Caso o descolamento aconteça no início da gravidez, ou antes das 20 semanas, é chamado de descolamento ovular, que apresenta sintomas bem parecidos. Veja como identificar e o que fazer em caso de descolamento ovular.

Principais sintomas

O descolamento prematuro da placenta pode causar sinais e sintomas como:

  • Dor abdominal intensa;
  • Dor na região lombar;
  • Sangramento vaginal.

Existem casos em que o sangramento vaginal não está presente, pois pode ser oculto, ou seja, ficar retido entre a placenta e o útero.

Além disso, se o descolamento for pequeno, ou parcial, pode não causar sintomas. Porém, se for muito grande, ou completo, a situação é mais grave e, por isso, é normal que os sintomas sejam mais fortes e o sangramento mais intenso.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico de descolamento prematuro da placenta é feito pelo obstetra, a partir da história clínica e exame físico, além da realização do ultrassom, que poderá detectar hematomas, coágulos e diferenciar de outras condições que podem causar sintomas semelhantes e sangramento, como placenta prévia. Saiba mais sobre esta outra importante causa de sangramento e o que fazer em caso de placenta prévia.

O que causa o descolamento

Qualquer gestante pode desenvolver um descolamento da placenta, no entanto, é mais comum que se desenvolva em mulheres com fatores de risco que afetam a circulação de sangue, como:

  • Fazer esforços físicos muito intensos;
  • Ter sofrido uma pancada forte nas costas ou barriga;
  • Ter pressão alta ou pré-eclâmpsia;
  • Ser fumante;
  • Fazer uso de drogas;
  • Apresentar rotura da bolsa antes do tempo previsto;
  • Ter pouco líquido amniótico;
  • Ter uma doença que altere a coagulação do sangue.

O descolamento da placenta é uma das principais causas de sangramento no terceiro trimestre da gravidez, período em o feto e a placenta estão maiores. Seu tratamento deve ser iniciado assim que suspeitado, para diminuir o risco para a saúde do bebê e da mãe, devido às consequências do sangramento e falta de oxigênio.

Como é feito o tratamento

Em caso de suspeita de descolamento prematuro da placenta é orientado ir ao pronto-socorro o mais rápido possível, para que o obstetra inicie os procedimentos de diagnóstico e tratamento. Pode ser necessário que a gestante fique internada por um período, em repouso, com uso de oxigênio e controle da pressão arterial e frequência cardíaca, além da monitorização do sangramento com exames de sangue.

Para tratar o descolamento prematuro da placenta, é importante individualizar cada caso, de acordo com a quantidade de semanas de gestação e do estado de saúde da gestante e do bebê.

Assim, quando o feto está maduro, ou tem mais de 34 semanas, o obstetra normalmente recomenda antecipar o parto, podendo ser feito parto normal quando o descolamento é pequeno, mas sendo necessário fazer cesárea se o descolamento for mais grave.

Já quando o bebê tem menos de 34 semanas de gestação, deve ser feita uma avaliação constante até que o sangramento pare e até que os seus sinais vitais e os do bebê estejam estabilizados. Também podem ser indicados medicamentos para diminuir a contração do útero.

Outras cuidados importantes

Se a mãe e o bebê estiverem bem e o sangramento parar, a gestante pode ter alta, com a orientação de alguns cuidados como:

  • Evitar ficar mais de 2 horas de pé, devendo de preferência ficar sentada ou deitada com as pernas ligeiramente elevadas;
  • Não fazer qualquer tipo de esforço como limpar a casa ou cuidar dos filhos;
  • Beber pelo menos 2 litros de água por dia.

Caso não se consiga estabilizar o quadro, pode ser necessário antecipar o parto, mesmo nestes casos, para garantir a saúde do bebê e da mãe.

Como não é possível prever quando ocorrerá ou não o descolamento da placenta, é importante realizar um pré-natal adequado, sendo possível detectar qualquer alteração na formação da placenta de forma antecipada, sendo possível intervir o mais cedo possível. Saiba mais para que serve a placenta e quais alterações podem surgir.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em novembro de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO); (PROTOCOLO FEBRASGO - OBSTETRÍCIA, NO. 27/ COMISSÃO NACIONAL ESPECIALIZADA EM URGÊNCIAS OBSTÉTRICAS).. Descolamento prematuro de placenta. 2018. Disponível em: <https://sogirgs.org.br/area-do-associado/descolamento-prematuro-de-placenta.pdf>. Acesso em 01 nov 2022
  • Morikawa M, Yamada T, Cho K, et al.. Prospective risk of abruption placentae. The journal of obstetrics and gynaecology research . 2. 40; 369-74, 2014
Mostrar bibliografia completa
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  • Neilson JP.. Interventions for placental abruption (Protocol for a Cochrane Review). In: The Cochrane Library, Issue 1; 2002. Oxford: Update Software..
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.