A hortelã é uma das plantas medicinais mais conhecidas no Brasil e no mundo, com uso tradicional voltado para o sistema digestivo. Folhas frescas ou secas, em chás, infusões e óleos essenciais, ajudam a digerir refeições mais pesadas, reduzem gases, aliviam cólicas leves e ainda contribuem para um hálito mais agradável. Apesar dos benefícios populares, é importante separar o que é tradição e o que é comprovado pela ciência, além de considerar precauções, especialmente para quem convive com refluxo.
Por que a hortelã é tão usada para o sistema digestivo?
As folhas concentram óleos essenciais como mentol, mentona e limoneno, compostos com ação antiespasmódica e carminativa. Esses princípios ativos ajudam a relaxar a musculatura lisa do trato digestivo e a facilitar a eliminação de gases acumulados.
O uso popular da hortelã remonta a séculos em diferentes culturas, especialmente após refeições mais pesadas. Esse hábito reflete uma percepção empírica acumulada por gerações sobre o efeito calmante da planta no aparelho digestivo.
Como o chá de hortelã alivia cólicas e gases?
O mentol presente na planta bloqueia parcialmente canais de cálcio nas fibras musculares do intestino, o que reduz contrações involuntárias e espasmos. Esse mecanismo explica por que o chá frequentemente alivia desconfortos abdominais leves.
Para aproveitar os efeitos do chá com segurança, vale seguir algumas orientações práticas:

Como a hortelã contribui para refrescar o hálito?
Os óleos essenciais aromáticos da planta neutralizam compostos sulfurados voláteis liberados por bactérias da boca, principais responsáveis pelo mau cheiro. A ação antibacteriana suave ainda ajuda a reduzir o crescimento de germes na cavidade oral, contribuindo para uma sensação imediata de frescor.
Mascar uma folha fresca ou bochechar com a infusão pode oferecer alívio momentâneo do mau hálito. No entanto, em casos de odor persistente, a causa pode estar relacionada à halitose, e exige avaliação odontológica para identificar a origem.

O que diz a ciência sobre o óleo de menta?
É importante diferenciar o uso tradicional do chá das evidências clínicas, que se concentram principalmente em cápsulas de óleo de menta (peppermint oil). Segundo a revisão sistemática e meta-análise The impact of peppermint oil on the irritable bowel syndrome, publicada no periódico BMC Complementary Medicine and Therapies, o óleo de menta mostrou-se superior ao placebo na melhora global dos sintomas e na redução da dor abdominal em pacientes com síndrome do intestino irritável.
A pesquisa reuniu 12 ensaios clínicos randomizados com mais de 800 participantes. Os autores destacam que o óleo padronizado em cápsulas tem efeito mais consistente, enquanto o chá tradicional age de forma mais branda e funciona como apoio em desconfortos digestivos pontuais.
Quando a hortelã pode fazer mal?
Apesar da boa tolerância, o consumo exige cautela em algumas situações. O efeito relaxante da planta sobre a musculatura também atinge o esfíncter inferior do esôfago, o que pode favorecer o retorno do conteúdo gástrico. Pessoas com refluxo gastroesofágico, hérnia de hiato, gastrite, cálculos biliares ou hepatopatias devem evitar o uso regular ou conversar com um médico antes.
Outras precauções importantes envolvem o consumo por grávidas, lactantes e crianças pequenas, que devem ter orientação profissional. Se preferir variar entre alternativas, confira outras opções de chás para gases intestinais que combinam diferentes plantas carminativas.
Para desconfortos digestivos pontuais, a hortelã pode ser uma aliada simples e acessível. Porém, em casos de dor abdominal recorrente, alterações no funcionamento intestinal, sangue nas fezes, perda de peso inexplicada ou hálito persistente, a recomendação é procurar um gastroenterologista ou dentista para investigação adequada.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas digestivos persistentes, procure orientação médica especializada.









