A empagliflozina é um medicamento utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 que também apresenta benefícios comprovados para determinados pacientes com doenças cardíacas e renais. Estudos clínicos identificaram redução de hospitalizações por insuficiência cardíaca e menor progressão da doença renal. Com versões genéricas registradas no Brasil, surge uma dúvida importante: esses benefícios também se aplicam ao medicamento genérico? A resposta está na equivalência exigida para seu registro e nas evidências científicas do princípio ativo.
O genérico da empagliflozina tem o mesmo efeito do medicamento de referência?
O genérico contém o mesmo princípio ativo do medicamento de referência Jardiance, nas mesmas concentrações e forma farmacêutica correspondentes. A empagliflozina pertence à classe dos inibidores do cotransportador de sódio-glicose tipo 2 (SGLT2), que atuam nos rins, reduzindo a reabsorção de glicose e aumentando sua eliminação pela urina. Isso contribui para o controle do açúcar no sangue.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), medicamentos genéricos precisam demonstrar equivalência farmacêutica e bioequivalência em relação ao produto de referência. Portanto, espera-se eficácia e segurança equivalentes quando utilizados nas mesmas condições aprovadas. Os grandes estudos de proteção cardiovascular e renal foram realizados com a empagliflozina de referência, não com cada fabricante de genérico individualmente.
Como a empagliflozina ajuda a proteger o coração?
Um dos principais estudos sobre o medicamento é o EMPA-REG OUTCOME, publicado no New England Journal of Medicine em 2015. A pesquisa acompanhou 7.020 pessoas com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular estabelecida durante aproximadamente 3,1 anos. Os participantes receberam empagliflozina ou placebo, além dos tratamentos habituais.
Entre os pacientes tratados com empagliflozina, a morte por causas cardiovasculares ocorreu em 3,7%, contra 5,9% no grupo placebo. As hospitalizações por insuficiência cardíaca também foram menores, atingindo 2,7% e 4,1% dos participantes, respectivamente. Esses resultados representam reduções relativas de risco de 38% para morte cardiovascular e 35% para internação por insuficiência cardíaca. Entretanto, o estudo não demonstrou reduções estatisticamente significativas de infarto ou AVC quando analisados separadamente.

O medicamento também pode retardar a perda da função renal?
Sim. Além de reduzir a glicose no sangue, a empagliflozina modifica o funcionamento dos rins, ajudando a diminuir a pressão dentro dos pequenos filtros renais, chamados glomérulos. Esse mecanismo contribui para retardar a perda da função renal em determinados pacientes.
No estudo EMPA-KIDNEY, publicado no New England Journal of Medicine, 6.609 pessoas com doença renal crônica foram acompanhadas por aproximadamente dois anos. A progressão da doença renal ou morte cardiovascular ocorreu em 13,1% dos participantes que receberam empagliflozina, contra 16,9% daqueles que utilizaram placebo. O benefício foi observado tanto em pessoas com diabetes quanto naquelas sem a doença.
Isso não significa que o medicamento recupere completamente rins já danificados ou elimine a possibilidade de insuficiência renal. Seu principal benefício nesse contexto é reduzir o risco de agravamento da doença, conforme as características clínicas e a função renal do paciente.
Quais cuidados são necessários durante o tratamento?
Embora apresente benefícios importantes, a empagliflozina pode causar efeitos adversos e não é indicada indiscriminadamente para todas as pessoas com diabetes. O uso exige avaliação médica, principalmente em pacientes com função renal reduzida, pressão baixa ou outras condições que aumentem o risco de desidratação.
Entre os cuidados mais relevantes estão:
- Infecções genitais: o aumento da eliminação de glicose pela urina favorece infecções fúngicas, especialmente candidíase genital.
- Desidratação e queda da pressão: o medicamento aumenta a eliminação de água pela urina, exigindo atenção em pessoas que utilizam diuréticos ou apresentam baixa ingestão de líquidos.
- Hipoglicemia: o risco aumenta quando a empagliflozina é associada à insulina ou a determinados outros antidiabéticos.
- Cetoacidose diabética: é uma complicação rara, porém grave, que pode ocorrer mesmo sem glicose muito elevada. Náuseas, vômitos, dor abdominal, falta de ar e mal-estar intenso exigem atendimento imediato.
As orientações sobre como tomar empagliflozina e seus possíveis efeitos colaterais também destacam a necessidade de acompanhamento profissional. Durante doenças agudas, períodos prolongados de jejum ou antes de cirurgias, o médico pode orientar uma suspensão temporária para reduzir riscos.

Quem tem diabetes tipo 2 deve trocar para a empagliflozina genérica?
A possibilidade de utilizar um genérico pode ser discutida com o médico ou farmacêutico, considerando a apresentação, a dose prescrita e o registro sanitário. A substituição adequada não deve ser confundida com a decisão de iniciar empagliflozina ou trocar outro antidiabético por conta própria. A escolha depende do controle glicêmico, da função renal, da presença de doença cardiovascular e das contraindicações individuais.
Os benefícios cardíacos e renais tornam a empagliflozina uma opção relevante em situações específicas, mas ela não substitui alimentação equilibrada, atividade física, controle da pressão arterial ou outros tratamentos indicados. O acompanhamento periódico permite avaliar tanto os resultados quanto a tolerância ao medicamento.
Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. A empagliflozina, seja genérica ou de referência, deve ser utilizada somente com prescrição e acompanhamento profissional.









