Perceber o calcanhar mais áspero, com pele grossa e pequenas rachaduras, é comum depois dos 50 anos. Na maioria das vezes, o problema está relacionado ao ressecamento, ao atrito dos calçados e à pressão exercida sobre os pés. Entretanto, quando as fissuras são profundas, não cicatrizam ou aparecem acompanhadas de outros sintomas, podem estar associadas a condições como diabetes, hipotireoidismo e doenças da pele. Saber reconhecer essas diferenças ajuda a evitar complicações e escolher os cuidados adequados.
Por que os calcanhares ficam mais rachados com a idade?
Com o envelhecimento, a pele tende a perder parte de sua capacidade de reter água e manter a flexibilidade. Nos calcanhares, esse processo se soma à pressão constante do peso corporal. Quando a camada externa da pele fica muito seca e espessa, ela pode se abrir durante a caminhada, formando fissuras que variam de pequenas linhas superficiais a rachaduras dolorosas.
O problema pode piorar com banhos quentes, uso frequente de chinelos, sandálias abertas atrás e longos períodos em pé. Segundo a Academia Americana de Dermatologia, a hidratação regular e a escolha de calçados que protejam o calcanhar estão entre as principais medidas para prevenir e melhorar essas rachaduras.
Como saber se a rachadura é apenas ressecamento?
O ressecamento comum geralmente provoca aspereza, descamação fina e pequenas fissuras superficiais, especialmente nas bordas dos calcanhares. Essas alterações tendem a melhorar com o uso regular de hidratantes e a redução do atrito. Quando não há dor importante, sangramento ou sinais de inflamação, a causa costuma ser menos preocupante.
Algumas características ajudam a perceber quando existe algo além da pele seca:
- Rachaduras superficiais: pequenas aberturas na pele grossa, sem sangramento, geralmente associadas ao ressecamento.
- Fissuras profundas: cortes que provocam dor ao caminhar ou sangram, aumentando o risco de infecção.
- Coceira e descamação persistentes: podem indicar dermatite, psoríase ou micose, especialmente quando outras áreas dos pés também são afetadas.
- Feridas que demoram a cicatrizar: merecem atenção, principalmente em pessoas com diabetes ou problemas circulatórios.
- Vermelhidão, calor e secreção: podem indicar infecção e exigem avaliação médica.
O Tua Saúde explica as principais causas de rachaduras nos pés, incluindo fatores relacionados aos calçados, ao ressecamento e a algumas condições de saúde.

Quando o calcanhar rachado pode indicar diabetes ou hipotireoidismo?
O diabetes pode favorecer o ressecamento dos pés, especialmente quando existe neuropatia, alteração dos nervos que também pode reduzir a sensibilidade. Segundo a Associação Americana de Diabetes, a pele pode ficar seca e apresentar rachaduras, enquanto a perda de sensibilidade dificulta perceber pequenos machucados. Por isso, mesmo uma fissura aparentemente simples merece cuidado especial em quem tem a doença.
O hipotireoidismo também pode causar pele seca e áspera, inclusive nos calcanhares. Entretanto, rachaduras isoladas não são suficientes para suspeitar dessa alteração. A possibilidade merece investigação quando o ressecamento persistente aparece junto de cansaço excessivo, sensibilidade ao frio, prisão de ventre e outros sintomas de hipotireoidismo. O diagnóstico depende de avaliação médica e, quando indicado, de exames como TSH e T4 livre.
O que passar no calcanhar rachado para melhorar a pele?
Nos casos leves, o cuidado mais importante é recuperar e manter a hidratação da pele. A Academia Americana de Dermatologia recomenda aplicar hidratantes logo após o banho, enquanto a pele ainda está levemente úmida. Produtos com ureia em concentrações de 10% a 25% podem ajudar a suavizar a pele grossa, mas ingredientes esfoliantes podem provocar ardor em fissuras abertas e precisam de cuidado especial.
Algumas medidas simples podem ajudar:
- Aplicar hidratante espesso diariamente, principalmente depois do banho.
- Usar vaselina nos calcanhares antes de dormir e, se desejar, colocar meias de algodão.
- Evitar banhos muito quentes e demorados, que favorecem o ressecamento.
- Preferir calçados confortáveis que ofereçam apoio à parte de trás do pé.
- Não cortar a pele grossa com lâminas, alicates ou tesouras.
Quem tem diabetes, perda de sensibilidade ou problemas circulatórios deve evitar lixar os pés e utilizar produtos para remover calos sem orientação profissional. Também é recomendado não aplicar hidratantes entre os dedos, pois o excesso de umidade nessa região pode favorecer problemas de pele.

Quando procurar um dermatologista por causa das rachaduras?
É indicado buscar avaliação quando as fissuras são profundas, provocam sangramento, causam dor importante ou não melhoram após cuidados regulares. Rachaduras que retornam frequentemente também podem precisar de investigação. Se houver pus, aumento da vermelhidão, calor local, inchaço ou febre, o atendimento deve ser mais rápido, pois esses sinais podem indicar infecção.
Pessoas com diabetes ou má circulação devem procurar orientação diante de feridas ou fissuras abertas, mesmo quando não sentem dor. O profissional pode avaliar a necessidade de tratamento específico e investigar possíveis doenças associadas. O envelhecimento favorece o ressecamento, mas não deve ser usado para justificar rachaduras persistentes ou feridas que não cicatrizam.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Rachaduras profundas, feridas persistentes ou alterações nos pés de pessoas com diabetes devem ser examinadas por um profissional de saúde.









