Ter varizes nas pernas pode estar associado a um risco maior de trombose venosa profunda, segundo pesquisas científicas. Entretanto, isso não significa que toda pessoa com veias dilatadas desenvolverá coágulos. As varizes são comuns e, na maioria dos casos, não provocam complicações graves. O cuidado deve ser maior quando existem outros fatores de risco ou aparecem sintomas diferentes do habitual, como inchaço repentino, dor e calor em apenas uma perna.
Qual é a relação entre varizes e trombose venosa profunda?
As varizes surgem quando as válvulas das veias não conseguem manter o sangue circulando adequadamente em direção ao coração. Como consequência, parte do sangue retorna e se acumula nas pernas, favorecendo a dilatação das veias. Essa circulação mais lenta pode contribuir para condições associadas à formação de coágulos.
Entretanto, existe uma diferença importante: as varizes afetam principalmente as veias superficiais, enquanto a trombose venosa profunda (TVP) acontece nas veias mais profundas. Embora possam estar relacionadas, são condições distintas. Ter varizes nas pernas não significa que exista um coágulo ou que a trombose seja inevitável.
O que os estudos descobriram sobre esse risco?
Uma pesquisa publicada em 2018 na revista científica JAMA acompanhou dados de 212.984 adultos com varizes em Taiwan e comparou seus resultados com os de um grupo equivalente sem a condição. Durante aproximadamente sete anos e meio de acompanhamento, a ocorrência de trombose venosa profunda foi significativamente maior entre as pessoas com varizes.
Foram registrados 6,55 casos de trombose por mil pessoas-ano no grupo com varizes, contra 1,23 no grupo sem a condição, uma associação com risco relativo aproximadamente cinco vezes maior. Apesar do resultado, os próprios pesquisadores ressaltaram que o estudo observacional não comprova que as varizes causem trombose. Outros fatores compartilhados pelas duas condições podem contribuir para essa diferença.

Quem tem varizes precisa redobrar a atenção?
Para angiologistas e cirurgiões vasculares, avaliar o risco de trombose envolve considerar não apenas a aparência das veias, mas também o histórico clínico e situações que favorecem a formação de coágulos. O risco pode aumentar quando as varizes aparecem junto de outros fatores.
Entre as situações que merecem atenção estão:
- Histórico de trombose: pessoas que já tiveram TVP ou embolia pulmonar apresentam maior risco de novos episódios.
- Cirurgias e imobilização: permanecer acamado, usar gesso ou passar por determinadas operações pode dificultar a circulação venosa.
- Gravidez e pós-parto: alterações hormonais e circulatórias aumentam o risco de formação de coágulos.
- Uso de estrogênio: anticoncepcionais combinados e determinadas terapias hormonais podem elevar o risco de trombose.
- Câncer e obesidade: também estão entre as condições associadas ao aumento do risco tromboembólico.
A presença desses fatores não confirma uma trombose, mas pode justificar acompanhamento mais cuidadoso e medidas preventivas individualizadas.
Quais sinais nas pernas podem indicar trombose?
As varizes podem provocar peso, cansaço, coceira e inchaço que pioram ao longo do dia. Já a trombose venosa profunda merece suspeita quando surge uma mudança repentina, principalmente em apenas uma perna. Dor persistente na panturrilha, aumento importante do volume, calor local e vermelhidão são sinais que exigem avaliação médica no mesmo dia.
As diretrizes britânicas do NICE para investigação de trombose orientam que pacientes com sintomas suspeitos sejam avaliados clinicamente e, conforme a probabilidade de TVP, realizem exames como ultrassom venoso e dosagem de D-dímero. A confirmação não pode ser feita apenas pela aparência da perna. Se houver falta de ar repentina, dor no peito, tosse com sangue ou desmaio, é necessário procurar atendimento de emergência, pois esses sintomas podem indicar embolia pulmonar.

Tratar as varizes ajuda a evitar a trombose?
O tratamento das varizes pode aliviar sintomas e reduzir determinadas complicações da doença venosa, mas ainda não está estabelecido que sua remoção previna a trombose venosa profunda em todas as pessoas. Caminhar regularmente, movimentar as pernas durante períodos prolongados sentado e evitar a imobilidade desnecessária ajudam a favorecer o retorno venoso. Meias de compressão podem ser indicadas em situações específicas, após avaliação profissional.
O angiologista ou cirurgião vascular pode utilizar o ultrassom com Doppler para investigar alterações na circulação e definir se há necessidade de tratamento. Quem apresenta varizes dolorosas, inchaço persistente, mudanças na pele ou episódios de inflamação nas veias deve procurar avaliação. Não é recomendado usar anticoagulantes por conta própria apenas por ter varizes, pois esses medicamentos podem causar sangramentos e exigem indicação médica.
Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Inchaço súbito e dor em uma perna exigem atendimento rápido, enquanto sintomas respiratórios repentinos associados à suspeita de trombose são uma emergência.









