Roncar alto durante a noite nem sempre significa que existe um problema de saúde. Entretanto, quando o ronco é acompanhado de pausas na respiração, engasgos ou sonolência intensa durante o dia, pode ser um sinal de apneia do sono. Essa condição acontece quando a passagem do ar fica parcialmente ou totalmente bloqueada durante o descanso, provocando interrupções respiratórias e despertares repetidos. O ronco alto associado a pausas respiratórias merece avaliação médica, mesmo quando a pessoa não percebe que acorda durante a noite. Observar os relatos de quem dorme no mesmo ambiente pode ajudar a identificar o problema.
Por que a respiração pode parar durante o sono?
Durante o sono, os músculos da língua e da garganta relaxam naturalmente. Em algumas pessoas, esse relaxamento provoca um estreitamento excessivo das vias respiratórias, dificultando a passagem do ar até os pulmões.
Quando a passagem fica parcialmente bloqueada, os tecidos da garganta podem vibrar e produzir o ronco. Se a obstrução aumenta, a respiração pode diminuir muito ou parar temporariamente, fazendo o organismo reagir para restabelecer a entrada de ar. Esse processo pode provocar pequenos despertares que fragmentam o sono, mesmo sem que a pessoa se lembre deles pela manhã.
Segundo o Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos (NHLBI), a apneia do sono pode provocar ronco alto frequente, interrupções da respiração e engasgos durante a noite. A instituição também destaca que muitas pessoas só descobrem esses sinais quando alguém próximo relata o que acontece enquanto elas dormem.

Como perceber se o ronco pode ser apneia do sono?
O ronco isolado não confirma a presença de apneia, pois também pode ocorrer devido à congestão nasal, ao consumo de álcool ou à posição em que a pessoa dorme. Entretanto, a combinação de ronco intenso com alterações respiratórias e cansaço durante o dia aumenta a necessidade de investigação.
Alguns sinais que merecem atenção incluem:
- Ronco alto e frequente: barulho intenso durante várias noites, especialmente quando apresenta interrupções repentinas;
- Pausas na respiração: momentos em que a pessoa parece parar de respirar antes de voltar a puxar o ar;
- Engasgos noturnos: despertar com sensação de sufocamento, suspiros fortes ou necessidade de recuperar o fôlego;
- Sonolência durante o dia: dificuldade para permanecer acordado, mesmo após dormir por várias horas;
- Dor de cabeça ao acordar: desconforto frequente pela manhã que pode acompanhar alterações respiratórias noturnas;
- Dificuldade de concentração: esquecimentos, irritabilidade ou redução da atenção durante atividades habituais.
O relato de quem dorme no mesmo quarto pode ajudar a identificar esses episódios. Entretanto, observar o ronco ou gravar os sons durante a noite não substitui os exames necessários para confirmar a causa.
Dormir de lado pode ajudar a diminuir o ronco?
Em algumas pessoas, dormir de barriga para cima favorece o deslocamento da língua e dos tecidos moles em direção à parte posterior da garganta, estreitando ainda mais a passagem de ar. Nesses casos, dormir de lado pode reduzir o ronco e alguns episódios de obstrução respiratória.
Também é recomendado evitar bebidas alcoólicas perto da hora de dormir, pois o álcool favorece o relaxamento da musculatura da garganta e pode agravar as alterações respiratórias. Manter horários regulares de sono e cuidar da congestão nasal também podem contribuir para um descanso melhor.
Essas medidas não substituem a investigação médica quando existem pausas na respiração. Pessoas que utilizam medicamentos sedativos devem conversar com o médico sobre seus possíveis efeitos no sono, sem interromper ou modificar o tratamento por conta própria.

Quando o ronco alto precisa de avaliação médica?
É importante procurar um clínico geral, otorrinolaringologista ou médico especialista em sono quando outra pessoa percebe interrupções da respiração, quando os engasgos noturnos são frequentes ou quando a sonolência começa a prejudicar as atividades diárias.
A investigação pode incluir a polissonografia ou outros exames do sono, que registram alterações na respiração, na oxigenação e em diferentes funções do organismo durante a noite. Quando a apneia do sono é confirmada, o tratamento depende da gravidade e pode envolver mudanças de hábitos, aparelhos de pressão positiva, como o CPAP, ou outras medidas indicadas pelo médico.
Quem apresenta sonolência intensa ou episódios de cochilo involuntário deve evitar dirigir e operar máquinas até receber orientação adequada, devido ao risco de acidentes. Já situações de falta de ar intensa que não melhora ao despertar, dor no peito, desmaio ou lábios arroxeados exigem atendimento de urgência.
Embora o ronco ocasional possa ser apenas um incômodo, pausas respiratórias observadas por outra pessoa não devem ser ignoradas, mesmo quando não existe cansaço evidente durante o dia. Identificar a causa permite escolher o tratamento adequado e melhorar a qualidade do descanso.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









