Um medicamento conhecido pelo tratamento do diabetes também pode ajudar pessoas com insuficiência cardíaca, mesmo quando elas não apresentam alterações na glicose. A empagliflozina demonstrou reduzir o risco de hospitalizações relacionadas à doença em grandes estudos clínicos. Os resultados ampliaram as possibilidades de tratamento para pacientes cujo coração tem dificuldade para bombear ou receber sangue adequadamente, condição que pode causar cansaço ao caminhar, falta de ar e inchaço nas pernas.
O que os estudos descobriram sobre a empagliflozina?
O estudo EMPEROR-Reduced, publicado em 2020 no New England Journal of Medicine, acompanhou 3.730 pessoas com insuficiência cardíaca e fração de ejeção reduzida, situação em que a capacidade de contração do coração está comprometida. Durante aproximadamente 16 meses, o risco combinado de morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca foi 25% menor no grupo que recebeu empagliflozina, em comparação ao placebo. O benefício ocorreu independentemente da presença de diabetes.
Outro ensaio clínico, o EMPEROR-Preserved, publicado em 2021, avaliou 5.988 pacientes com fração de ejeção acima de 40%. Nesse grupo, a empagliflozina reduziu em 21% o risco relativo do mesmo desfecho combinado, principalmente pela diminuição das hospitalizações. Embora os resultados sejam favoráveis, os estudos não demonstraram redução estatisticamente significativa da morte cardiovascular isoladamente. Isso significa que o principal benefício comprovado nesses ensaios foi evitar episódios de agravamento que exigem internação.
O que significa ter insuficiência cardíaca e quais são os sintomas?
A insuficiência cardíaca não significa que o coração tenha parado de funcionar. A condição acontece quando ele não consegue bombear ou receber sangue de maneira adequada para atender às necessidades do organismo. Isso pode prejudicar a circulação e favorecer o acúmulo de líquidos, tornando atividades cotidianas mais cansativas.
Entre os sintomas de insuficiência cardíaca que merecem atenção estão:
- Cansaço ao fazer esforços: dificuldade crescente para caminhar, subir escadas ou realizar tarefas domésticas.
- Falta de ar: desconforto respiratório durante atividades ou ao deitar, podendo exigir mais travesseiros para dormir.
- Inchaço nas pernas: acúmulo de líquido nos tornozelos e pés, especialmente ao final do dia.
- Ganho rápido de peso: aumento que pode ocorrer em poucos dias devido à retenção de líquidos.
- Tosse noturna: sintoma que pode acompanhar a congestão pulmonar e prejudicar o descanso.

Como um medicamento para diabetes consegue proteger o coração?
A empagliflozina pertence à classe dos inibidores de SGLT2, medicamentos que atuam nos rins, reduzindo a reabsorção de glicose e sódio e aumentando sua eliminação pela urina. Embora tenham sido desenvolvidos inicialmente para controlar a glicemia, seus efeitos sobre os rins e a circulação também podem beneficiar pessoas com insuficiência cardíaca.
Essa ação pode favorecer o equilíbrio de líquidos e reduzir parte da sobrecarga cardiovascular. Entretanto, os benefícios observados não dependem apenas da eliminação de glicose, e os mecanismos de proteção cardíaca ainda são investigados. Por isso, a empagliflozina também pode ser indicada para insuficiência cardíaca em pacientes sem diabetes, conforme avaliação médica.
Quem pode usar empagliflozina e quais cuidados são necessários?
A indicação depende do diagnóstico, da função cardíaca, da atividade dos rins e das condições gerais de saúde. O cardiologista pode incluir a empagliflozina no tratamento junto de outros medicamentos, conforme o tipo de insuficiência cardíaca. Ela não substitui automaticamente diuréticos ou outras terapias já prescritas.
Entre os possíveis efeitos adversos estão infecções genitais, aumento da eliminação de urina, desidratação e queda da pressão arterial. Também existe risco raro de cetoacidose, inclusive com glicemia não muito elevada. Por isso, o medicamento exige orientação sobre situações como doenças agudas, jejum prolongado e procedimentos cirúrgicos. Não deve ser iniciado ou interrompido por conta própria.

O tratamento pode fazer o cansaço e o inchaço desaparecerem?
A empagliflozina pode contribuir para melhorar a evolução da insuficiência cardíaca, mas não garante o desaparecimento dos sintomas nem representa uma cura. O tratamento costuma envolver outros medicamentos, controle da pressão arterial, acompanhamento do peso e atividade física orientada. A resposta varia conforme a gravidade da doença e as características de cada paciente.
Quem percebe cansaço progressivo, inchaço persistente ou dificuldade para respirar ao deitar deve procurar avaliação médica. Falta de ar intensa em repouso, dor no peito ou desmaio exigem atendimento de urgência. O diagnóstico e o tratamento adequados ajudam a reduzir complicações e preservar a qualidade de vida.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. A empagliflozina deve ser utilizada somente com prescrição e acompanhamento profissional, respeitando as indicações e contraindicações individuais.









