Por muito tempo, o infarto foi visto como um problema da terceira idade, mas esse cenário vem mudando. Casos de eventos cardíacos antes dos 40 anos têm aumentado, e boa parte deles está ligada a alterações no colesterol que passam despercebidas por anos. Muita gente jovem se sente saudável, não faz exames e desconhece que carrega um risco herdado ou acumulado pela rotina. Entender esses sinais silenciosos e saber quais exames pedir é um passo importante para proteger o coração desde cedo.
Por que o infarto tem atingido pessoas mais jovens?
O infarto deixou de ser exclusivo da velhice porque fatores de risco antes associados a idades mais avançadas agora aparecem cedo. Alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo e estresse crônico contribuem para esse cenário.
Soma-se a isso o colesterol elevado que não dá sintomas e vai agredindo as artérias ao longo dos anos. Quando o problema começa cedo e não é tratado, as chances de um evento cardíaco em idade jovem aumentam.
O que é a hipercolesterolemia familiar e por que ela preocupa?
A hipercolesterolemia familiar é uma condição genética que mantém o colesterol LDL elevado desde o nascimento. Por ser silenciosa, muitas pessoas convivem com ela por anos sem saber, mesmo cuidando da alimentação.
Como as artérias ficam expostas ao excesso de colesterol desde cedo, o risco de infarto precoce é maior. Por isso, casos de hipercolesterolemia familiar na família são um sinal importante para investigar o quadro.

Como a rotina profissional contribui para o risco cardíaco?
As longas jornadas sentado e a falta de tempo para se movimentar favorecem o sedentarismo, que se acumula ao longo dos anos. Esse comportamento prejudica o coração e a circulação de forma lenta e constante. Entre os fatores da rotina que pesam no risco estão:
- Muitas horas sentado no trabalho, com pouca atividade física;
- Alimentação rápida e rica em gorduras e ultraprocessados;
- Estresse constante, que afeta a pressão e o metabolismo;
- Noites mal dormidas, que desregulam o organismo;
- Pouca atenção a exames de rotina quando não há sintomas.
Pequenos ajustes, como incluir pausas para caminhar e cuidar da alimentação, ajudam a reduzir essa sobrecarga sobre o coração.
Quais exames preventivos são indicados para essa faixa etária?
Além do colesterol total e frações, alguns exames ajudam a avaliar melhor o risco cardiovascular em jovens com fatores de risco. Dependendo da avaliação, o médico pode indicar:
- Lipidograma, que mede o colesterol total, o LDL, o HDL e os triglicerídeos;
- Lipoproteína(a), ou Lp(a), marcador genético ligado ao risco de aterosclerose;
- Escore de cálcio coronariano, que avalia o acúmulo de placas nas artérias do coração;
- Avaliação do histórico familiar de infarto ou AVC precoce;
- Exames de pressão, glicose e outros fatores de risco associados.
A escolha depende de cada caso. Vale também acompanhar o colesterol alto com regularidade e discutir com o médico quando pedir o lipidograma e os demais exames.

O que a ciência mostra sobre prevenção em adultos jovens?
O uso de exames de imagem para estimar o risco cardíaco em pessoas mais jovens vem sendo estudado de perto. Segundo a revisão The use of coronary artery calcium scoring in young adults, publicada na revista científica Journal of Cardiovascular Computed Tomography e indexada no PubMed, a incidência de eventos cardiovasculares em adultos jovens vem aumentando.
De acordo com essa revisão, o escore de cálcio coronariano pode ajudar a identificar, entre os jovens, aqueles com maior risco e que mais se beneficiariam de medidas preventivas precoces. Os autores reforçam que o exame deve ser usado de forma seletiva, em pessoas cujo risco justifique a avaliação, sempre com orientação médica.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou profissional de saúde qualificado. Procure orientação profissional para diagnóstico e tratamento adequados ao seu caso.









