Tomar um antigripal para aliviar o nariz entupido, a febre e o mal-estar, e depois acrescentar um comprimido de paracetamol para a dor de cabeça, pode parecer uma combinação comum. Entretanto, muitos medicamentos para gripe já contêm essa substância em sua fórmula. Usar paracetamol e antigripal juntos, sem verificar a composição, pode levar a uma dose excessiva do mesmo princípio ativo e provocar danos graves ao fígado. O risco aumenta quando diferentes produtos são utilizados ao longo do dia, especialmente porque a intoxicação pode não causar sintomas nas primeiras horas.
Por que alguns antigripais já contêm paracetamol?
Os antigripais frequentemente combinam diferentes princípios ativos para aliviar vários sintomas ao mesmo tempo. Algumas fórmulas contêm substâncias para reduzir a congestão nasal, antialérgicos e medicamentos para controlar a dor e a febre. O paracetamol pode ser um desses componentes.
O problema é que o nome comercial do antigripal nem sempre deixa evidente quais substâncias estão presentes. Assim, uma pessoa pode tomar o medicamento para gripe e acrescentar outro analgésico sem perceber que ambos contêm paracetamol. Como as quantidades se somam, o organismo pode receber uma dose maior do que a recomendada.

Como identificar o paracetamol na embalagem?
Para evitar a duplicação, é importante consultar a seção de composição ou princípios ativos da embalagem e da bula. O paracetamol também pode aparecer com o nome acetaminofeno ou, em produtos importados, acetaminophen.
Antes de combinar medicamentos, vale conferir:
- Princípio ativo: verificar se o antigripal contém paracetamol, mesmo que tenha outro nome comercial;
- Quantidade por dose: observar quantos miligramas de paracetamol existem em cada comprimido, cápsula ou medida do medicamento líquido;
- Intervalo entre doses: conferir os horários recomendados e o momento em que o produto foi tomado;
- Outros medicamentos: verificar remédios usados para dor de cabeça, febre, resfriado ou problemas diferentes;
- Orientações da bula: observar as advertências relacionadas ao fígado, ao consumo de álcool e às interações medicamentosas.
A Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), em suas orientações sobre o uso de acetaminofeno, alerta que a substância está presente em numerosos medicamentos, incluindo produtos para gripe e resfriado. A instituição recomenda evitar o uso simultâneo de diferentes produtos contendo o mesmo princípio ativo sem orientação profissional.
Por que o excesso de paracetamol pode prejudicar o fígado?
O fígado é responsável por metabolizar grande parte do paracetamol. Durante esse processo, uma pequena quantidade é transformada em uma substância potencialmente tóxica, que normalmente é neutralizada pelos mecanismos de proteção do organismo.
Quando a quantidade ingerida é excessiva, esses mecanismos podem não ser suficientes. Isso favorece o acúmulo de substâncias capazes de lesionar as células do fígado, provocando intoxicação e, nos casos graves, insuficiência hepática.
Uma intoxicação por paracetamol pode evoluir mesmo quando a pessoa inicialmente se sente bem. Náuseas, vômitos, dor abdominal, perda de apetite e cansaço podem aparecer posteriormente, enquanto alterações mais graves podem surgir ao longo dos dias.
Pessoas com doenças hepáticas, consumo frequente de álcool ou outras condições que interferem na metabolização dos medicamentos precisam de orientação individualizada. Crianças também exigem cuidados específicos, pois as doses dependem do peso e da apresentação utilizada.
O que fazer antes de tomar dois medicamentos para gripe?
Quando os sintomas não melhoram com o primeiro medicamento, a atitude mais segura não é acrescentar outro produto automaticamente. O ideal é verificar quais substâncias já foram ingeridas e conversar com médico ou farmacêutico antes de fazer novas combinações.
Também é importante lembrar que produtos diferentes podem conter outros princípios ativos repetidos, além do paracetamol. Antialérgicos e descongestionantes presentes em fórmulas combinadas também podem provocar efeitos indesejados quando utilizados em excesso.
Consultar as orientações sobre indicações, efeitos colaterais e contraindicações do paracetamol ajuda a compreender por que a dose e os intervalos precisam ser respeitados.
Se a febre ou a dor persistirem, a necessidade de outro medicamento deve ser avaliada por um profissional. Não é recomendado aumentar a dose, reduzir os intervalos ou associar medicamentos por conta própria na tentativa de conseguir alívio mais rápido.

Quando uma possível dose excessiva exige atendimento?
Se houver suspeita de que a quantidade recomendada de paracetamol foi ultrapassada, seja por repetição de doses ou pela combinação com antigripais, é necessário buscar orientação médica imediatamente. Não se deve esperar aparecer dor abdominal, vômitos ou pele amarelada para procurar ajuda, pois a intoxicação pode começar sem sintomas evidentes.
Em caso de possível ingestão excessiva, é importante:
- Não tomar novas doses de paracetamol ou de outros produtos que o contenham até receber orientação profissional;
- Procurar imediatamente um serviço de urgência ou um centro de informações toxicológicas;
- Levar as embalagens e bulas dos medicamentos utilizados;
- Informar as quantidades ingeridas e os horários aproximados de cada dose;
- Não provocar vômitos nem utilizar tratamentos caseiros para tentar eliminar o medicamento.
No Brasil, o Disque-Intoxicação pode ser contatado pelo número 0800 722 6001. Quando houver confusão mental, desmaio, dificuldade para respirar ou piora importante do estado geral, o SAMU deve ser acionado pelo número 192.
O tratamento da intoxicação pode incluir um medicamento chamado acetilcisteína, utilizado no ambiente de assistência à saúde para reduzir o risco de lesão hepática. Sua eficácia depende de fatores como a quantidade ingerida e o tempo transcorrido, tornando importante iniciar a avaliação o mais cedo possível.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









